29.1.10

Boa Aparência

Com o seu caminhar deixava os empregados daquela empresa de boca aberta. Poucos se atreviam a convida-lá pra sair. Motivo? Rango do chefe, diziam eles. Muitas vezes fora vista entrando no carro do patrão, e é claro, ele saindo em disparada, pra mostrar que o motor de seu carro tem potência ( ou que a única coisa potente é o motor do carro). Naquela noite ela virou a esquina, e parou em frente a padaria, era o ponto combinado, o patrão passou e parou o carro, ela entrou.

- E então está tudo ai?
- Sim como o senhor mandou.
- E a sua parte já reservou?
- Sim claro! - falou com um sorriso sarcástico entre os dentes.

Quando dobraram a esquina, pra surpresa dos dois, um carro da polícia federal os esperava, em frente à empresa que trabalhavam. Quando os dois colocaram o pé pra fora do carro, os policiais apontaram as armas pros dois, e de dentro do carro, saiu Joel, um dos maiores acionistas da empresa.

- A casa caiu Abel, venho te seguindo à dias, não é por acaso que venho tomando prejuízo à meses.

Alice se fazendo de desententida, se esgueirou por entre eles, só que um dos policias, lhe colocou a mão:

- Desculpe moça, aguarde um pouco, vamos ter que fazer uma averiguação.

Veio no pensamento de Alice, as lembranças das noites em que saia e esbanjava dinheiro com suas amigas. Shopping center todo final de semana, choppperia, churrascaria, baladas, praias, piscinas, tudo ia se esvaindo de seus pensamentos, conforme os policiais iam descobrindo dinheiro nas malas que vinham no banco de trás do carro de seu patrão. Sua mãe com certeza se envergonharia, e agora sim, saberia da onde vinha tantos mimos e agrados que recebia. Mal sua mãe sabia, o que acontecia na tesouraria daquela empresa, e nem se quer imaginava que sua filha tramava trapaças, junto de seu patrão Abel. Mas agora tudo era muito impreciso, a cabeça de Alice rodava, e nada mais lhe importava, nem mesmo as algemas que prendiam suas mãos. Os empregados daquela empresa agora sabiam, de certo, o que se passava por ali, e que apesar do rostinho bonito de Alice, nada era o que parecia ser.
Conforme a viatura da PF fora se afastando, os curiosos foram se disperçando, e voltando as suas vidas normais. E Alice? fora presa, seu patrão passou apenas algumas horas na delegacia, tinha poder e dinheiro e no Brasil isso é tudo.
Dois meses depois, Abel soltou Alice da prisão, Abel temia acusações perante os tribunais. Abel voltou a trabalhar em outra empresa, e conseguiu outra parceira pra suas tramóias.

Renato Vital é escritor.

2 comentários:

Jéssica Balbino disse...

legal o conto, mas é bem lugar comum ! acontece todo dia, toda hora !

moyses cria da rua...no planeta das tretas .. disse...

mais umas vez se quebro td mano sumemu rapa...
em breve o som de vcs pra tds conferia la nu blog paz....