28.2.10

Tevez: o bagulho é o seguinte...

Bom! Na linguagem da malandragem, não tem nem assim, nem assado. È papo reto, por que segundo eles, papo de homem não faz curva. Tevez sabia disso, e enquanto manipulava sua 765, pensava no assalto que fariam semana que vem. Porra ia ser muito dinheiro, daria pra comprar uma hornet, uma goma da hora na favela, e quem sabe realizar seu sonho: casar-se com Daiane.
Daiane era o tipo de mulher desinteressada. Toda vez que ele chegava na casa dela, estava deitada no sofá assistindo aqueles programas da tarde, que sempre falavam de fofocas inúteis de pseudos-artistas. Ele namora com ela, desde que terminou com sua ex-namorada, uma vagabunda sem escrúpulos, que sempre tentava o apunhalar pelas costas. Iam completar um ano e meio de namoro no próximo mês, ele estava tentando continuar com ela, pois sonhava se casar com ela. Uma dia Ditinho zoou com ele:

- Eai vagabundo, que deu em você, casar!? - Você está louco, nunca foi disso.
- Que nada mano, vagabundo também ama, tá ligado.
- E quem disse que se ama essa mina?
- Num sei mano, to tentando descobrir.

Tevez ouve alguém lhe chamar no portão de sua casa, Olha por uma fresta em sua porta, só ai abre a porta.

- Eai mano, é amanhã a fita, o patrão perguntou se tá tudo em cima da sua parte?
- Com certeza, pode pá que é o seguinte mano, vai dar tudo certinho parceiro.
- Olha lá heim mano, malandro que é malandro não dá pra trás não ei tio.
- To ligado, pode ficar de boa.
- Firmeza, agora dá licença ai certo tiozão, tenho que resolver umas fitas ali embaixo.
- Suave irmão, vai nessa.
- Certo.

Tevez fecha a porta; vai até a geladeira; um vazio imenso; fecha a geladeira pega sua carteira, e vai até a padaria, comprar pão, leite e umas cerveja pra acalmar cerveja.
Caminhando pela calçada escuta uma gritaria ali perto, não era nem seis horas e já tinha começado. Agora isso acontecia três vezes ao dia e nunca falhava.
A igreja Benção da quebrada estava lotada, os negócios estavam prósperos para o pastor Seu Dízimo. Abrira a igreja não faziam nem seis meses, e como era insistente, os fiéis aumentavam cada dia mais. Seu dízimo gritava no culto: - Irmãos, o inimigo atenta, sejam fortes, leiam a bíblia, verão que a igreja proverá. E após as palavras de Seu dízimo a euforia do povo era tremenda: Ohhhh Glória!!! Aleluia irmão!!! Tá amarrado o inimigo!!!! Misericórdia!!!!!
Toda essas coisa passariam batido pra Tevez, se não fosse uma coisa que marcaria sua vida pra sempre. Vinha caminhando pela calçada, e não viu uma moça que vinha do sentido oposto, os dois se esbarraram, tropeçaram e cairam no chão:

- Olha pra onde anda caralho!
- Olha você ignorante imbecil!

Quando Tevez a encarou, ficou pálido, nunca tinha vista uma mulher tão linda em sua vida. Pediu lhe desculpas, e na seqüencia tentou balbuciar algumas palavras, mas elas não saiam.

- Tudo bem moço, está desculpado.

A moça saiu caminhando, e entrou na igreja, antes, olhou pra trás e sorriu para Tevez, um sorriso sem malícia, do tipo que te faz simpatizar na hora.

Tevez aquela noite, que antecedia o assalto não dormiu, por causa do assalto, e por causa do encontro que teve com aquela moça.

Renato Vital é escritor.

2 comentários:

Jéssica Balbino disse...

ta legal, Vital ! (rimou...rsrs*)
passa no meu blog e lê meus contos do ônibus tbm
bjo

moyses cria da rua...no planeta das tretas .. disse...

sumemu neggo cada dia q passa mais zika sintonia monstruosa siempre... como diz o gog o amor vence a guerra