9.11.09

Sonho Revolucionário

Sonho revolucionário por Renato Vital

Os agente do Dops estavam a cerca de um mês investigando minha casa, segundo vizinhos, alguns livros com conteúdo terrorista, eram vistos comigo de vez em quando.
Aquele dia sai desavisado pra caminhar, quando vi a polícia dando geral em alguns rapazes no bar da esquina, meu sexto sentido me avisou: corra pra casa depressa. Me escondi debaixo da cama, fiquei atento a conversa lá fora, chamaram minha mãe, e começou o interrogatório. Eu catei alguns pertences, e corri pra varanda de casa, subi num muro não tão alto, e comecei a caminhar sobre ele, me lembrei dos trapezistas, agora era eu um deles, mas não um trapezista qualquer, mas sim, um que se equilibra entre o sonho da justiça entre os povos e a falta de distribuição de renda a grande verdade brasileira. Não me lembro bem quando foi que começou essa repressão, só sei que alguns jovens da periferia estavam em ascensão, e dali em diante coisas estranhas começaram a acontecer no país.
Jovens eram levados pra interrogatórios, e alguns eram presos, segundo a polícia, o motivo era o terrorismo, mas que terroristo?
Despertei de meus pensamentos, quando uma mulher ( zé povinho), gritou que eu estava no telhado de sua casa, ai corri, desci o muro, e fui até o final da rua, peguei a primeira lotação que apareceu, o cobrador desconfiou um pouco, mas não disse, e eu achando que tinha despistado a polícia...
Alguns metros em diante, havia um cerco policial, e eu como queria a qualquer custo me desvencilhar deles, desci do ônibus e corri por uma rua paralela da qual estava, até achar um ponto de ônibus, que me levaria pro centro da cidade.
Em alguns contatos telefônicos, soube por colegas, que já haviam encontrado meus escritos, e que agora eu era um dos alvos do Dops ( departamento de opressão das polícias). Pensei em pegar um ônibus clandestino para o interior, e de lá atravessar clandestinamente a fronteira pra Argentina, pra ficar uns tempos exilado. Alguém liga pro meu celular, e avisa que o Robson também estava sendo perseguido, e que todos os envolvidos na literatura marginal também. Pensei em meus amigos, quando ouvi gritos de um policial que me reconheceu nas ruas, corri e me escondi embaixo de um carro, depois, andei por ruas do centro de São Paulo, a procura de abrigo, a Ação Educativa estava em constante vigilância, lá seria muito arriscado, sentei numa calçada fiquei pensando que caminho tomar, quando minha mulher gritou por mim, abri os olhos, e ela estava deitada ao meu lado, avisando que iria no médico e que voltava logo. Levantei, percebi que era tudo sonho, e avistei meu livro o batismo de sangue do Frei Betto, e fiz um instante de silêncio, em memória das pessoas que morreram sendo perseguidas e torturadas pelo regime militar na época da ditadura.

Esse texto é em homenagem À Carlos Lamarca, Carlos Marighela, Frei Betto, aos heróis vitoriosos que lutaram contra a ditadura e pela justiça entre os povos, aos dominicanos que ajudaram as pessoas perseguidas pela ditadura, aos livros escritos com sabor de sangue que falam da época da ditadura no Brasil, ao parceiros do Hip Hop e da literatura marginal, e a Cooperifa minha segunda casa, na qual estou ausente mas logo mais estarei presente, falando poesias com vocês. Obrigado.

3 comentários:

conteudo da rua disse...

chapow mano issumemu
.....ficol loco ....salve lamarca a tds ...paz..........
meus herois não morreram de overdose ...e ainda hj são perseguidos .......

Jéssica Balbino disse...

saudade de vc ! muito bom seu texto !
se cuidaaaa

De Lourdes disse...

Sua escrita melhora a cada postagem!
Muito bom!
Bjs!