4.2.10

Recepção

Ela lhe estende a mão e com um ar afável, lhe diz: Bom dia senhor Benedito.
Prazer senhora, se caso quiser abreviar, pode me chamar apenas de Dito.

Dito dá um sorriso de canto de boca, observa as cochas bem torneadas de Dona Simone, sua nova patroa. Jamais imaginaria que iria voltar para o local do crime, onde ele e seu primo, fizeram o pavor de dona Simone e seus puxa-sacos. Até que observando bem sua nova patroa, se arrependia um pouco... se arrependia de não ter consigo tirar muito mais dinheiro, daquela vadia egoísta.

Férias com os filhinhos em Búzios ou os filhinhos vão para um acampamento cheio de filhinhos de mamãe mimados e cheirando a danone e leite ninho. Seu marido um basbaque otário, que bancava pra ela os mais diversos cremes e perfumes importados. Seus filhos os considerados jovens padrão da sociedade, se for pego fumando maconha é coisa da idade. Pena que o tratamento pra favelado não é o mesmo.

- Vai vagabundo coloca a mão na cabeça!
- Calma senhor, esse rapaz ai do lado é meu primo, a gente já tava indo pra casa.
- È o que a gente vai ver já já. E essa porra aqui no bolso do seu priminho?
- A gente tá de boa senhor.

Ditinho naquela noite estava limpo, não tinha drogas e nem cerveja estava bebendo, pena que o mesmo não acontecia com seu primo, que estava bebendo uma "breja" e guardando um cigarro de maconha em seu bolso, pra fazer a cabeça mais tarde. Dito não sabe se foi milagre, ou obra de Deus, mas graças a uma ocorrência mais importante, os policiais, os liberaram, prometendo porradas e pontapés no próximo enquadro, caso se trombassem por ai.

- Benedito acorda, tá sonhando acordado é!

Ditinho foi acordado por Patrícia, secretária de dona Simone, que lhe entregou alguns documentos e algum dinheiro. Os documentos ele teria que atravessar a cidade pra entregar, o dinheiro seria fácil, depositaria no banco ali pertinho, e sobraria tempo pra fazer um lanche no bar. Patricia não era menos bonita que dona Simone, e Ditinho a observava também.

Algumas horas depois...

Ditinho chega em casa, logo após um dia complicado de trampo, muita chuva em São Paulo, sua moto estava praticamente toda enlameada, e ele não estava em melhor estado. Tomou um banho, pensou em dona Simone, pensou em Patricia, pensou em seus novos colegas de trabalho, foi até sua gaveta, mexeu em algo, e achou a grana que ainda sobrava do assunto que praticou naquela mesma empresa, mil e duzentos reais. Ditinho dá um suspiro, pega o celular, e telefona pra sua namorada, que já estava a caminho de sua casa. Ditinho deita no sofá, liga o rádio, e descansa pra um novo dia de trabalho. Ditinho adormece e só acorda com sua namorada o beijando. O resto da noite passa junto dela, contando as novidades em sua vida.


Renato Vital é escritor







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3 comentários:

moyses cria da rua...no planeta das tretas .. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
moyses cria da rua...no planeta das tretas .. disse...

SALVE SALVE !!
SER PISTA DE UM LIVRO?
OIA Q FMZ Y
SINTONIA MONSTRUOSA COMO SEMPRE PAZ....

Jéssica Balbino disse...

salve, salve, salve !
os contos do Ditinho estão virando livro =) e muito bom por sinal !
Vital, fico tão feliz cada vez que visito seu blog !
vc evoluiu tanto como escritor que dá gosto de ver !
Parabéns, de coração...e quando sair o livro mano, manda um especial para minha quebrada aqui !
bjoooo