30.4.10

Maria Tereza do livro Negrices em flor nos deixou.




Soube pelo Robson Canto, hoje através de um comentário dele, que a escritora Maria Tereza do livro Negrices em flor, faleceu em São Paulo. Queria me desculpar aos manos e minas, pela minha falta de informação, é que não noticiei antes, por quê simplesmente só soube hoje do ocorrido, e acredito que mais do que uma fatalidade, é uma flor da literatura que nos deixou e deixou uma sementinha plantada na nossa literatura marginal/periférica/afro.

Tem um trecho do livro dela, que eu me lembro muito bem, fala sobre bolinhos de lama que ela fazia no quintal de sua casa. Esses humildes trechos de um livro, nos faz sentir o cheirinho de café e bolo que nossa mãe fazia quando a gente era pequeno.

O Robson Canto tem razão quando fala de nossa sensibilidade, a gente as vezes tá na maior correria, só cuidando de nossos problemas pessoais, de nossa vida pessoal, e tem pessoas importantes que estão nos deixando, e não tendo o reconhecimento merecido e necessário que elas merecem. Queria agradecer ao Robson pela informação, e por ele continuar sendo essa pessoa humana que ele é. E que Deus a tenha em um bom lugar, Maria Tereza. è nóis, continuando na caminhada.

29.4.10

Inocente

Inocente

Inocente,
Foi o que metralhou o gerente,
Ele não sabe, não entende,
Por quê agora cumpre 20, penitente.


Renato Vital é poeta

26.4.10

Alcatéia - Direto do Jardim Capela


Cara, sinceramente de uns dois anos pra cá, tem dois grupos que me chamaram a atenção como revelação. Não que os outros sejam ruins, mas é que tem uns grupos que te cativa mais. Os dois grupos que me deixaram admirado são: o Mano Emicida e o Alcatéia.
Pra mim são duas grandes revelações, que ainda vão fazer muito barulho no cenário do RAP NACIONAL. Os demais grupos que eu não citei, tem minha admiração também, mas foi como eu disse, " de dois anos pra cá", os outros eu já conhecia de mais tempo.

Hoje vou fazer um especial sobre o Alcatéia, direto do Jardim Capela.

Biografia

O grupo Alcatéia foi formado por Cleyton e Rafael no bairro do Jardim Capela no extremo sul da capital paulista no ano de 2000, desde o inicio sempre tiveram a amizade e apoio do Moysés A286.

Atualmente os integrantes do grupo são Cleyton , Rafael e DJ R15.
O primeiro CD do grupo está sendo produzido por ERICK 12 um dos grandes produtores no cenário do rap no estúdio Reviravolta Mafia e o lançamento está previsto para este ano,o cd que vai se chamar “ALCATÉIA “US VERDADEIROS NUM CAÍ” um titulo que expressa bem todos esses anos de caminhada e superação que o grupo teve até conseguir gravar seu primeiro trabalho, e para contemplar essa vitoria o cd terá as participações especiais de grandes nomes do Rap Nacional : Gaspar (Z’África Brasil), Dimenó (Alvos da lei), Daniel (Ordem Própria), Ivan e Moysés (A286), Erick 12 e Betão (QI Racional), e na parte fotográfica tem a participação do fotógrafo: Max Nogueira.


Músicas do grupo Alcatéia






Na missão

24.4.10

Mesmo quando caem

Mesmo quando caem

Mesmo quando as folhas caem
A àrvore continua no lugar
Ela está preparada pra te dar
Frutos e oxigênio pra respirar

Mesmo quando caem os heróis
A terra semeia novos pra lutar
Por que o caminho é intenso
E tem muitos pra continuar

Mesmo quando caem os brutos
Outros irão voltar
Em outras formas, outras maneiras
Outros meios de matar

Mesmo quando caem as babilônias
Outros irão se levantar
Por quê o mundo é redondo
Mas não é a bola que você pode chutar

Mesmo quando caem as casas
No Rio, No Haiti qualquer lugar
È preciso erguer a cabeça
E reconstruir novas pra morar

Mesmo quando caem as estrelas
Recolha, elas precisam estrelar
Estrelar o seu caminho
Por que é preciso a vitória alcançar

E eu sei, que se você for persistente e forte, com certeza alcançará.
Pois a verdadeira vitória, é viver pra vencer e pra sonhar.

Renato Vital é escritor e poeta também.

23.4.10

O último conto da saga de Ditinho

Pessoal, acabei de escrever o último conto da saga de Ditinho pro blog. Esta no post abaixo. Essa minha decisão, se deve, por que vou juntar os contos e escrever um único livro. Por isso esse conto do Ditinho foi o último, por enquanto... Abraços a todos.
Cooperifa eu vos amo.

22.4.10

Patrícia chega em casa

Virou a tranca, abriu a porta, a porta bateu atrás dela. Foi pro seu quarto, correndo, entrou, fechou a porta, e deu pulos de alegria e excitação. E no centro do seu pensamento, um filme se passando, e ela imaginando:

Nossa, o Magalhães é uma delícia na cama, prestativo, carinhoso, quente, caloroso, nossa como ele é caloroso. Gostaria de ter ele, só pra mim, aqui comigo, a hora que eu quisesse. Imagina, só bebida cara, só luxo, só serviço de qualidade, serviço de primeira. Meu namorado tá me esperando, mas quero que ele se dane. Hoje vou chegar atrasada só de bronca. Ele não tem o que o Magalhães tem, ele é um zero à esquerda, um bosta, um falido. Mas o Ditinho, ah o Ditinho, esse me paga, me humilhou, como ele pode.

Ditinho abre a porta de casa, vai até a cozinha abre a geladeira, e pensa em colocar uma placa dentro dela: " falida". Abre a carteira, tem dez reais dentro, e tinha que arrumar 50 reais até o fim de semana, pois no fim de semana levaria sua mina pra praia. Desde que o Tevez entrou em coma, ele vinha usando sua moto. A fome aperta, e não tem outra alternativa, se não ir até a padaria, comprar um real de pão e um e cinquenta de mussarela. Segunda faria as compras, ou melhor, compraria algumas coisinhas. Ditinho vai até a padaria, comprar o lanche da noite. Duas minas passam ao lado dele, uma delas o observa e pisca pra ele. Ele pensa: " Na época que eu era solteiro ou na época que eu namorava a Cristina, não tinha essa sorte, inda bem que minha mina é firmeza".

Aconteceu dois dias atrás, ele estava sozinho comigo na sala onde ficam os arquivos da empresa. Ele estava a procura de algum documento, e eu entrei sem que ele percebesse. Coloquei as mãos no ombro dele, e ele me perguntou o que estava acontecendo. Eu tentei beija-lô, ele me afastou, e mandou eu parar de palhaçada. Que ódio, que raiva que eu fiquei, esse maldito me paga. Ele ainda vai se render, Ditinho não perde por esperar. Ele vai ser meu também. Não sei o que houve, ele ficava olhando minhas pernas, e eu achei que ele me queria. Vai entender esses homens, são tudo uns presunçosos e orgulhosos. Droga, aquele meu namorado tá me chamando, vou ver o que ele quer.

- Alô, é o senhor Benedito?

- Sim ele mesmo.

- Aqui é do Hospital Sabóia, o senhor deixou seu telefone pra que entrassemos em contato. Parece que seu primo saiu do coma, o senhor poderia vir pra cá no horário das visitas.

- Caraiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii.

Renato Vital é escritor .

17.4.10

Café, mesa e sexo.

Magalhães, tira os óculos, era a senha.

Patrícia se aproxima, entra no carro dele, não diz oi, nem bom dia, nem ao menos se olham nos olhos. O destino? Motel Califórnia, suíte cinco estrelas. Desde a primeira vez que traiu sua esposa, Magalhães se habitou ao ato, mesmo sabendo que era errado. Dessa vez seria com a própria secretária dela. Tudo começou, quando Magalhães chegou mais cedo, na empresa de sua esposa, pra levar ela pra casa. Patrícia estava com as mesmas roupas provocantes de sempre, e olhava pra Magalhães com o olhar malicioso de sempre. As cochas de Patrícia eram extremamente macias e torneadas, e o olhar de Patrícia se parecia com o olhar daquela atriz Brasileira, que trabalha numa emissora de televisão, a Cléo Pires. Foi simples, uma aproximação, falas e desejos de carícias, e estava tudo acertado. Se encontrariam as cinco da tarde na esquina da empresa. Sem medo e sem preocupações. Lá estavam eles juntos naquela tarde de sexta-feira:



- O que seus filhos diriam se soubesse.

- Patrícia, sem causar, ok.



Naquele terno engomado, o tipo exemplo da sociedade, dirige seu carro importado. Ele sabe que a vida não é justa, ele também sabe que sua riqueza, veio através da exploração, claro que sabe. O que ele não sabe, é que a vida também é de todos, mas entre um lucro e um empregado, preferia ficar com o lucro. É só isso, sociedade capitalista, nada marxista, nada comunista, nem socialista, apenas capitalista. Um motel, isso, um motel seria excelente pra tirar o stress da semana. Ah, não levaria a esposa, já foi o tempo em que era um tipo decente, agora era um tipo leviano, leviandade, maldade, malícia, um tipo malicioso ao extremo.



- Qual a suíte senhor? - Pergunta a atendente.

- Quero a melhor que vocês tiverem. - responde Magalhães.

- Alguma coisa pra comer ou beber? - Interroga a atendente.

- Um champanhe, isso um champanhe pra ela, pra mim prefiro um whisky. - responde o patrão, marido da patroa da Patrícia.



Vida. Um item a mais no universo, ou o próprio universo. Se o universo é vida, pra que a tornamos tão díficil e complicada. E por quê o ego e o orgulho, vencem o amor tão facilmente. O homem. Já disse um poeta que: " o Homem é a única espécie do universo, que provoca dor no semelhante pra massagear o ego" . Por quê somos tão egoísta, por quê vivemos em busca de respostas, quando ainda nem sabemos formular as perguntas.



- Nossa Ma, adorei esse quarto, não vejo a hora de colocar a lingerie que comprei especialmente pra você.

- Patrícia, não sou muito de ter intimidades com as pessoas que saio, mas eu gostaria de saber, seu namorado, você ainda namora não é?

- Sim, claro que namoro, por quê a pergunta.

- Por nada, só queria saber se alguém é tão cínico como eu.

- Desse jeito, a gente vai brochar antes de começar, olha, esquece tudo isso tá, a gente só veio se divertir, eu trato bem sua esposa, àlias eu adoro ela, mas não tem nada de mais, sei lá, entende.

- Entendo Patrícia, fica tranquila, que não sou de amarelar aos 45 minutos do segundo tempo.

- É mas o funcionário da sua esposa é.

- Por quê?

- Eu juro, que a gente estava sozinho, eu seduzi ele, e ele nem correspondeu, acho que ele é viado, sabe.

- Não, as vezes ele ainda respeita a mulher dele.

- Eu prefiro a opinião que ele é gay.

- hahahahhaha, você é sem vergonha.

- Claro, se eu não fosse, não teria saído com você, é claro.



As atitudes variam de pessoa pra pessoa. Tem pessoas que traem por opção, por virtude, por desculpa ou por diversão. Tem pessoas (a minoria) que não traem, por falta de oportunidade, por respeito, por atitude, por bondade, por piedade e também não traem por que tem amor pelo outro. Ninguém na terra, fala por ninguém, ninguém nunca vai ser capaz de julgar seu semelhante, mas ninguém é bobo, e na terra aonde o bobo já não existe e o caipira virou country, tudo acontece e tudo não acontece. Depende do ponto de vista que você olha.
Magalhães e Patrícia saem do motel, Magalhães deixa Patrícia em casa, que pede pra ele entrar, mas ele diz estar bastante exausto já. Ele vai pra casa, afim de levar sua esposa pra jantar, e ela liga pra seu namorado. Hipocrisias e Cinismos a parte, a vida continua.

Renato Vital é escritor.

14.4.10

Rap Festival

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11.4.10

Space Night Club, minha casa ou minhas primas.

- E ai o que acha da minha oferta, vai ter todo esse corpinho, todos os anos de sua vida, eu sou novinha ainda, tenho apenas 21 aninhos, vai poder me desfrutar por muitos anos Osvaldo.
- É, minha mulher, minha mulher não é mais a mesma, mas ainda funciona né.
- Sim Osvaldo, e agora que ganhou na loteria, não tem por quê ficar com ela, me leva contigo pra Búzios, ou sei lá, que lugar a gente vai?
- Não sei, to em dúvida, e minha família?
- Ah, você manda dinheiro pra eles, você tem de sobra agora que é rico.
- Fala baixo, quer que todo mundo saiba, e me mate pra eu não desfrutar da grana.
- Desculpe Osvaldinho. Osvaldinho me leva contigo!
- Tenho que pensar minha flor.
- Vou te mostrar um negócio, vem cá no cantinho do bar...
- To indo...
- Gostou, comprei hoje, só pra você.
- Nossa que lingerie deliciosa, adoro fio dental.

Osvaldo vai com a Berlinda pro quarto, acende a luz, tira a roupa. Ela também fica nua, Osvaldo cai babando em cima dela. Berlinda é maliciosa, se esquiva, chantageia, catimba, joga o verde pra colher o maduro, fica na espreita.

- Calma Osvaldinho, promete que me leva contigo, ainda hoje?
- Prometo, prometo, vamos com isso agora.
- Claro gatinho.

O quarto começa a pegar fogo, Osvaldo apesar da idade, ainda aguenta o tranco. Osvaldo se lambuza com a melhor prostituta do cabaré, Osvaldo está feliz.


- Seu pai está demorando né?
- Sim mãe já já ele chega.
- Não vejo a hora de me mandar dessa favela, detesto esse lugar, só vou sentir saudades da igreja que eu sempre frequentei.
- Eu daqui, não vou sentir saudades de nada, não vejo a hora de partir.
- Pois é, será que eu devo ligar pro seu pai, ele tá demorando.
- Iii mãe, agora que o papai tá rico, tá toda protetora né.
- Não menino, eu to preocupada é com ele mesmo, como sempre estive.
- Calma cocada, to brincando só, mas eai, e os nossos móveis?
- Acorda menino, isso tudo vou deixar pra minha mãe vir pegar, só quero coisa nova.
- Vai com calma mamãe.


Quarto do Space Night Club...

- Eai Osvaldo, quando se passa pra me pegar.
- Vou em casa, pegar tudo o que conseguir, minhas roupas, algumas só, ai passo pra te pegar.
- È mas, coitada da sua esposa, manda pelo menos a pensão pra ela, se não a coitada pode morrer de desgosto.
- Sim claro, já pensei nisso tudo, minha flor.
- E então vamos morar aonde Osvaldo, quero tudo do mais lindo, do mais refinado, do mais luxuoso, do mais...
- Do mais caro né.
- Sim meu amor, quero tudo o que nunca tive.
- Sim, mas e meu ciúmes como é que fica, ontem mesmo você levou outro pra cama, bem na minha frente.
- Osvaldinho, isso são águas passadas, e outra, é minha profissão, álias, era.
- Sim, me espera as três da madrugada, aqui em frente mesmo, eu passo pra te pegar.
- Só tenho uma dúvida.
- Qual?
- E seu namorado?
- Qual? Aquele bastardo? Já terminei com ele ontem, ficou lá choramingando, me cobrando favores, que ele me ajudou quando cheguei em São Paulo, que me deu abrigo, que me arrumou emprego, apesar de eu não ter ficado nele. Enfim ficou chorando aos meus pés, mas sabe como é né, ele não tem mais nada pra me oferecer.
- Ele tá bem, digo, está tudo bem?
- Está sim, pode deixar.
- Olha toma cuidado viu, tudo bem.
- Osvaldo, vou lá me arrumar tá, vou pedir as contas pra Margarida, e me mandar desse lugar podre.
- Olha que o Alfredo num vai gostar heim.
- Aquele verme, não devo nada pra ele, só por que é PM, fica se achando, só por que anda armado acha que é o tal.
- Certo vou indo então, minha flor.
- Tudo bem, até as três viu.
- Até lá.

Ditinho vem subindo a rua, e cruza com Osvaldo. Eles se cumprimentam, mas não são de se falar muito. Osvaldo chama Ditinho, tem algo a dizer pra ele.

- Fala Osvaldo, anda sumido, nunca mais foi jogar sinuca com a gente.
- Pois é meu bom, tava viciado a colar no Space, sabe como é né, minhas meninas precisa se sustentar, e eu ia lá pra dar algum pra elas.
- Sei como é, puteiro não é muito a minha cara não, mas a tentação é grande mesmo.
- Se é meu caro.
- Osvaldo.
- Fala meu caro.
- Todo mundo anda dizendo, que você enriqueceu, e que vai sumir da quebrada, é verdade?
- É nada meu amigo, to duro como sempre, durinho da silva.
- A, o zé povinho só inventa mesmo né.
- Com certeza.
- E seu primo como anda, tá melhor?
- Tá na mesma, mas tenho fé que vai melhor.
- To torcendo por isso.
- Valeu meu amigo.
- Então Ditinho vou indo nessa, até mais viu.
- Até mais Osvaldo.

Osvaldo caminha em direção de sua casa, dá graças a Deus que vai sair daquele bairro, e outra, vai ter carne nova todos os dias, a sua disposição. A Flor era uma mulher surpreendente, gostava de levar os homens ao delírio. Vai lhe dar tudo do bom e do melhor. Quem sabe um Apê de frente pro mar, seria uma boa pedida.

- E Osvaldo demorou, e então vamos?
- È pai, vamos embora, tem dois dias que você ganhou na loteria, a gente tá dando sopa aqui, vamos embora, rápido.

Osvaldo sente um frio na espinha, algo estranho a invadir sua consciência, aquele famoso peso na consciência. Osvaldo se lembra de quando se casou, sua mulher era virgem, se entregou pra ele, apenas depois do casamento. Ele se lembra que era mulherengo, mas mesmo assim ela gostava dele, o aceitava do jeito que era. Mesmo depois que nasceu seu primeiro filho, mesmo depois que a situação estava caótica em casa, mesmo assim, ela nunca o abandonou. Aquela mulher de saia vermelha, sorriso humilde, e semblante de sofrimento, sempre o apoiava, mesmo quando estava com raiva dele. Osvaldo se lembra de sua filha, que estava na casa de alguma amiga, esperando o papai, passar pra pegar ela, pra ela virar uma princesa, em algum castelo por ai.
Osvaldo se encaminha pra porta, está com uma mochila nas costas, vai abandonar a família. Osvaldo observa sua esposa, lavando sua última louça, seu filho arrumando sua última mala. Ele dá mais um passo, em direção a porta, e quando abre ela, sua filha chega correndo.

- Vamos papai, demorou, vamos embora logo. Não vejo a hora de chegar na nossa nova casa. Que alegria, que emoção, vou ter um quarto só pra mim.
- Tudo bem então, vamos, podem ir entrando no carro.

Osvaldo abre sua carteira, tira uma pequena foto, de uma mulher seminua. Osvaldo rasga a foto, e arremessa no lixo. Uma porta se fecha atrás de Osvaldo, seus filhos o esperam dentro do carro, sua esposa também. Ah, aquele velho Passat, quantas idas a represa com sua família. Legal foi quando desceram pra Praia Grande, se não fosse o guarda-vidas, Osvaldo teria batido as botas, bebeu tanto, que se esqueceu que não é peixe. Osvaldo liga o carro e parte, parte pra outro lugar, pra outro bairro, pra outra realidade, afinal, aquela comunidade pra ele, não tinha jeito. Osvaldo diz consigo mesmo:

- Adeus Vila Gumercinda, até outro dia.

Frente do Space Night Club, três horas da manhã:

- È hoje que eu tiro o pé da lama, aquele pança de chopp vai me levar pra ser rainha. Bem que eu sabia, uma hora meu dia ia chegar. A Flor vai virar um Jardim agora, vou ser bem recebida nos melhores hotéis, e motéis, enfim, em qualquer lugar que for. Será que vou pro Resort que fica em Búzios primeiro, ou é melhor ficar em Foz do iguaçu por alguns dias. Não sei, só sei que na primeira oportunidade, acabo com a raça daquele infeliz do Osvaldo, e me mando com a grana pra bem longe.

Flor era uma prostituta simples, com o corpo bonito, o rosto esbelto, e muitos sonhos na cabeça. Veio pra São Paulo aos 16 anos, pra morar junto com um tio, irmão de sua mãe. Deixou Pernambuco, pra viver um sonho na cidade grande, ser modelo, ou então trabalhar numa grande empresa. A casa de seu tio não era muito grande, mas ela podia dormir na sala, enquando a esposa de seu tio, ele, e seus dois filhos dormiam no quarto. Certo dia, notou um olhar estranho em seu tio, ele observava as pernas dela. Com o tempo começou a encoxar ela na pia da cozinha, jogar indiretas, procurar ficar sozinho com ela em casa. Até que um dia, aproveitando o sono de sua esposa, agarrou ela na sala, rasgou sua blusa, e tentou chupar seus seios, ela se esquivou e saiu correndo, se trancou no banheiro e ficou chorando por horas. Depois que seu tio tentou estrupa-lá, ficou com medo, mas não tinha pra onde ir. Certo dia ele chegou bêbado em casa, pegou uma faca e tentou intimidar ela, pra que tirasse a roupa. Ela se esquivou, e na hora chegou a esposa dele. Ele mentiu e disse que ela estava o seduzindo, ela foi expulsa de casa, e começou a perambular pelo centro de São Paulo. Com o tempo arrumou emprego num restaurante japonês, e vendo que estava sendo escravizada, num belo dia, roubou tudo o que pode, e sumiu no mundo de novo. Até que conheceu Margarida num forró risca faca, que a levou pra trabalhar de garçonete em sua casa noturna. Com o tempo, ela viu como única opção pra ter algo melhor, a prostituição, e como vivia sendo cantada, vendeu sua virgindade pra um empresário, que pagou bem menos que o combinado. Dali pra frente sua vida, era só a prostituição de noite, e de dia vagar por ai. Ela gostava de ir pra pracinha, ficar olhando seu sonho passar por ela, seu sonho se chamava casamento e um amor, um amor pra curar suas dores mais profundas. Arrumou um namorado, que a ajudou no começo, prometeu lhe dar uma casa bonita, uma família, uma vida, mas era só mais um bêbado vagabundo, que batia na mulher quando chegava em casa. Um futuro incerto com certeza. Até que um dia conheceu Osvaldo, que virou seu cliente de carteirinha, e sempre prometia pra ela mundos e fundos se um dia ficasse rico. Flor está parada na esquina, aonde fica o Space Night Club, vê um homem bêbado se aproximar dela, e quando ele chega mais perto, ela o reconhece:

- O que você quer, já não disse que acabou?
- Vim te buscar, vamos pra casa.
- Não, estou esperando Osvaldo, vai me levar pra ser uma rainha como sempre quiz.
- A então você quer ser uma rainha agora?
- Sim.
- Você me feriu Florzinha, volta pra mim, eu juro que nunca mais bebo, nunca mais te agrido, nunca mais.
- Não, nunca mais quero te ver, some daqui.
- Sua vaca maldita, ou você volta comigo, ou vai se arrepender.
- Por quê, você é um merda não é de nada.
- Maldita vagabunda, vai pagar!!!

Flor recebe uma pancada na cabeça, são 03:10 da manhã.
Flor começa a ser espancada, com o sapato de seu ex-namorado, são 03:11 da manhã.
Flor grita por socorro, ninguém a ouve, são 03:12 da manhã.
Flor tenta correr, e percebe uma lâmina invadir suas costas e seus sonhos, são 03:13 da manhã.
Flor está no colo de seu assassino, que chora desesperadamente, mas ela sangra muito, são 03:14 da manhã.
Flor vê a lua, como era bonita a lua, são 03:14 da manhã.
Flor pensa, talvez Osvaldo tenha caído no sono, não demora a chegar, são 03:15 da manhã e ela sangra muito.
Flor ouve uma sirene, que vai ficando cada vez mais alta, são 03:20 da manhã.
Flor balbucia um nome pro paramédico, Osvald,Osvaldo, Osvaldo, seu ex-namorado chora dentro da viatura policial, está algemado, são 03:22 da manhã.
Flor ouve alguém dizer: - Não tem mais jeito, ela já entrando em óbito. são 03:25.
Flor se despede do mundo com um beijo, adeus minha terra, adeus meu amor, adeus Osvaldo, flor ve o mundo do avesso são 03:29 da manhã.
Flor entra em óbito, são 03:30 da manhã.

Renato Vital é escritor.

9.4.10

A hora do Limão

Programa 27 A Hora do Limão

Participações: Sandrão RZO, King Nino Brown, Luter Enigmas de periferia e Moisés Vato Loko.



A hora do limão, o programa mais azedo da internet.

7.4.10

Evangélico ou Católico?

Bela pergunta, fui batizado na igreja Católica, meu pai diz pra todo mundo que os filhos dele vai ser sempre católico. Em respeito a ele, não duvido, nem afronto. Depois de saber dos mais de 15 mil casos de pedofilia na igreja católica, em alguns países da europa, é que firmei mais ainda minha posição, não sou católico, sou cristão. Também não sou evangélico, até mesmo por quê, não quero fazer parte, desse debates que se vê na televisão. Em um canal é o bispo Romualdo ou o bispo Marcelo Crivela, da Universal. Em outro canal é eles também. Muda de canal de novo, ou é a legião da boa vontade, ou é o bispo R.R. Soares ( dias desses minha mulher não me deixou dormir, insistindo pra que eu fosse na igreja do dito cujo). Continua nesse canal e de madrugada você vê o Silas Malafaia, pra quem gosta, todo o meu respeito, pra quem não gosta também. AI você vai mudando de canal, ai tem a Igreja Mundial da Fé, do Bispo Waldemiro Santiago, continuo na mesma proposta, quem gosta, gosta, quem não gosta da as costas, ou vai se embora, e eu mudo de canal. Mas não pare, continue mudando de canal. Se cair na globo, de domingo tem o padre Marcelo Rossi, e de vez em quando o padre José Maria, ou como diz minha mãe, o padre dos artistas ricos.
Quem gosta, gosta, quem não gosta, se esboça, ou então muda de canal, e é o que eu faço. As escolhas religiosas hoje em dia, são bem vastas, na televisão se tem muitas. E você? Evangélico ou Católico?

Renato Vital é escritor.

4.4.10

Pessoa Desconhecida

- Oi.
- Oi.
- Andas preocupado?
- Bom, sim, um pouco, é com o meu amigo sabe.?
- Sei sim, o conheço. É aquele que está internado no Hospital Saboya, não é mesmo.
- Sim, eu não confio naquele hospital, não confio em hospital nenhum, esse sistema falido do caralho, eu não confio! Não confio de jeito nenhum, eles não vão salvar meu amigo.
- Eles talvez não... Mas eu já sei que ele vai se salvar.
- Eu também acredito nisso, mas é díficil sabe?
- Sei sim, sei como é díficil acreditar, naquilo que você não viu, mas pode acreditar, em dois dias ele estará de pé falando com vocês.
- Tenho medo.
- Medo por quê, logo você que é corajoso, já se aventurou em situações tão dificeis, eu lhe conheço bem Benedito.
- Como sabe meu nome?
- Isso não interessa agora.
- Como não interessa, esse lugar aqui pertence a mim, essas àrvores, esses campos, esses rios, essas flores, todo esse gramado, tudo isso pertence a mim, como adentrou em minha propriedade?
- Isso aqui não é seu, não foi você quem criou, você apenas habita esse lugar.
- Mas eu não deixo ninguém entrar aqui, ninguém que eu não conheça.
- Tudo bem Benedito, já vim, já deixei a mensagem. Só gostaria de fazer um pedido antes de partir.
- Qual?
- Quando tudo estiver bem, quando tudo já estiver definido e decidido, numa noite calma, peço que olhe pro céu. Você me verá, e eu terei isso como um sinal de positivo, de que tudo está bem.
- Não, nem tudo está bem. A namorada do Tevez tá traindo ele, aquela vagabunda. Tá namorando com um amigo dele, aquele pilantra safado, Judas traidor, sem vergonha. Mas eu já armei pros dois, no pagode que terá sexta-feira. Meu oitão tá até a boca carregado, os dois vão pagar por tudo o que estão fazendo.
- Guarde a espada na bainha filho de Deus criador. Guarde seu ódio pra seus verdadeiros inimigos. Eles terão o que merecem, mas isso não é você quem vai definir. Mas já que achas que violência é o melhor caminho, vá em frente, você tem o livre arbítrio.
- Sim, eu vou, isso não vai passar batido.
- Tudo bem, já vou indo, mas antes fique com essa mensagem: " O maior segredo está na vida, não procures desvendar segredos do outro mundo, o verdadeiro mistério está aqui!".

Ditinho abriu os olhos, levantou de sua cama, foi até a geladeira pegar um copo d` água, sentou-se numa cadeira. Dormiu assim que chegará do serviço, teve até um sonho, mas não se lembrava direito dele. Só se lembrava de algumas palavras, alguém dizendo que seu primo estaria entre eles em dois dias. Ditinho ajoelhou-se frente a imagem de nossa senhora, e fez uma oração. Foi até a gaveta do guarda-roupa, pegou o celular, discou o telefone da sua namorada. Ela atendeu, e ficaram conversando durante um bom tempo.

Renato Vital é escritor.

31.3.10

Lua de São Jorge por Caetano Veloso

Esse vídeo é muito bonito, o escritor, cantor e compositor Caetano Veloso, cantando Lua de São Jorge, num show em Roma. Bom, tá certo que um livro do Caetano Veloso, com o meu salário eu não consigo comprar, mas que o cara é inteligente pra caramba, isso é. Sem contar, que estou lendo o livro do Caetano, Letra só, que contém 180 letras dele durante toda a sua carreira, além de um livro em separado explicando algumas delas. O que vale mesmo é curtir a poesia da letra e da música. É nóis.

28.3.10

Ditadura, Polícia que bate em quem ensina, não policia ninguém.

Tropa de Choque atira contra professores, com balas de borracha, gás de pimenta, bombas de efeito moral e cassetetes.

Me desculpe os admiradores da Polícia Militar, mas eu queria saber qual a desculpa deles agora. Sim pois a desculpa da polícia sempre foi, que são caçadores de bandidos e marginais ( e prendem somente bandidos!? será!?). Professores que são mal pagos pra ensinar, são atacados por policiais que são mal pagos, pra perseguir quem ousa lutar contra as mazelas e as injustiças do sistema governamental do nosso estado e país.
A velha pergunta do grupo Titâs ainda se mantêm viva: Polícia, para quem precisa?
É triste, mas também já passei por isso, estava numa quermesse de rua na vila Missionária, e pobre se divertindo, no nosso estado, também é crime. Os homens da tropa de choque invadiram o local, com bombas de gás lacrimogênio, gás de pimenta e balas de borracha. Eu que sou muito bobo, sai correndo é claro, se não já viu, eles iam passar por cima, com tudo.
Lamentável, e sabemos quem são os culpados, os mandantes de tudo isso, e quem sente prazer em reprimir professores, me desculpe, mas não tem inteligência.

27.3.10

Conversas ou brigas, pouco importa

- Magalhães, como assim que flores? as que você me deu semana passada, não se lembra.
- Na verdade não querida, mas foi por causa do dia das mulheres né, parabéns viu.
- Presta atenção Magalhães, não brinca com isso, nosso casamento está indo por água abaixo Magalhães, presta atenção.
- Tá bom, to aqui parado, pode falar, que você quer?
- Um pouco de atenção, só isso.
- Ah agora você quer atenção, é isso? A vinte anos quando nos casamos, você queria conforto, uma casa boa, um carro pra andar. Quando nos casamos, você não queria homem duro do seu lado, queria só finezas, coisas chiques, pra se contrastarem com sua infinita beleza, não é mesmo? Pois bem querida Dona Simone, você tem seu maldito conforto, agora pode me deixar trabalhar?
- Magalhães, eu, eu, eu,
- Quer a separação, é isso Simone, é isso?
- Magalhães, solte o meu braço está machucando, os meninos podem escutar...
- Então pare com suas crises infernais, tá ok, to de saco cheio da suas picuinhas, nhé, nhé, nhé, conversinha pra boi dormir, agora minha querida esposa deixa, seu querido marido, trabalhar?
- Tudo bem, vou pro quarto, se lembra do nosso quarto, aquele que tantas vezes trocamos carícias, aquele que eu sempre me entreguei pra ti, de corpo e alma, aquele que sempre te chamei de meu amor?
- Lembro sim, fica ali depois do quarto da Paty, no final do corredor, precisa de um guia turistico pra te acompanhar até lá?
- Preciso de um marido menos ignorante, bruto e imbecil!
- A próxima vez que me ofender dessa maneira, vai se arrepender.
- Sério, to pouco me lixando.
- Vá a merda Simone, me dá um tempo.
- Me dá um tempo você, me dá um tempo você tá...

Simone começa a chorar desesperadamente, e a tacar objetos de porcelana na direção de Magalhães, ele se esquiva como pode.

- Para sua maldita, me respeita.

Um dos objetos de porcelana, acerta o supercílio de Magalhães, que começa a sangrar muito.

- Viu o que fez sua maldita, miserável, desequilibrada, eu devia quebrar a sua cara, sua nojenta.

Magalhães pega as chaves, e sai do apartamento, batendo a porta com toda força.

- Mãe o que aconteceu, por quê tá chorando?
- Não é nada Patrícia, seu pai é um bruto, ignorante, que só pensa em trabalhar, trabalhar, sair com os amigos, e esquece que eu ainda sou a esposa dele.
- Homem, mãe, a gente tem que usar, tem que usar e jogar fora, se não se transforma nisso ai. O papai nem dá mais atenção pra gente. Eu mesma sou assim, homem é que nem chiclete, a gente pisa, pisa, ele gruda no nosso sapato e não sai do nosso pé.
- Filha eu to falando sério, não sei mais o que faço.
- Eu sei, se veste bem, se transforma, fica bem bonita, e sai com suas amigas, assim ele vai te dar mais valor, pode apostar.
- Já tentei isso mil vezes, você sabe disso.
- Sei lá manhê, a num sei sabe, é assim, você tem que ser mais ousada, chegar e ganhar o papai com jeito, com malícia...
- Menina, olha o respeito, apesar que você tem razão, mas isso a mamãe já tentou também.

O telefone toca, e Paty vai atender em seu quarto, sua mãe continua na sala chorando.

Magalhães encosta o carro numa padaria, entra no estabelecimento, vai até o balcão e pede uma cerveja. Duas loiras sozinhas, observam ele, ele nem percebe. Magalhães pensa em acender um cigarro, mas lembra da lei do Serra, que proíbe os fumantes de fumar, desiste do ato. Magalhães chinga o governador no seu íntimo, mas se lembra do ocorrido em sua casa. Não sabe o que era, mas sua mulher não era mais a mesma, não o atraia da mesma forma de antes. Uma das loiras passam por Magalhães, pisca pra ele, e ele percebe. Ela se senta próximo dele, cruza as pernas, e o observa. Magalhães apenas a observa também, não tem reação alguma, aquele momento não estava com cabeça pra isso. A loira passa perto dele, e esbarra de propósito. Magalhães tenta se desculpar, mas a loira o intima:

- Calma, não foi nada. Você tá sozinho ai?
- To sim.
- Quer sentar com a gente naquela mesa, pra gente conversar?
- Sabe o que é, em outras oportunidades agradeceria muito mas....

A loira puxa Magalhães pelo braço, e o leva até a mesa. Ela está de mini saia, bem curta, e sua amiga também, Magalhães senta na mesa. Sem ter o que falar, Magalhães apenas ri do que as duas dizem. Passadas duas horas, e muitas cervejas, Magalhães diz que precisa ir embora. Elas o comprimentam:

- Já vai tá cedo, não quer tomar a saideira?
- Estou tomando a saideira a horas...
- Por favor só mais essa.

Magalhães olha pras coxas das loiras, e responde:

- Eu acho melhor ir pra um lugar mais adequado, o que acham...
- E tipo o quê? - uma delas diz.
- Você sabe espertinha, e então vamos?

As duas, com o rabo quente, não pensam duas vezes, e entram no carro de Magalhães. Ele avista um motel cinco estrelas. Entra dentro dele, e pede a melhor suíte do lugar. Magalhães se deixa levar, e entra no paraíso dos pecadores.

Renato Vital é escritor.

26.3.10

Poesia dedicada a Dina Di, é notícia no site Rap Nacional

Quarta-Feira na Cooperifa, dediquei uma poesia à Dina Di. Umas meninas que são repórter do site Rap Nacional me procuraram, e pediram a publicação da poesia. È claro que aceitei, e vocês podem conferir abaixo o link pro site RAP NACIONAL em que está a poesia. Detalhe a poesia foi feita a luz da lanterna do meu celular, já que na hora em que estava escrevendo a luz acabou. Superação até na hora de escrever a poesia, assim como a mina era, superação até o fim. Acompanhem:

Filha Do Rei

Sempre estará aqui em nossa mente, em nossos corações.

Sempre querendo mais despertar, revolucionar, guerrear.

E essas marcas da adolescência que se fez de inspiração para ti.

A consciência se construiu, e se formou por aqui.

Sei que sua família chorou, seus amigos choram, e vão chorar cada vez que lembrar; sua atitude, seu jeito de cantar.

Não podemos desanimar tu és Filha Do Rei e é com ele que deve estar;

Acho que é um pouco tarde para te homenagear.

Os guerreiros só viram heróis depois de passar, para essa outra vida e a eternidade alcançar.

Esteja em onde estiver esteja em paz.

Dina Di Guerreira Vamos Relembrar.



Autor: Renato Vital

23.3.10

Fiquei sabendo sábado de manhã.....

DINA DEE, A FILHA DO REI

Fiquei sabendo sábado de manhã...
Mas esperei passar um tempo, pra ter certeza que era verdade.
Poderia ser só uma mentira, eu não ligaria.
Não ligaria se tivesse sido, só uma informação errada.
Mas não, é verdade.
Dina Dee nos deixou.

Aonde você for guerreira

Vai sempre encontrar

Um grande palco florido

Pro nosso povo alegrar

E encantar

Com seus versos realistas

À todos alertar

Sabemos que tu és filha do rei.

E é com ele que deve estar

Que Deus o tenha em um bom lugar

E que esse mesmo Deus

De conforto pra sua família, seu marido, enfim todos os seus amigos e fãs.

Dina Dee, esteja em um bom lugar.





E uma música da hora que é pouco comentada:

Corpo em Evidencia

Visão de Rua

Composição: Dina Dee
Corpo em Evidencia – Visão de Rua

Era um corpo nuuuuu...queimado de sol hehey
Capa de revista ,
Exposta nas bancas ,para todos verem
Muita mulher ,na TV você ve,voce quer
Mais na hora de ver qual que é ?
Mais o que mais te dói olhar com zói .

Há a capa da playboy quem será?
A próxima tentação vou te falar
De um corpo perfeito uma mente vazia
Uma atriz pornô que interpretou uma vadia
Tem buc**** pra dar e vender
Estola ,belê ,leva uma vida de princê ,pensando o que?
Há nem sabe o que é sofrer de cherokee
Tem até jet-sky ,dinheiro é mato é so fingir
Hum !!!ai da Kelly Key se fosse feia
Hé eu vi seu pôster nu até seu c* no boi de uma cadeia
A mesma chance não teria
Cá ente nós com aquela voz e o corpo cheio de estria
O adultério é um monstro que destrói o casamento
Se não acaba fica magoa ferida por dentro ,eu só lamento
O amor não e pra covarde quem sente
Enquanto ele existir é fiel até na mente
Não deixe a confiança acabar,acabar,acabar

Muita mulher ,na TV você ve,voce quer
Mais na hora de ver qual que é ?
Mais o que mais te dói olhar com zói .

Cerca de 200 mil usuários da Internet são viciados em sites erótico

Compulsivos por sexo virtual
Uma epidemia sobre a qual ninguém fala
Contamina a alma é imoral
Afeta e muito o estado emocional
Provoca crise conjugal
Separação , traição na vida real
Lindas de ver de fazer muitos homens enlouquecer
Atras não e preciso correr elas vem ate você
Acesse o cardápio do dia
Ninfetas ,hum,bate punh**** vicia
Purifique seu pensamento dessa fome
Pornografia é antiamor uma carne podre que tantos consome

Toda aquela porra ,sexo sem limite ,Sodoma e gomorra
Espelho ,espelho meu ,existe alguém mais bela do que eu?

Fazer uma lipo ,botox ,por silicone
Usar Helena ,Rubstai ,Boticário ,Lancome
Eu seria bem mais feliz ,sem flacidez e um abdome firme ,sem cicatriz
Arrumar os dentes ,sorrir sem regime
Curtir uma praia usar um biquíni
Não tem comparação sangue bom as dançarinas do Gugu
É com essas que mal tem dinheiro pro xampu
Ate na cor toda modelo na pratica faz
Bronzeamento ,tratamentos corporais
Objetos de sedução da televisão
Com tempo cai no esquecimento , se vão
A promiscuidade não , não

2X Muita mulher ,na TV você ve,voce quer
Mais na hora de ver qual que é ?
Mais o que mais te dói olhar com zói .

Era um corpo nuuuuu...queimado de sol hehey



22.3.10

Odeio pegar busão.. vou de táxi querida.

Ai sabe, é tipo assim, eu até posso pegar ônibus, mas tem que ter ar condicionado, sem tarado te encoxando. Ontem fui com minhas amigas, naquele parque lindo, que dá bastante garoto lindo também. Só não suporto aquele velhos, jogando migalhas pros patos na beira do rio. Não suporto também aquele tipinho de gente que vai lá, que leva uma penca de filho pra passear, sei lá, essa gente deve vir dos extremos, das favelas, ah, sei lá. Falando nisso, essa maldita franjinha que fiz hoje, tá me encomodando, ai meu, fala sério. Falando em franjinha quando será que o Green Day vem pro Brasil de novo? Eu amo aqueles lindos, se bem que a franjinha do vocalista é a maior do que a do baixista, mas amo todos eles, eu daria a vida pra ficar com eles, se daria. O que não gostei ontem no parque foi aquela vadia, sim aquela vadia, que acha que é minha melhor amiga, falar que pegou o Miltinho na escola, mentirosa sem vergonha. Qualquer hora a máscara dela cai, aquela desgraçada, enquanto isso eu vou ficando, com os meninos que ela jamais vai ficar. Nossa! quem diria, o Rô fumando, não acredito?! É impossível isso meu, inacreditável sei lá.

Paty vai até a cozinha, e volta com uma taça de sorvete light na mão.

Ai voltei, que merda, a mamãe não comprou do sabor que eu gosto. Toda vez é isso, a mamãe sempre escolhe os sabores que o Hugo quer. Esse menino nunca vai sair das fraldas mesmo, só vive com esses colegas dele vagabundo. Falando nisso, ele anda estranho de um mês pra cá. Pede dinheiro toda hora pra mamãe, ligou ontem pro papai, que está em Nova York, só pra pedir um depósito. Sim, ele anda bem estranho. Só que mamãe é sonsa, não percebe nada, e eu também, to pouco me lixando pra esse moleque.
Ai não vou atender, é o Alan me ligando de novo, já falei que não quero ficar com ele, que insistência, que amolação. Na verdade quero ficar com o colega dele, que gato, uau!

Paty vai até o computador, ninguém está on line em sua lista de contatos.

Gente, o que aconteceu com minhas amigas, sumiram essas sirigaitas. Vou ligar pro Alan, quem sabe esse mané não sabe de algo legal, pra fazer hoje. Ai que dia é hoje heim, mamãe não me deu minha mesada ainda saco. Vou cobrar ela hoje, eu sei que se eu ligar pro celular dela, ela não atende mesmo. Tá vendo, caixa postal, ai saco, saco e saco! A sim, uma mensagem do Alan, deixa eu ler:

" Eu sei que você é metidinha e esnobe. Mas comigo não cola não. Só pedi a merda do seu telefone, por quê pensei que queria ficar comigo. Já que não quer, e está fazendo cú doce pra atender, então vai a merda, quero que você se foda. Até mais."

Paty coloca o edredom sobre sua cabeça, e começa a chorar desesperadamente.

Ai meu Deus, o que eu fiz, estraguei tudo. E agora, vou ficar queimada com os outros meninos do colégio. Bom pensando bem acho que não, é só colocar um decote mais atraente que eles nem ligam. Homem é que nem lata, uma chuta a outra cata. Falando nisso o Alan até que não era de se jogar fora, e agora.

- Alô Alan?
- Fala.
- Se magou comigo?
- Não, to acostumado com minas metidinhas que nem você.
- Desculpe, de verdade.
- Te desculpo sim, que tal me ver às 10 na sua rua, hoje à noite.
- Não posso, mamãe não deixa.
- Então deixa queto...
- Tudo bem vou ver o que posso fazer.
- Certo te espero lá heim.
- Tá bom, tchau gatinho.

Ai tá vendo, homem é tudo igual. Agora deixa eu me arrumar, que daqui a pouco tenho o curso Inglês pra ir. Ai que coisa, hoje vou devorar esse tal de Alan. Ah se vou.

Renato Vital é escritor.

18.3.10

Corpo espinho

Tevez abre os olhos.
Está na Enfermaria do hospital. Não se lembra de nada, a última coisa que se lembra, é que saiu pra ir a casa de Ditinho, e viu um caminhão desgovernado vindo em sua direção. Tevez fica encabulado com a presença de uma pessoa na sala. Os demais pacientes dormem, só essa pessoa e Tevez estão acordados. Tevez pergunta:



- Doutor é você?

A pessoa se vira para ele, caminha em sua direção e senta na ponta de seu leito. A pessoa não para de observar pra ele. Tevez pergunta:



- E então doutor, o que aconteceu, como é que eu vim parar aqui, o que houve, quanto tempo faz que eu estou acordado?

- Calma Rafael, se acalma. -a pessoa responde.

- Mas como assim calma, que calma, estou aqui todo enfaixado, todo quebrado e me pede calma?



Só Então Tevez percebe que a pessoa não tem crachá nem nada, e está descalça, usa uma roupa de um pano reluzente branco e não para de sorrir para Rafael um só instante.



- Perai, você não é o doutor porra nenhuma, tá descalço e usando uma roupa esquisita, da onde é você carai?

- Rafael, tu sempre foi esse menino invocado, esse menino metido a bravo e mal, mas eu sei que é apenas uma máscara, e acho que chegou a hora de ela cair.

- Que cair o quê. Você é que tem que cair fora, se não eu grito a infermeira. Falando nisso como sabe meu nome?

- Olhe pra você mesmo Rafael, é apenas um menino, não irá chamar infermeira alguma, até mesmo por quê não pode abrir a boca.



Rafael ameaça rir, das coisas que a pessoa está falando, mas é interrompido:

- Rafael tente mover a perna por favor? - diz a pessoa misteriosa.

Rafael tenta de todas as formas mover as pernas mas não consegue, tenta gritar, mas a voz sai sem força, só ai toma um choque, ao perceber que está enxergando seu próprio corpo.


- Que porra é essa, como eu posso tá enxergando a mim mesmo , eu morri?
- Não você está em coma à três semanas, sua família já te considera praticamente morto, sua namorada está andando com outro homem, àlias ela nem acha mais que é sua namorada. Seu primo Ditinho é o único que acredita na sua sobrevivência, pra ter uma idéia, sua mãe já está juntando uns trocados pra fazer seu enterro e velório.

Tevez responde aos prantos:

- Cala a sua boca, maldita alma do inferno, você não sabe nada da minha vida, some daqui maldita, quero que vá pro inferno, isso é apenas um sonho, vou acordar e ter minha vida de novo.
- Não você não irá abrir os olhos agora, ela espera por você, mas ainda não chegou o momento.
- Ela quem, ela quem?
- Alguém te acordará com uma bíblia na mão, mas não se desesperes pra saber quem é, você já a conhece. Sua vida vai mudar, mas isso só depende de você Rafael.
- Vai o caralho, isso aqui não é novela não, eu vivo na periferia, onde o bicho pegar, quem poder mais chora menos, você não entende essas fitas, é só uma alma penada, que anda por ai atormentando os outros. Devia ter ido naquela fita, agora estaria rico, estaria cheio da grana, seria o rei na quebrada.

Uma outra pessoa, interrompe a conversa, essa pessoa está insangüentada, dois furos na altura do peito, e outro na perna, ela se aproxima da pessoa desconhecida que conversa com Tevez:

- Por favor, é por aqui o caminho da luz?
- Não, mas posso te indicar onde é. - responde a pessoa desconhecida.
- Minha mãe, como vai ficar minha mãe agora!
- Calma apenas siga o caminho da luz.

Tevez entra em choque novamente, aquele era o neguinho que tinha lhe chamado no portão no dia do assalto ao banco. A pessoa desconhecida volta pra sala:

- Ele era bondoso com sua família, na certa terá um bom lugar na luz.
- Eu conheço esse rapaz, não é possível, ele é meu truta, ele morreu, não pode ser. - diz Tevez.

Tevez chora novamente.

- Calma Rafael, era a hora dele, a sua ainda não chegou, e pode até uma avalanche cair sobre a sua cabeça, que tu não irá embora ainda, tens uma missão na terra.
- Mentira, eu estou morto também, se eu sobesse teria me arriscado no assalto.
- Eu te livrei do assalto, se não agora estaria morto, ou na cadeia junto dos seus parceiros do crime.
- Então você era aquela voz, aquela voz me chamando dentro de mim?
- Sim Rafael, agora deixa eu voltar pra minha morada.
- Mas onde, onde tu moras?
- Rafael, eu gosto de ir em muitos lugares onde haja paz, mas minha morada é o seu coração, por isso te conheço, te conheço mais que você mesmo. Feche os olhos querido Rafael, você viverá!

Rafael fecha lentamente os olhos de sua alma, e volta a dormir, no estado de coma.
A pessoa desconhecida, o observa ainda mais um tempo.

Na manhã seguinte:

Ditinho entra na sala onde Tevez está internado. Deixa uma flor ao lado de Tevez, e diz baixinho no ouvido dele:

- Força parceiro, irá sobreviver, tenho fé em Deus.
A mão de Tevez aperta lentamente as mãos de Ditinho, nisso ele corre chamar o médico.

- È sério doutor, ele tocou minha mão, ele tocou e a apertou.
- Acho que o senhor teve apenas uma impressão, olha como ele dorme profundamente, deixa eu examinar ele.... é realmente ele ainda dorme, foi apenas uma impressão do senhor.

O médico se retira da sala, e Ditinho observa Tevez. Uma lágrima escorre de seus olhos. Ditinho vai até o ouvido de Tevez e diz:

- Eu sabia amigo, eu sabia que não me abandonaria agora, até logo amigo!

Ditinho deixa uma rosa, ao lado do corpo de Tevez, e se retira da sala.

Renato Vital é escritor



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