13.3.10

Dinheiro, droga e fada madrinha

Hugo boy observa dentro do quarto. Sua mãe está dentro do quarto, dormindo, seu pai ainda não chegou, na certa está em algum bordel de luxo. Sua irmã foi pra balada com as amigas, e deve voltar lá pelas quatro da manhã. Hugo sente uma felicidade imensa. Retira a cápsula de dentro do bolso, joga em cima da cama, estica a carreirinha, e começa a inspirar. Mas que merda de vida era aquela, tanta gente na rua se divertindo, tanta gente nas baladas dançando, tanta gente conhecendo tanta gente, e ele, sozinho, só ele e seu pó.

Qual é o pó?
Aquele que a fada madrinha joga em volta dela, e faz com que façamos um pedido.
Qual é o pó?
Não é aquele que tiramos da cômoda suja, ou da televisão ou do que quer que seja.
Qual a razão?
Não existe razão.

Mas mesmo assim ele chama pela sua fada madrinha, e ela aparece. Se parece muito com a gostosa que viu na propoganda de cerveja da televisão.

- Olá Hugo, sou sua fada madrinha, o que deseja?
- Desejo uma família e uma vida nova.
- Isso não podes pedir pra mim garotão.
- Que tal uma chupada então, to doido de tesão por você.
- Isso também não, não sou sua prostituta, sou apenas sua fada madrinha. Todo filho de rico tem fada madrinha, esqueceu?
- Esqueci. Fodasse sua vadia, tira essa roupa.
- Hugo, calma lá, eu vim de tão longe, pra te conceder alguns pedidos, e me recebes assim.
- Essa tua cara de vadia nojenta não me engana, é a mesma cara de santinha, que as vadias lá da escola faz. Tá pensando o quê, eu quero droga! Tem droga pra nós, eu quero droga, pra mim e pros meus parceiros.
- Que parceiros Hugo, você está sozinho, só você e esse apartamento. Sua mãe te dá mesadas e seu pai sempre te dá dinheiro, por quê me pedis isso.
- Eu queria ver esses peitos grandes que você tem, mas já que você tá se fazendo de díficil, eu quero droga pra mim e pros meus parceiros, não está vendo eles sua piranha?
- Não tem ninguém aqui Hugo, só eu e você.
- Eu quero cocaína, pode me arrumar?
- Não Hugo, isso não posso te arrumar.
- Então some daqui sua vaca.

Dona Simone acorda com os gritos de Hugo, se assusta, sua casa estaria sendo assaltada? Ela grita por Hugo:

- Hugo você está bem?

Hugo não responde, entra no banheiro e fecha a porta, fica furioso, pois estava prestes a levar pra cama sua fada madrinha. Fica furioso, era tudo ilusão afinal.

- HUgo, filho, tá tudo bem ai?

Silêncio....

- Hugo tá tudo bem ai dentro?
- Não.
- Como assim não meu filho, algum problema?
- Preciso de dinheiro.
- Meu filho te arrumei cem reais, não faz nem três dias, o que está havendo?
- Preciso de dinheiro, pode me arrumar? Se não poder arrumo com o papai.
- Calma filho, só preciso saber pra que tanto dinheiro assim, isso não tá me cheirando bem.
- Vai arrumar o dinheiro?
- Vou, perai vou pegar minha bolsa.

Dona Simone fica desconfiada, mas imagina ser alguma gatinha, que Hugo esteja ficando por ai, talvez tanto dinheiro seja pra sustenar o relacionamento, afinal, as meninas de hoje em dia estão cada vez mais gananciosas.

- Tá aqui meu filho, algo mais?
- Não mãe, pode ir embora agora.
- Tudo bem, vou deixar o dinheiro em cima da escrivaninha viu, tchau.
- Tchau mãe.

Hugo sai do banheiro, pega o dinheiro em cima da escrivaninha, e sem falar nada sai pra rua. Sua mãe do quarto nem percebe, está discando no celular o número do seu funcionário exemplar: Ditinho. Hugo caminha pelas ruas, com destino certo. Agora tem dinheiro, pra o que tanto quer.

Renato Vital é escritor.

Um comentário:

moyses cria da rua... disse...

sumemu nego... to furtandu tds antes de sair em algun livro hehehe
paz mano muitu bom litera-rua nego....