6.1.10

Ditinho

Primeiro conto de 2010 ( faltam dois anos pro mundo acabar segundo o calendário dos Maias, portanto corram....), lhes apresento....

Ditinho

Ditinho acordou cedo, olhou pela fresta de seu barraco, aquela hora nem galo estava acordado, mas Ditinho já estava de pé. Pegou sua 765 escondida numa sacola dentro da caixa´d água, e saiu pro encontro, desta vez a madame não escaparia.
Dona Simone acordou cedo, aquela reunião chata com os acionistas da empresa não podia esperar, e o pior era que seu marido, a tinha deixado sem carro, pois o seu estava na oficina, e ele saiu com o dele. Dona Simone ao se deparar com esse enorme problema, se lembra da época da militância, à dois anos atrás, quando participou do movimento Cansei promovido pela Hebe Camargo e alguns artistas globais. Um grande absurdo ela ter que enfrentar essa cidade, num táxi com ar condicionado, que poderia fazer mal pra sua saúde, e nesse trânsito engarrafado e cheio de "pretinhos" querendo roubar mulheres decentes como ela.
Ditinho travou a 765, colocou na cintura, e saiu a pé, na esquina de casa, seu primo apelidado de Tevez, pois se parecia muito com o ex jogador do Corinthians, o esperava nervoso.

- Porra Ditinho isso são horas carai?
- Calma aê Tevez, já deu uns dois logo cedo é?
- Olha a hora mano, to aqui faz vinte minutos já.

Uma viatura passou do lado dos dois, em outras ocasiões o enquadro aquela hora da manhã seria certo, dessa vez não, pois os policiais estavam a caminho da padaria, onde faziam guarda e ganhavam lanche de graça todos os dias.

Dona Simone entrou no táxi, entregou o endereço na mão do motorista, e sem dizer mais nenhuma palavra, pediu para partirem.
Ditinho e Tevez partiram pra ação, cada um armado de sua 765, já sabiam todo o plano de cór, já estudavam aquela empresa à dois meses, e aquela mulher de óculos escuros e tayer preto, dava muitas pistas de como deveriam agir. Sabiam que ela sempre estacionava seu carro em frente ao Edíficio, tomava um café na lanchonete e entrava para o trabalho. De vez em quando o seu marido a levava pro serviço, mas isso só de vez em quando.
Dona Simone desembarca de seu Táxi, Ditinho e Tevez colocam a mão na cintura, era a hora de agir, descem da moto, caminham como dois pedestres comum, e quando Dona Simone sai da Lanchonete, Ditinho e pega pelo braço e no seu ouvido diz baixinho:

- Isso é um assalto, continua caminhando em direção ao prédio como se nada tivesse acontecido.

Os dois passam pelo porteiro e a recepção, como Dona Simone já tinha o cartão para liberar a entrada, liberou a entrada de Ditinho e Tevez, e como os dois estavam bem vestidos, a recepcionista não desconfiou de nada.
Chegando na sala, alguns empresários sentados na mesa, uns dez em média, e um deles infeliz, soltou essa:

- Bom dia Dona Simone, contratou guarda costas agora?

Ditinho olhou dentro dos olhos do Infeliz piadista, sacou a arma e disse:

- Bom pra começar eu faço a segurança do dinheiro, todo mundo deitado no chão, se abrir o bico eu abro a cabeça de vocês à bala.

Dona Simone não aguentou e desmaiou, junto dela um outro empresário medroso também desmaiou de medo, os outros foram encaminhados por Tevez pra um Banheiro, antes deixaram as pastas em cima da mesa. Ditinho pegou tudo o que conseguiu: Celulares, Carteiras, Lep Tops, e o que mais teve direito, reanimou Dona Simone e disse: Agora faremos o caminho de volta, da mesma forma, que fizemos o de entrada.
Já lá fora, deram uma coronhada na cabeça de Dona Simone, que voltou a demaiar, subiram em cima da moto e partiram.
Passou por eles uma viatura policial, que causou enorme apreensão, mas eles continuarão rumo à quebrada.
Dona Simone, quando acordou, estava em uma das salas de sua empresa, sendo reanimada por suas funcionárias que só perceberam a ação após os gritos dos empresários dentro do banheiro.
Ditinho e Tevez chegam na quebrada, teriam que passar dois meses sem agir, pra não levantarem suspeitas, e pra que Tevez não tivesse que voltar pra cadeia, aonde passou cinco anos de sua vida, entre torturas, rango azedo, fome, tretas e a amargura da falta de liberdade.
Ditinho chegou em seu barraco, não acreditou que tudo tinha dado certo, desde que aquela pizzaria fechou jamais tinha encontrado emprego, e depois que Anita o pressionou pra que achasse emprego, resolveu fazer essa fita.
Dona Simone, tentava, mas não conseguia explicar todo o ocorrido pro delegado, suas mãos ainda tremiam, e jurou que mataria o marido, por ter deixado ela ir sozinha pro trabalho aquele dia. Seus filhos a consolavam, enquanto ela se lembrava de todos os meninos que ela negou esmola nos sinais, lembrou de matérias de crimes na televisão, e agora ela é quem era a vítima, só não conseguiu entender aonde foi parar suas doações para o criança esperança.

Ditinho jurou pra sea pai um dia, que nunca faria besteiras na vida, a dificuldade o havia levado a isso, uma semana antes tinha tentado uma vaga numa dessas agências de emprego no centro de São Paulo sem sucesso, seu primo que já era das correria,s o convidou pra fita e ele aceitou o trabalho.

Uma semana depois...

Dona Simone, é esse o currículo que lhe falei... bem a senhora já se recuperou daquele susto não é mesmo?
- Sim vânia, já passou da hora de contratar um novo moto boy pra esse setor, já que gostou de suas qualidades, diga qual o nome do Rapaz....
- È Benedito Alvez da Silva.

Renato Vital é escritor poeta e colunista do site Rap Nacional http://www.rapnacional.com.br/

4 comentários:

moyses cria da rua...no planeta das tretas .. disse...

loko ey mano loko..qualidade total .....

Jéssica Balbino disse...

Oii querido ! Muito bacana seu texto. Depois eu faço algumas observações, mas no geral está muito bem Vc está melhor a cada dia e eu fico muito orgulhosa disso, viu?!
bjão

Suburbano Convicto disse...

Salve Renato, feliz 2010.
Texto bacana, bem articulado.
Como disse a Jéssica, vc está melhor a cada dia.
Ta ligado que meu blog mudou, né ?
www.buzo10.blogspot.com

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Alessandro Buzo

Anônimo disse...

#MuitoooooBom #GoostiiiPakas