- E ai o que acha da minha oferta, vai ter todo esse corpinho, todos os anos de sua vida, eu sou novinha ainda, tenho apenas 21 aninhos, vai poder me desfrutar por muitos anos Osvaldo.
- É, minha mulher, minha mulher não é mais a mesma, mas ainda funciona né.
- Sim Osvaldo, e agora que ganhou na loteria, não tem por quê ficar com ela, me leva contigo pra Búzios, ou sei lá, que lugar a gente vai?
- Não sei, to em dúvida, e minha família?
- Ah, você manda dinheiro pra eles, você tem de sobra agora que é rico.
- Fala baixo, quer que todo mundo saiba, e me mate pra eu não desfrutar da grana.
- Desculpe Osvaldinho. Osvaldinho me leva contigo!
- Tenho que pensar minha flor.
- Vou te mostrar um negócio, vem cá no cantinho do bar...
- To indo...
- Gostou, comprei hoje, só pra você.
- Nossa que lingerie deliciosa, adoro fio dental.
Osvaldo vai com a Berlinda pro quarto, acende a luz, tira a roupa. Ela também fica nua, Osvaldo cai babando em cima dela. Berlinda é maliciosa, se esquiva, chantageia, catimba, joga o verde pra colher o maduro, fica na espreita.
- Calma Osvaldinho, promete que me leva contigo, ainda hoje?
- Prometo, prometo, vamos com isso agora.
- Claro gatinho.
O quarto começa a pegar fogo, Osvaldo apesar da idade, ainda aguenta o tranco. Osvaldo se lambuza com a melhor prostituta do cabaré, Osvaldo está feliz.
- Seu pai está demorando né?
- Sim mãe já já ele chega.
- Não vejo a hora de me mandar dessa favela, detesto esse lugar, só vou sentir saudades da igreja que eu sempre frequentei.
- Eu daqui, não vou sentir saudades de nada, não vejo a hora de partir.
- Pois é, será que eu devo ligar pro seu pai, ele tá demorando.
- Iii mãe, agora que o papai tá rico, tá toda protetora né.
- Não menino, eu to preocupada é com ele mesmo, como sempre estive.
- Calma cocada, to brincando só, mas eai, e os nossos móveis?
- Acorda menino, isso tudo vou deixar pra minha mãe vir pegar, só quero coisa nova.
- Vai com calma mamãe.
Quarto do Space Night Club...
- Eai Osvaldo, quando se passa pra me pegar.
- Vou em casa, pegar tudo o que conseguir, minhas roupas, algumas só, ai passo pra te pegar.
- È mas, coitada da sua esposa, manda pelo menos a pensão pra ela, se não a coitada pode morrer de desgosto.
- Sim claro, já pensei nisso tudo, minha flor.
- E então vamos morar aonde Osvaldo, quero tudo do mais lindo, do mais refinado, do mais luxuoso, do mais...
- Do mais caro né.
- Sim meu amor, quero tudo o que nunca tive.
- Sim, mas e meu ciúmes como é que fica, ontem mesmo você levou outro pra cama, bem na minha frente.
- Osvaldinho, isso são águas passadas, e outra, é minha profissão, álias, era.
- Sim, me espera as três da madrugada, aqui em frente mesmo, eu passo pra te pegar.
- Só tenho uma dúvida.
- Qual?
- E seu namorado?
- Qual? Aquele bastardo? Já terminei com ele ontem, ficou lá choramingando, me cobrando favores, que ele me ajudou quando cheguei em São Paulo, que me deu abrigo, que me arrumou emprego, apesar de eu não ter ficado nele. Enfim ficou chorando aos meus pés, mas sabe como é né, ele não tem mais nada pra me oferecer.
- Ele tá bem, digo, está tudo bem?
- Está sim, pode deixar.
- Olha toma cuidado viu, tudo bem.
- Osvaldo, vou lá me arrumar tá, vou pedir as contas pra Margarida, e me mandar desse lugar podre.
- Olha que o Alfredo num vai gostar heim.
- Aquele verme, não devo nada pra ele, só por que é PM, fica se achando, só por que anda armado acha que é o tal.
- Certo vou indo então, minha flor.
- Tudo bem, até as três viu.
- Até lá.
Ditinho vem subindo a rua, e cruza com Osvaldo. Eles se cumprimentam, mas não são de se falar muito. Osvaldo chama Ditinho, tem algo a dizer pra ele.
- Fala Osvaldo, anda sumido, nunca mais foi jogar sinuca com a gente.
- Pois é meu bom, tava viciado a colar no Space, sabe como é né, minhas meninas precisa se sustentar, e eu ia lá pra dar algum pra elas.
- Sei como é, puteiro não é muito a minha cara não, mas a tentação é grande mesmo.
- Se é meu caro.
- Osvaldo.
- Fala meu caro.
- Todo mundo anda dizendo, que você enriqueceu, e que vai sumir da quebrada, é verdade?
- É nada meu amigo, to duro como sempre, durinho da silva.
- A, o zé povinho só inventa mesmo né.
- Com certeza.
- E seu primo como anda, tá melhor?
- Tá na mesma, mas tenho fé que vai melhor.
- To torcendo por isso.
- Valeu meu amigo.
- Então Ditinho vou indo nessa, até mais viu.
- Até mais Osvaldo.
Osvaldo caminha em direção de sua casa, dá graças a Deus que vai sair daquele bairro, e outra, vai ter carne nova todos os dias, a sua disposição. A Flor era uma mulher surpreendente, gostava de levar os homens ao delírio. Vai lhe dar tudo do bom e do melhor. Quem sabe um Apê de frente pro mar, seria uma boa pedida.
- E Osvaldo demorou, e então vamos?
- È pai, vamos embora, tem dois dias que você ganhou na loteria, a gente tá dando sopa aqui, vamos embora, rápido.
Osvaldo sente um frio na espinha, algo estranho a invadir sua consciência, aquele famoso peso na consciência. Osvaldo se lembra de quando se casou, sua mulher era virgem, se entregou pra ele, apenas depois do casamento. Ele se lembra que era mulherengo, mas mesmo assim ela gostava dele, o aceitava do jeito que era. Mesmo depois que nasceu seu primeiro filho, mesmo depois que a situação estava caótica em casa, mesmo assim, ela nunca o abandonou. Aquela mulher de saia vermelha, sorriso humilde, e semblante de sofrimento, sempre o apoiava, mesmo quando estava com raiva dele. Osvaldo se lembra de sua filha, que estava na casa de alguma amiga, esperando o papai, passar pra pegar ela, pra ela virar uma princesa, em algum castelo por ai.
Osvaldo se encaminha pra porta, está com uma mochila nas costas, vai abandonar a família. Osvaldo observa sua esposa, lavando sua última louça, seu filho arrumando sua última mala. Ele dá mais um passo, em direção a porta, e quando abre ela, sua filha chega correndo.
- Vamos papai, demorou, vamos embora logo. Não vejo a hora de chegar na nossa nova casa. Que alegria, que emoção, vou ter um quarto só pra mim.
- Tudo bem então, vamos, podem ir entrando no carro.
Osvaldo abre sua carteira, tira uma pequena foto, de uma mulher seminua. Osvaldo rasga a foto, e arremessa no lixo. Uma porta se fecha atrás de Osvaldo, seus filhos o esperam dentro do carro, sua esposa também. Ah, aquele velho Passat, quantas idas a represa com sua família. Legal foi quando desceram pra Praia Grande, se não fosse o guarda-vidas, Osvaldo teria batido as botas, bebeu tanto, que se esqueceu que não é peixe. Osvaldo liga o carro e parte, parte pra outro lugar, pra outro bairro, pra outra realidade, afinal, aquela comunidade pra ele, não tinha jeito. Osvaldo diz consigo mesmo:
- Adeus Vila Gumercinda, até outro dia.
Frente do Space Night Club, três horas da manhã:
- È hoje que eu tiro o pé da lama, aquele pança de chopp vai me levar pra ser rainha. Bem que eu sabia, uma hora meu dia ia chegar. A Flor vai virar um Jardim agora, vou ser bem recebida nos melhores hotéis, e motéis, enfim, em qualquer lugar que for. Será que vou pro Resort que fica em Búzios primeiro, ou é melhor ficar em Foz do iguaçu por alguns dias. Não sei, só sei que na primeira oportunidade, acabo com a raça daquele infeliz do Osvaldo, e me mando com a grana pra bem longe.
Flor era uma prostituta simples, com o corpo bonito, o rosto esbelto, e muitos sonhos na cabeça. Veio pra São Paulo aos 16 anos, pra morar junto com um tio, irmão de sua mãe. Deixou Pernambuco, pra viver um sonho na cidade grande, ser modelo, ou então trabalhar numa grande empresa. A casa de seu tio não era muito grande, mas ela podia dormir na sala, enquando a esposa de seu tio, ele, e seus dois filhos dormiam no quarto. Certo dia, notou um olhar estranho em seu tio, ele observava as pernas dela. Com o tempo começou a encoxar ela na pia da cozinha, jogar indiretas, procurar ficar sozinho com ela em casa. Até que um dia, aproveitando o sono de sua esposa, agarrou ela na sala, rasgou sua blusa, e tentou chupar seus seios, ela se esquivou e saiu correndo, se trancou no banheiro e ficou chorando por horas. Depois que seu tio tentou estrupa-lá, ficou com medo, mas não tinha pra onde ir. Certo dia ele chegou bêbado em casa, pegou uma faca e tentou intimidar ela, pra que tirasse a roupa. Ela se esquivou, e na hora chegou a esposa dele. Ele mentiu e disse que ela estava o seduzindo, ela foi expulsa de casa, e começou a perambular pelo centro de São Paulo. Com o tempo arrumou emprego num restaurante japonês, e vendo que estava sendo escravizada, num belo dia, roubou tudo o que pode, e sumiu no mundo de novo. Até que conheceu Margarida num forró risca faca, que a levou pra trabalhar de garçonete em sua casa noturna. Com o tempo, ela viu como única opção pra ter algo melhor, a prostituição, e como vivia sendo cantada, vendeu sua virgindade pra um empresário, que pagou bem menos que o combinado. Dali pra frente sua vida, era só a prostituição de noite, e de dia vagar por ai. Ela gostava de ir pra pracinha, ficar olhando seu sonho passar por ela, seu sonho se chamava casamento e um amor, um amor pra curar suas dores mais profundas. Arrumou um namorado, que a ajudou no começo, prometeu lhe dar uma casa bonita, uma família, uma vida, mas era só mais um bêbado vagabundo, que batia na mulher quando chegava em casa. Um futuro incerto com certeza. Até que um dia conheceu Osvaldo, que virou seu cliente de carteirinha, e sempre prometia pra ela mundos e fundos se um dia ficasse rico. Flor está parada na esquina, aonde fica o Space Night Club, vê um homem bêbado se aproximar dela, e quando ele chega mais perto, ela o reconhece:
- O que você quer, já não disse que acabou?
- Vim te buscar, vamos pra casa.
- Não, estou esperando Osvaldo, vai me levar pra ser uma rainha como sempre quiz.
- A então você quer ser uma rainha agora?
- Sim.
- Você me feriu Florzinha, volta pra mim, eu juro que nunca mais bebo, nunca mais te agrido, nunca mais.
- Não, nunca mais quero te ver, some daqui.
- Sua vaca maldita, ou você volta comigo, ou vai se arrepender.
- Por quê, você é um merda não é de nada.
- Maldita vagabunda, vai pagar!!!
Flor recebe uma pancada na cabeça, são 03:10 da manhã.
Flor começa a ser espancada, com o sapato de seu ex-namorado, são 03:11 da manhã.
Flor grita por socorro, ninguém a ouve, são 03:12 da manhã.
Flor tenta correr, e percebe uma lâmina invadir suas costas e seus sonhos, são 03:13 da manhã.
Flor está no colo de seu assassino, que chora desesperadamente, mas ela sangra muito, são 03:14 da manhã.
Flor vê a lua, como era bonita a lua, são 03:14 da manhã.
Flor pensa, talvez Osvaldo tenha caído no sono, não demora a chegar, são 03:15 da manhã e ela sangra muito.
Flor ouve uma sirene, que vai ficando cada vez mais alta, são 03:20 da manhã.
Flor balbucia um nome pro paramédico, Osvald,Osvaldo, Osvaldo, seu ex-namorado chora dentro da viatura policial, está algemado, são 03:22 da manhã.
Flor ouve alguém dizer: - Não tem mais jeito, ela já entrando em óbito. são 03:25.
Flor se despede do mundo com um beijo, adeus minha terra, adeus meu amor, adeus Osvaldo, flor ve o mundo do avesso são 03:29 da manhã.
Flor entra em óbito, são 03:30 da manhã.
Renato Vital é escritor.
11.4.10
9.4.10
A hora do Limão
Programa 27 A Hora do Limão
Participações: Sandrão RZO, King Nino Brown, Luter Enigmas de periferia e Moisés Vato Loko.
A hora do limão, o programa mais azedo da internet.
Participações: Sandrão RZO, King Nino Brown, Luter Enigmas de periferia e Moisés Vato Loko.
A hora do limão, o programa mais azedo da internet.
7.4.10
Evangélico ou Católico?
Bela pergunta, fui batizado na igreja Católica, meu pai diz pra todo mundo que os filhos dele vai ser sempre católico. Em respeito a ele, não duvido, nem afronto. Depois de saber dos mais de 15 mil casos de pedofilia na igreja católica, em alguns países da europa, é que firmei mais ainda minha posição, não sou católico, sou cristão. Também não sou evangélico, até mesmo por quê, não quero fazer parte, desse debates que se vê na televisão. Em um canal é o bispo Romualdo ou o bispo Marcelo Crivela, da Universal. Em outro canal é eles também. Muda de canal de novo, ou é a legião da boa vontade, ou é o bispo R.R. Soares ( dias desses minha mulher não me deixou dormir, insistindo pra que eu fosse na igreja do dito cujo). Continua nesse canal e de madrugada você vê o Silas Malafaia, pra quem gosta, todo o meu respeito, pra quem não gosta também. AI você vai mudando de canal, ai tem a Igreja Mundial da Fé, do Bispo Waldemiro Santiago, continuo na mesma proposta, quem gosta, gosta, quem não gosta da as costas, ou vai se embora, e eu mudo de canal. Mas não pare, continue mudando de canal. Se cair na globo, de domingo tem o padre Marcelo Rossi, e de vez em quando o padre José Maria, ou como diz minha mãe, o padre dos artistas ricos.
Quem gosta, gosta, quem não gosta, se esboça, ou então muda de canal, e é o que eu faço. As escolhas religiosas hoje em dia, são bem vastas, na televisão se tem muitas. E você? Evangélico ou Católico?
Renato Vital é escritor.
Quem gosta, gosta, quem não gosta, se esboça, ou então muda de canal, e é o que eu faço. As escolhas religiosas hoje em dia, são bem vastas, na televisão se tem muitas. E você? Evangélico ou Católico?
Renato Vital é escritor.
4.4.10
Pessoa Desconhecida
- Oi.
- Oi.
- Andas preocupado?
- Bom, sim, um pouco, é com o meu amigo sabe.?
- Sei sim, o conheço. É aquele que está internado no Hospital Saboya, não é mesmo.
- Sim, eu não confio naquele hospital, não confio em hospital nenhum, esse sistema falido do caralho, eu não confio! Não confio de jeito nenhum, eles não vão salvar meu amigo.
- Eles talvez não... Mas eu já sei que ele vai se salvar.
- Eu também acredito nisso, mas é díficil sabe?
- Sei sim, sei como é díficil acreditar, naquilo que você não viu, mas pode acreditar, em dois dias ele estará de pé falando com vocês.
- Tenho medo.
- Medo por quê, logo você que é corajoso, já se aventurou em situações tão dificeis, eu lhe conheço bem Benedito.
- Como sabe meu nome?
- Isso não interessa agora.
- Como não interessa, esse lugar aqui pertence a mim, essas àrvores, esses campos, esses rios, essas flores, todo esse gramado, tudo isso pertence a mim, como adentrou em minha propriedade?
- Isso aqui não é seu, não foi você quem criou, você apenas habita esse lugar.
- Mas eu não deixo ninguém entrar aqui, ninguém que eu não conheça.
- Tudo bem Benedito, já vim, já deixei a mensagem. Só gostaria de fazer um pedido antes de partir.
- Qual?
- Quando tudo estiver bem, quando tudo já estiver definido e decidido, numa noite calma, peço que olhe pro céu. Você me verá, e eu terei isso como um sinal de positivo, de que tudo está bem.
- Não, nem tudo está bem. A namorada do Tevez tá traindo ele, aquela vagabunda. Tá namorando com um amigo dele, aquele pilantra safado, Judas traidor, sem vergonha. Mas eu já armei pros dois, no pagode que terá sexta-feira. Meu oitão tá até a boca carregado, os dois vão pagar por tudo o que estão fazendo.
- Guarde a espada na bainha filho de Deus criador. Guarde seu ódio pra seus verdadeiros inimigos. Eles terão o que merecem, mas isso não é você quem vai definir. Mas já que achas que violência é o melhor caminho, vá em frente, você tem o livre arbítrio.
- Sim, eu vou, isso não vai passar batido.
- Tudo bem, já vou indo, mas antes fique com essa mensagem: " O maior segredo está na vida, não procures desvendar segredos do outro mundo, o verdadeiro mistério está aqui!".
Ditinho abriu os olhos, levantou de sua cama, foi até a geladeira pegar um copo d` água, sentou-se numa cadeira. Dormiu assim que chegará do serviço, teve até um sonho, mas não se lembrava direito dele. Só se lembrava de algumas palavras, alguém dizendo que seu primo estaria entre eles em dois dias. Ditinho ajoelhou-se frente a imagem de nossa senhora, e fez uma oração. Foi até a gaveta do guarda-roupa, pegou o celular, discou o telefone da sua namorada. Ela atendeu, e ficaram conversando durante um bom tempo.
Renato Vital é escritor.
- Oi.
- Andas preocupado?
- Bom, sim, um pouco, é com o meu amigo sabe.?
- Sei sim, o conheço. É aquele que está internado no Hospital Saboya, não é mesmo.
- Sim, eu não confio naquele hospital, não confio em hospital nenhum, esse sistema falido do caralho, eu não confio! Não confio de jeito nenhum, eles não vão salvar meu amigo.
- Eles talvez não... Mas eu já sei que ele vai se salvar.
- Eu também acredito nisso, mas é díficil sabe?
- Sei sim, sei como é díficil acreditar, naquilo que você não viu, mas pode acreditar, em dois dias ele estará de pé falando com vocês.
- Tenho medo.
- Medo por quê, logo você que é corajoso, já se aventurou em situações tão dificeis, eu lhe conheço bem Benedito.
- Como sabe meu nome?
- Isso não interessa agora.
- Como não interessa, esse lugar aqui pertence a mim, essas àrvores, esses campos, esses rios, essas flores, todo esse gramado, tudo isso pertence a mim, como adentrou em minha propriedade?
- Isso aqui não é seu, não foi você quem criou, você apenas habita esse lugar.
- Mas eu não deixo ninguém entrar aqui, ninguém que eu não conheça.
- Tudo bem Benedito, já vim, já deixei a mensagem. Só gostaria de fazer um pedido antes de partir.
- Qual?
- Quando tudo estiver bem, quando tudo já estiver definido e decidido, numa noite calma, peço que olhe pro céu. Você me verá, e eu terei isso como um sinal de positivo, de que tudo está bem.
- Não, nem tudo está bem. A namorada do Tevez tá traindo ele, aquela vagabunda. Tá namorando com um amigo dele, aquele pilantra safado, Judas traidor, sem vergonha. Mas eu já armei pros dois, no pagode que terá sexta-feira. Meu oitão tá até a boca carregado, os dois vão pagar por tudo o que estão fazendo.
- Guarde a espada na bainha filho de Deus criador. Guarde seu ódio pra seus verdadeiros inimigos. Eles terão o que merecem, mas isso não é você quem vai definir. Mas já que achas que violência é o melhor caminho, vá em frente, você tem o livre arbítrio.
- Sim, eu vou, isso não vai passar batido.
- Tudo bem, já vou indo, mas antes fique com essa mensagem: " O maior segredo está na vida, não procures desvendar segredos do outro mundo, o verdadeiro mistério está aqui!".
Ditinho abriu os olhos, levantou de sua cama, foi até a geladeira pegar um copo d` água, sentou-se numa cadeira. Dormiu assim que chegará do serviço, teve até um sonho, mas não se lembrava direito dele. Só se lembrava de algumas palavras, alguém dizendo que seu primo estaria entre eles em dois dias. Ditinho ajoelhou-se frente a imagem de nossa senhora, e fez uma oração. Foi até a gaveta do guarda-roupa, pegou o celular, discou o telefone da sua namorada. Ela atendeu, e ficaram conversando durante um bom tempo.
Renato Vital é escritor.
31.3.10
Lua de São Jorge por Caetano Veloso
Esse vídeo é muito bonito, o escritor, cantor e compositor Caetano Veloso, cantando Lua de São Jorge, num show em Roma. Bom, tá certo que um livro do Caetano Veloso, com o meu salário eu não consigo comprar, mas que o cara é inteligente pra caramba, isso é. Sem contar, que estou lendo o livro do Caetano, Letra só, que contém 180 letras dele durante toda a sua carreira, além de um livro em separado explicando algumas delas. O que vale mesmo é curtir a poesia da letra e da música. É nóis.
28.3.10
Ditadura, Polícia que bate em quem ensina, não policia ninguém.
Tropa de Choque atira contra professores, com balas de borracha, gás de pimenta, bombas de efeito moral e cassetetes.Me desculpe os admiradores da Polícia Militar, mas eu queria saber qual a desculpa deles agora. Sim pois a desculpa da polícia sempre foi, que são caçadores de bandidos e marginais ( e prendem somente bandidos!? será!?). Professores que são mal pagos pra ensinar, são atacados por policiais que são mal pagos, pra perseguir quem ousa lutar contra as mazelas e as injustiças do sistema governamental do nosso estado e país.
A velha pergunta do grupo Titâs ainda se mantêm viva: Polícia, para quem precisa?
É triste, mas também já passei por isso, estava numa quermesse de rua na vila Missionária, e pobre se divertindo, no nosso estado, também é crime. Os homens da tropa de choque invadiram o local, com bombas de gás lacrimogênio, gás de pimenta e balas de borracha. Eu que sou muito bobo, sai correndo é claro, se não já viu, eles iam passar por cima, com tudo.
Lamentável, e sabemos quem são os culpados, os mandantes de tudo isso, e quem sente prazer em reprimir professores, me desculpe, mas não tem inteligência.
27.3.10
Conversas ou brigas, pouco importa
- Magalhães, como assim que flores? as que você me deu semana passada, não se lembra.
- Na verdade não querida, mas foi por causa do dia das mulheres né, parabéns viu.
- Presta atenção Magalhães, não brinca com isso, nosso casamento está indo por água abaixo Magalhães, presta atenção.
- Tá bom, to aqui parado, pode falar, que você quer?
- Um pouco de atenção, só isso.
- Ah agora você quer atenção, é isso? A vinte anos quando nos casamos, você queria conforto, uma casa boa, um carro pra andar. Quando nos casamos, você não queria homem duro do seu lado, queria só finezas, coisas chiques, pra se contrastarem com sua infinita beleza, não é mesmo? Pois bem querida Dona Simone, você tem seu maldito conforto, agora pode me deixar trabalhar?
- Magalhães, eu, eu, eu,
- Quer a separação, é isso Simone, é isso?
- Magalhães, solte o meu braço está machucando, os meninos podem escutar...
- Então pare com suas crises infernais, tá ok, to de saco cheio da suas picuinhas, nhé, nhé, nhé, conversinha pra boi dormir, agora minha querida esposa deixa, seu querido marido, trabalhar?
- Tudo bem, vou pro quarto, se lembra do nosso quarto, aquele que tantas vezes trocamos carícias, aquele que eu sempre me entreguei pra ti, de corpo e alma, aquele que sempre te chamei de meu amor?
- Lembro sim, fica ali depois do quarto da Paty, no final do corredor, precisa de um guia turistico pra te acompanhar até lá?
- Preciso de um marido menos ignorante, bruto e imbecil!
- A próxima vez que me ofender dessa maneira, vai se arrepender.
- Sério, to pouco me lixando.
- Vá a merda Simone, me dá um tempo.
- Me dá um tempo você, me dá um tempo você tá...
Simone começa a chorar desesperadamente, e a tacar objetos de porcelana na direção de Magalhães, ele se esquiva como pode.
- Para sua maldita, me respeita.
Um dos objetos de porcelana, acerta o supercílio de Magalhães, que começa a sangrar muito.
- Viu o que fez sua maldita, miserável, desequilibrada, eu devia quebrar a sua cara, sua nojenta.
Magalhães pega as chaves, e sai do apartamento, batendo a porta com toda força.
- Mãe o que aconteceu, por quê tá chorando?
- Não é nada Patrícia, seu pai é um bruto, ignorante, que só pensa em trabalhar, trabalhar, sair com os amigos, e esquece que eu ainda sou a esposa dele.
- Homem, mãe, a gente tem que usar, tem que usar e jogar fora, se não se transforma nisso ai. O papai nem dá mais atenção pra gente. Eu mesma sou assim, homem é que nem chiclete, a gente pisa, pisa, ele gruda no nosso sapato e não sai do nosso pé.
- Filha eu to falando sério, não sei mais o que faço.
- Eu sei, se veste bem, se transforma, fica bem bonita, e sai com suas amigas, assim ele vai te dar mais valor, pode apostar.
- Já tentei isso mil vezes, você sabe disso.
- Sei lá manhê, a num sei sabe, é assim, você tem que ser mais ousada, chegar e ganhar o papai com jeito, com malícia...
- Menina, olha o respeito, apesar que você tem razão, mas isso a mamãe já tentou também.
O telefone toca, e Paty vai atender em seu quarto, sua mãe continua na sala chorando.
Magalhães encosta o carro numa padaria, entra no estabelecimento, vai até o balcão e pede uma cerveja. Duas loiras sozinhas, observam ele, ele nem percebe. Magalhães pensa em acender um cigarro, mas lembra da lei do Serra, que proíbe os fumantes de fumar, desiste do ato. Magalhães chinga o governador no seu íntimo, mas se lembra do ocorrido em sua casa. Não sabe o que era, mas sua mulher não era mais a mesma, não o atraia da mesma forma de antes. Uma das loiras passam por Magalhães, pisca pra ele, e ele percebe. Ela se senta próximo dele, cruza as pernas, e o observa. Magalhães apenas a observa também, não tem reação alguma, aquele momento não estava com cabeça pra isso. A loira passa perto dele, e esbarra de propósito. Magalhães tenta se desculpar, mas a loira o intima:
- Calma, não foi nada. Você tá sozinho ai?
- To sim.
- Quer sentar com a gente naquela mesa, pra gente conversar?
- Sabe o que é, em outras oportunidades agradeceria muito mas....
A loira puxa Magalhães pelo braço, e o leva até a mesa. Ela está de mini saia, bem curta, e sua amiga também, Magalhães senta na mesa. Sem ter o que falar, Magalhães apenas ri do que as duas dizem. Passadas duas horas, e muitas cervejas, Magalhães diz que precisa ir embora. Elas o comprimentam:
- Já vai tá cedo, não quer tomar a saideira?
- Estou tomando a saideira a horas...
- Por favor só mais essa.
Magalhães olha pras coxas das loiras, e responde:
- Eu acho melhor ir pra um lugar mais adequado, o que acham...
- E tipo o quê? - uma delas diz.
- Você sabe espertinha, e então vamos?
As duas, com o rabo quente, não pensam duas vezes, e entram no carro de Magalhães. Ele avista um motel cinco estrelas. Entra dentro dele, e pede a melhor suíte do lugar. Magalhães se deixa levar, e entra no paraíso dos pecadores.
Renato Vital é escritor.
- Na verdade não querida, mas foi por causa do dia das mulheres né, parabéns viu.
- Presta atenção Magalhães, não brinca com isso, nosso casamento está indo por água abaixo Magalhães, presta atenção.
- Tá bom, to aqui parado, pode falar, que você quer?
- Um pouco de atenção, só isso.
- Ah agora você quer atenção, é isso? A vinte anos quando nos casamos, você queria conforto, uma casa boa, um carro pra andar. Quando nos casamos, você não queria homem duro do seu lado, queria só finezas, coisas chiques, pra se contrastarem com sua infinita beleza, não é mesmo? Pois bem querida Dona Simone, você tem seu maldito conforto, agora pode me deixar trabalhar?
- Magalhães, eu, eu, eu,
- Quer a separação, é isso Simone, é isso?
- Magalhães, solte o meu braço está machucando, os meninos podem escutar...
- Então pare com suas crises infernais, tá ok, to de saco cheio da suas picuinhas, nhé, nhé, nhé, conversinha pra boi dormir, agora minha querida esposa deixa, seu querido marido, trabalhar?
- Tudo bem, vou pro quarto, se lembra do nosso quarto, aquele que tantas vezes trocamos carícias, aquele que eu sempre me entreguei pra ti, de corpo e alma, aquele que sempre te chamei de meu amor?
- Lembro sim, fica ali depois do quarto da Paty, no final do corredor, precisa de um guia turistico pra te acompanhar até lá?
- Preciso de um marido menos ignorante, bruto e imbecil!
- A próxima vez que me ofender dessa maneira, vai se arrepender.
- Sério, to pouco me lixando.
- Vá a merda Simone, me dá um tempo.
- Me dá um tempo você, me dá um tempo você tá...
Simone começa a chorar desesperadamente, e a tacar objetos de porcelana na direção de Magalhães, ele se esquiva como pode.
- Para sua maldita, me respeita.
Um dos objetos de porcelana, acerta o supercílio de Magalhães, que começa a sangrar muito.
- Viu o que fez sua maldita, miserável, desequilibrada, eu devia quebrar a sua cara, sua nojenta.
Magalhães pega as chaves, e sai do apartamento, batendo a porta com toda força.
- Mãe o que aconteceu, por quê tá chorando?
- Não é nada Patrícia, seu pai é um bruto, ignorante, que só pensa em trabalhar, trabalhar, sair com os amigos, e esquece que eu ainda sou a esposa dele.
- Homem, mãe, a gente tem que usar, tem que usar e jogar fora, se não se transforma nisso ai. O papai nem dá mais atenção pra gente. Eu mesma sou assim, homem é que nem chiclete, a gente pisa, pisa, ele gruda no nosso sapato e não sai do nosso pé.
- Filha eu to falando sério, não sei mais o que faço.
- Eu sei, se veste bem, se transforma, fica bem bonita, e sai com suas amigas, assim ele vai te dar mais valor, pode apostar.
- Já tentei isso mil vezes, você sabe disso.
- Sei lá manhê, a num sei sabe, é assim, você tem que ser mais ousada, chegar e ganhar o papai com jeito, com malícia...
- Menina, olha o respeito, apesar que você tem razão, mas isso a mamãe já tentou também.
O telefone toca, e Paty vai atender em seu quarto, sua mãe continua na sala chorando.
Magalhães encosta o carro numa padaria, entra no estabelecimento, vai até o balcão e pede uma cerveja. Duas loiras sozinhas, observam ele, ele nem percebe. Magalhães pensa em acender um cigarro, mas lembra da lei do Serra, que proíbe os fumantes de fumar, desiste do ato. Magalhães chinga o governador no seu íntimo, mas se lembra do ocorrido em sua casa. Não sabe o que era, mas sua mulher não era mais a mesma, não o atraia da mesma forma de antes. Uma das loiras passam por Magalhães, pisca pra ele, e ele percebe. Ela se senta próximo dele, cruza as pernas, e o observa. Magalhães apenas a observa também, não tem reação alguma, aquele momento não estava com cabeça pra isso. A loira passa perto dele, e esbarra de propósito. Magalhães tenta se desculpar, mas a loira o intima:
- Calma, não foi nada. Você tá sozinho ai?
- To sim.
- Quer sentar com a gente naquela mesa, pra gente conversar?
- Sabe o que é, em outras oportunidades agradeceria muito mas....
A loira puxa Magalhães pelo braço, e o leva até a mesa. Ela está de mini saia, bem curta, e sua amiga também, Magalhães senta na mesa. Sem ter o que falar, Magalhães apenas ri do que as duas dizem. Passadas duas horas, e muitas cervejas, Magalhães diz que precisa ir embora. Elas o comprimentam:
- Já vai tá cedo, não quer tomar a saideira?
- Estou tomando a saideira a horas...
- Por favor só mais essa.
Magalhães olha pras coxas das loiras, e responde:
- Eu acho melhor ir pra um lugar mais adequado, o que acham...
- E tipo o quê? - uma delas diz.
- Você sabe espertinha, e então vamos?
As duas, com o rabo quente, não pensam duas vezes, e entram no carro de Magalhães. Ele avista um motel cinco estrelas. Entra dentro dele, e pede a melhor suíte do lugar. Magalhães se deixa levar, e entra no paraíso dos pecadores.
Renato Vital é escritor.
26.3.10
Poesia dedicada a Dina Di, é notícia no site Rap Nacional
Quarta-Feira na Cooperifa, dediquei uma poesia à Dina Di. Umas meninas que são repórter do site Rap Nacional me procuraram, e pediram a publicação da poesia. È claro que aceitei, e vocês podem conferir abaixo o link pro site RAP NACIONAL em que está a poesia. Detalhe a poesia foi feita a luz da lanterna do meu celular, já que na hora em que estava escrevendo a luz acabou. Superação até na hora de escrever a poesia, assim como a mina era, superação até o fim. Acompanhem:
Filha Do Rei
Sempre estará aqui em nossa mente, em nossos corações.
Sempre querendo mais despertar, revolucionar, guerrear.
E essas marcas da adolescência que se fez de inspiração para ti.
A consciência se construiu, e se formou por aqui.
Sei que sua família chorou, seus amigos choram, e vão chorar cada vez que lembrar; sua atitude, seu jeito de cantar.
Não podemos desanimar tu és Filha Do Rei e é com ele que deve estar;
Acho que é um pouco tarde para te homenagear.
Os guerreiros só viram heróis depois de passar, para essa outra vida e a eternidade alcançar.
Esteja em onde estiver esteja em paz.
Dina Di Guerreira Vamos Relembrar.
Autor: Renato Vital
Filha Do Rei
Sempre estará aqui em nossa mente, em nossos corações.
Sempre querendo mais despertar, revolucionar, guerrear.
E essas marcas da adolescência que se fez de inspiração para ti.
A consciência se construiu, e se formou por aqui.
Sei que sua família chorou, seus amigos choram, e vão chorar cada vez que lembrar; sua atitude, seu jeito de cantar.
Não podemos desanimar tu és Filha Do Rei e é com ele que deve estar;
Acho que é um pouco tarde para te homenagear.
Os guerreiros só viram heróis depois de passar, para essa outra vida e a eternidade alcançar.
Esteja em onde estiver esteja em paz.
Dina Di Guerreira Vamos Relembrar.
Autor: Renato Vital
24.3.10
CQC: proteste já em Barueri, história da televisão doada com GPS, que é desviada. confira essa história.
Parte 1
Parte 2
Parte 3
Parte 4
Parte 5
Parte 2
Parte 3
Parte 4
Parte 5
23.3.10
Fiquei sabendo sábado de manhã.....
Fiquei sabendo sábado de manhã...
Mas esperei passar um tempo, pra ter certeza que era verdade.
Poderia ser só uma mentira, eu não ligaria.
Não ligaria se tivesse sido, só uma informação errada.
Mas não, é verdade.
Dina Dee nos deixou.
Aonde você for guerreira
Vai sempre encontrar
Um grande palco florido
Pro nosso povo alegrar
E encantar
Com seus versos realistas
À todos alertar
Sabemos que tu és filha do rei.
E é com ele que deve estar
Que Deus o tenha em um bom lugar
E que esse mesmo Deus
De conforto pra sua família, seu marido, enfim todos os seus amigos e fãs.
Dina Dee, esteja em um bom lugar.
E uma música da hora que é pouco comentada:
Corpo em Evidencia
Visão de Rua
Composição: Dina Dee
Corpo em Evidencia – Visão de Rua
Era um corpo nuuuuu...queimado de sol hehey
Capa de revista ,
Exposta nas bancas ,para todos verem
Muita mulher ,na TV você ve,voce quer
Mais na hora de ver qual que é ?
Mais o que mais te dói olhar com zói .
Há a capa da playboy quem será?
A próxima tentação vou te falar
De um corpo perfeito uma mente vazia
Uma atriz pornô que interpretou uma vadia
Tem buc**** pra dar e vender
Estola ,belê ,leva uma vida de princê ,pensando o que?
Há nem sabe o que é sofrer de cherokee
Tem até jet-sky ,dinheiro é mato é so fingir
Hum !!!ai da Kelly Key se fosse feia
Hé eu vi seu pôster nu até seu c* no boi de uma cadeia
A mesma chance não teria
Cá ente nós com aquela voz e o corpo cheio de estria
O adultério é um monstro que destrói o casamento
Se não acaba fica magoa ferida por dentro ,eu só lamento
O amor não e pra covarde quem sente
Enquanto ele existir é fiel até na mente
Não deixe a confiança acabar,acabar,acabar
Muita mulher ,na TV você ve,voce quer
Mais na hora de ver qual que é ?
Mais o que mais te dói olhar com zói .
Cerca de 200 mil usuários da Internet são viciados em sites erótico
Compulsivos por sexo virtual
Uma epidemia sobre a qual ninguém fala
Contamina a alma é imoral
Afeta e muito o estado emocional
Provoca crise conjugal
Separação , traição na vida real
Lindas de ver de fazer muitos homens enlouquecer
Atras não e preciso correr elas vem ate você
Acesse o cardápio do dia
Ninfetas ,hum,bate punh**** vicia
Purifique seu pensamento dessa fome
Pornografia é antiamor uma carne podre que tantos consome
Toda aquela porra ,sexo sem limite ,Sodoma e gomorra
Espelho ,espelho meu ,existe alguém mais bela do que eu?
Fazer uma lipo ,botox ,por silicone
Usar Helena ,Rubstai ,Boticário ,Lancome
Eu seria bem mais feliz ,sem flacidez e um abdome firme ,sem cicatriz
Arrumar os dentes ,sorrir sem regime
Curtir uma praia usar um biquíni
Não tem comparação sangue bom as dançarinas do Gugu
É com essas que mal tem dinheiro pro xampu
Ate na cor toda modelo na pratica faz
Bronzeamento ,tratamentos corporais
Objetos de sedução da televisão
Com tempo cai no esquecimento , se vão
A promiscuidade não , não
2X Muita mulher ,na TV você ve,voce quer
Mais na hora de ver qual que é ?
Mais o que mais te dói olhar com zói .
Era um corpo nuuuuu...queimado de sol hehey
22.3.10
Odeio pegar busão.. vou de táxi querida.
Ai sabe, é tipo assim, eu até posso pegar ônibus, mas tem que ter ar condicionado, sem tarado te encoxando. Ontem fui com minhas amigas, naquele parque lindo, que dá bastante garoto lindo também. Só não suporto aquele velhos, jogando migalhas pros patos na beira do rio. Não suporto também aquele tipinho de gente que vai lá, que leva uma penca de filho pra passear, sei lá, essa gente deve vir dos extremos, das favelas, ah, sei lá. Falando nisso, essa maldita franjinha que fiz hoje, tá me encomodando, ai meu, fala sério. Falando em franjinha quando será que o Green Day vem pro Brasil de novo? Eu amo aqueles lindos, se bem que a franjinha do vocalista é a maior do que a do baixista, mas amo todos eles, eu daria a vida pra ficar com eles, se daria. O que não gostei ontem no parque foi aquela vadia, sim aquela vadia, que acha que é minha melhor amiga, falar que pegou o Miltinho na escola, mentirosa sem vergonha. Qualquer hora a máscara dela cai, aquela desgraçada, enquanto isso eu vou ficando, com os meninos que ela jamais vai ficar. Nossa! quem diria, o Rô fumando, não acredito?! É impossível isso meu, inacreditável sei lá.
Paty vai até a cozinha, e volta com uma taça de sorvete light na mão.
Ai voltei, que merda, a mamãe não comprou do sabor que eu gosto. Toda vez é isso, a mamãe sempre escolhe os sabores que o Hugo quer. Esse menino nunca vai sair das fraldas mesmo, só vive com esses colegas dele vagabundo. Falando nisso, ele anda estranho de um mês pra cá. Pede dinheiro toda hora pra mamãe, ligou ontem pro papai, que está em Nova York, só pra pedir um depósito. Sim, ele anda bem estranho. Só que mamãe é sonsa, não percebe nada, e eu também, to pouco me lixando pra esse moleque.
Ai não vou atender, é o Alan me ligando de novo, já falei que não quero ficar com ele, que insistência, que amolação. Na verdade quero ficar com o colega dele, que gato, uau!
Paty vai até o computador, ninguém está on line em sua lista de contatos.
Gente, o que aconteceu com minhas amigas, sumiram essas sirigaitas. Vou ligar pro Alan, quem sabe esse mané não sabe de algo legal, pra fazer hoje. Ai que dia é hoje heim, mamãe não me deu minha mesada ainda saco. Vou cobrar ela hoje, eu sei que se eu ligar pro celular dela, ela não atende mesmo. Tá vendo, caixa postal, ai saco, saco e saco! A sim, uma mensagem do Alan, deixa eu ler:
" Eu sei que você é metidinha e esnobe. Mas comigo não cola não. Só pedi a merda do seu telefone, por quê pensei que queria ficar comigo. Já que não quer, e está fazendo cú doce pra atender, então vai a merda, quero que você se foda. Até mais."
Paty coloca o edredom sobre sua cabeça, e começa a chorar desesperadamente.
Ai meu Deus, o que eu fiz, estraguei tudo. E agora, vou ficar queimada com os outros meninos do colégio. Bom pensando bem acho que não, é só colocar um decote mais atraente que eles nem ligam. Homem é que nem lata, uma chuta a outra cata. Falando nisso o Alan até que não era de se jogar fora, e agora.
- Alô Alan?
- Fala.
- Se magou comigo?
- Não, to acostumado com minas metidinhas que nem você.
- Desculpe, de verdade.
- Te desculpo sim, que tal me ver às 10 na sua rua, hoje à noite.
- Não posso, mamãe não deixa.
- Então deixa queto...
- Tudo bem vou ver o que posso fazer.
- Certo te espero lá heim.
- Tá bom, tchau gatinho.
Ai tá vendo, homem é tudo igual. Agora deixa eu me arrumar, que daqui a pouco tenho o curso Inglês pra ir. Ai que coisa, hoje vou devorar esse tal de Alan. Ah se vou.
Renato Vital é escritor.
Paty vai até a cozinha, e volta com uma taça de sorvete light na mão.
Ai voltei, que merda, a mamãe não comprou do sabor que eu gosto. Toda vez é isso, a mamãe sempre escolhe os sabores que o Hugo quer. Esse menino nunca vai sair das fraldas mesmo, só vive com esses colegas dele vagabundo. Falando nisso, ele anda estranho de um mês pra cá. Pede dinheiro toda hora pra mamãe, ligou ontem pro papai, que está em Nova York, só pra pedir um depósito. Sim, ele anda bem estranho. Só que mamãe é sonsa, não percebe nada, e eu também, to pouco me lixando pra esse moleque.
Ai não vou atender, é o Alan me ligando de novo, já falei que não quero ficar com ele, que insistência, que amolação. Na verdade quero ficar com o colega dele, que gato, uau!
Paty vai até o computador, ninguém está on line em sua lista de contatos.
Gente, o que aconteceu com minhas amigas, sumiram essas sirigaitas. Vou ligar pro Alan, quem sabe esse mané não sabe de algo legal, pra fazer hoje. Ai que dia é hoje heim, mamãe não me deu minha mesada ainda saco. Vou cobrar ela hoje, eu sei que se eu ligar pro celular dela, ela não atende mesmo. Tá vendo, caixa postal, ai saco, saco e saco! A sim, uma mensagem do Alan, deixa eu ler:
" Eu sei que você é metidinha e esnobe. Mas comigo não cola não. Só pedi a merda do seu telefone, por quê pensei que queria ficar comigo. Já que não quer, e está fazendo cú doce pra atender, então vai a merda, quero que você se foda. Até mais."
Paty coloca o edredom sobre sua cabeça, e começa a chorar desesperadamente.
Ai meu Deus, o que eu fiz, estraguei tudo. E agora, vou ficar queimada com os outros meninos do colégio. Bom pensando bem acho que não, é só colocar um decote mais atraente que eles nem ligam. Homem é que nem lata, uma chuta a outra cata. Falando nisso o Alan até que não era de se jogar fora, e agora.
- Alô Alan?
- Fala.
- Se magou comigo?
- Não, to acostumado com minas metidinhas que nem você.
- Desculpe, de verdade.
- Te desculpo sim, que tal me ver às 10 na sua rua, hoje à noite.
- Não posso, mamãe não deixa.
- Então deixa queto...
- Tudo bem vou ver o que posso fazer.
- Certo te espero lá heim.
- Tá bom, tchau gatinho.
Ai tá vendo, homem é tudo igual. Agora deixa eu me arrumar, que daqui a pouco tenho o curso Inglês pra ir. Ai que coisa, hoje vou devorar esse tal de Alan. Ah se vou.
Renato Vital é escritor.
18.3.10
Corpo espinho
Tevez abre os olhos.
Está na Enfermaria do hospital. Não se lembra de nada, a última coisa que se lembra, é que saiu pra ir a casa de Ditinho, e viu um caminhão desgovernado vindo em sua direção. Tevez fica encabulado com a presença de uma pessoa na sala. Os demais pacientes dormem, só essa pessoa e Tevez estão acordados. Tevez pergunta:
- Doutor é você?
A pessoa se vira para ele, caminha em sua direção e senta na ponta de seu leito. A pessoa não para de observar pra ele. Tevez pergunta:
- E então doutor, o que aconteceu, como é que eu vim parar aqui, o que houve, quanto tempo faz que eu estou acordado?
- Calma Rafael, se acalma. -a pessoa responde.
- Mas como assim calma, que calma, estou aqui todo enfaixado, todo quebrado e me pede calma?
Só Então Tevez percebe que a pessoa não tem crachá nem nada, e está descalça, usa uma roupa de um pano reluzente branco e não para de sorrir para Rafael um só instante.
- Perai, você não é o doutor porra nenhuma, tá descalço e usando uma roupa esquisita, da onde é você carai?
- Rafael, tu sempre foi esse menino invocado, esse menino metido a bravo e mal, mas eu sei que é apenas uma máscara, e acho que chegou a hora de ela cair.
- Que cair o quê. Você é que tem que cair fora, se não eu grito a infermeira. Falando nisso como sabe meu nome?
- Olhe pra você mesmo Rafael, é apenas um menino, não irá chamar infermeira alguma, até mesmo por quê não pode abrir a boca.
Rafael ameaça rir, das coisas que a pessoa está falando, mas é interrompido:
- Rafael tente mover a perna por favor? - diz a pessoa misteriosa.
Rafael tenta de todas as formas mover as pernas mas não consegue, tenta gritar, mas a voz sai sem força, só ai toma um choque, ao perceber que está enxergando seu próprio corpo.
- Que porra é essa, como eu posso tá enxergando a mim mesmo , eu morri?
- Não você está em coma à três semanas, sua família já te considera praticamente morto, sua namorada está andando com outro homem, àlias ela nem acha mais que é sua namorada. Seu primo Ditinho é o único que acredita na sua sobrevivência, pra ter uma idéia, sua mãe já está juntando uns trocados pra fazer seu enterro e velório.
Tevez responde aos prantos:
- Cala a sua boca, maldita alma do inferno, você não sabe nada da minha vida, some daqui maldita, quero que vá pro inferno, isso é apenas um sonho, vou acordar e ter minha vida de novo.
- Não você não irá abrir os olhos agora, ela espera por você, mas ainda não chegou o momento.
- Ela quem, ela quem?
- Alguém te acordará com uma bíblia na mão, mas não se desesperes pra saber quem é, você já a conhece. Sua vida vai mudar, mas isso só depende de você Rafael.
- Vai o caralho, isso aqui não é novela não, eu vivo na periferia, onde o bicho pegar, quem poder mais chora menos, você não entende essas fitas, é só uma alma penada, que anda por ai atormentando os outros. Devia ter ido naquela fita, agora estaria rico, estaria cheio da grana, seria o rei na quebrada.
Uma outra pessoa, interrompe a conversa, essa pessoa está insangüentada, dois furos na altura do peito, e outro na perna, ela se aproxima da pessoa desconhecida que conversa com Tevez:
- Por favor, é por aqui o caminho da luz?
- Não, mas posso te indicar onde é. - responde a pessoa desconhecida.
- Minha mãe, como vai ficar minha mãe agora!
- Calma apenas siga o caminho da luz.
Tevez entra em choque novamente, aquele era o neguinho que tinha lhe chamado no portão no dia do assalto ao banco. A pessoa desconhecida volta pra sala:
- Ele era bondoso com sua família, na certa terá um bom lugar na luz.
- Eu conheço esse rapaz, não é possível, ele é meu truta, ele morreu, não pode ser. - diz Tevez.
Tevez chora novamente.
- Calma Rafael, era a hora dele, a sua ainda não chegou, e pode até uma avalanche cair sobre a sua cabeça, que tu não irá embora ainda, tens uma missão na terra.
- Mentira, eu estou morto também, se eu sobesse teria me arriscado no assalto.
- Eu te livrei do assalto, se não agora estaria morto, ou na cadeia junto dos seus parceiros do crime.
- Então você era aquela voz, aquela voz me chamando dentro de mim?
- Sim Rafael, agora deixa eu voltar pra minha morada.
- Mas onde, onde tu moras?
- Rafael, eu gosto de ir em muitos lugares onde haja paz, mas minha morada é o seu coração, por isso te conheço, te conheço mais que você mesmo. Feche os olhos querido Rafael, você viverá!
Rafael fecha lentamente os olhos de sua alma, e volta a dormir, no estado de coma.
A pessoa desconhecida, o observa ainda mais um tempo.
Na manhã seguinte:
Ditinho entra na sala onde Tevez está internado. Deixa uma flor ao lado de Tevez, e diz baixinho no ouvido dele:
- Força parceiro, irá sobreviver, tenho fé em Deus.
A mão de Tevez aperta lentamente as mãos de Ditinho, nisso ele corre chamar o médico.
- È sério doutor, ele tocou minha mão, ele tocou e a apertou.
- Acho que o senhor teve apenas uma impressão, olha como ele dorme profundamente, deixa eu examinar ele.... é realmente ele ainda dorme, foi apenas uma impressão do senhor.
O médico se retira da sala, e Ditinho observa Tevez. Uma lágrima escorre de seus olhos. Ditinho vai até o ouvido de Tevez e diz:
- Eu sabia amigo, eu sabia que não me abandonaria agora, até logo amigo!
Ditinho deixa uma rosa, ao lado do corpo de Tevez, e se retira da sala.
Renato Vital é escritor
-
Está na Enfermaria do hospital. Não se lembra de nada, a última coisa que se lembra, é que saiu pra ir a casa de Ditinho, e viu um caminhão desgovernado vindo em sua direção. Tevez fica encabulado com a presença de uma pessoa na sala. Os demais pacientes dormem, só essa pessoa e Tevez estão acordados. Tevez pergunta:
- Doutor é você?
A pessoa se vira para ele, caminha em sua direção e senta na ponta de seu leito. A pessoa não para de observar pra ele. Tevez pergunta:
- E então doutor, o que aconteceu, como é que eu vim parar aqui, o que houve, quanto tempo faz que eu estou acordado?
- Calma Rafael, se acalma. -a pessoa responde.
- Mas como assim calma, que calma, estou aqui todo enfaixado, todo quebrado e me pede calma?
Só Então Tevez percebe que a pessoa não tem crachá nem nada, e está descalça, usa uma roupa de um pano reluzente branco e não para de sorrir para Rafael um só instante.
- Perai, você não é o doutor porra nenhuma, tá descalço e usando uma roupa esquisita, da onde é você carai?
- Rafael, tu sempre foi esse menino invocado, esse menino metido a bravo e mal, mas eu sei que é apenas uma máscara, e acho que chegou a hora de ela cair.
- Que cair o quê. Você é que tem que cair fora, se não eu grito a infermeira. Falando nisso como sabe meu nome?
- Olhe pra você mesmo Rafael, é apenas um menino, não irá chamar infermeira alguma, até mesmo por quê não pode abrir a boca.
Rafael ameaça rir, das coisas que a pessoa está falando, mas é interrompido:
- Rafael tente mover a perna por favor? - diz a pessoa misteriosa.
Rafael tenta de todas as formas mover as pernas mas não consegue, tenta gritar, mas a voz sai sem força, só ai toma um choque, ao perceber que está enxergando seu próprio corpo.
- Que porra é essa, como eu posso tá enxergando a mim mesmo , eu morri?
- Não você está em coma à três semanas, sua família já te considera praticamente morto, sua namorada está andando com outro homem, àlias ela nem acha mais que é sua namorada. Seu primo Ditinho é o único que acredita na sua sobrevivência, pra ter uma idéia, sua mãe já está juntando uns trocados pra fazer seu enterro e velório.
Tevez responde aos prantos:
- Cala a sua boca, maldita alma do inferno, você não sabe nada da minha vida, some daqui maldita, quero que vá pro inferno, isso é apenas um sonho, vou acordar e ter minha vida de novo.
- Não você não irá abrir os olhos agora, ela espera por você, mas ainda não chegou o momento.
- Ela quem, ela quem?
- Alguém te acordará com uma bíblia na mão, mas não se desesperes pra saber quem é, você já a conhece. Sua vida vai mudar, mas isso só depende de você Rafael.
- Vai o caralho, isso aqui não é novela não, eu vivo na periferia, onde o bicho pegar, quem poder mais chora menos, você não entende essas fitas, é só uma alma penada, que anda por ai atormentando os outros. Devia ter ido naquela fita, agora estaria rico, estaria cheio da grana, seria o rei na quebrada.
Uma outra pessoa, interrompe a conversa, essa pessoa está insangüentada, dois furos na altura do peito, e outro na perna, ela se aproxima da pessoa desconhecida que conversa com Tevez:
- Por favor, é por aqui o caminho da luz?
- Não, mas posso te indicar onde é. - responde a pessoa desconhecida.
- Minha mãe, como vai ficar minha mãe agora!
- Calma apenas siga o caminho da luz.
Tevez entra em choque novamente, aquele era o neguinho que tinha lhe chamado no portão no dia do assalto ao banco. A pessoa desconhecida volta pra sala:
- Ele era bondoso com sua família, na certa terá um bom lugar na luz.
- Eu conheço esse rapaz, não é possível, ele é meu truta, ele morreu, não pode ser. - diz Tevez.
Tevez chora novamente.
- Calma Rafael, era a hora dele, a sua ainda não chegou, e pode até uma avalanche cair sobre a sua cabeça, que tu não irá embora ainda, tens uma missão na terra.
- Mentira, eu estou morto também, se eu sobesse teria me arriscado no assalto.
- Eu te livrei do assalto, se não agora estaria morto, ou na cadeia junto dos seus parceiros do crime.
- Então você era aquela voz, aquela voz me chamando dentro de mim?
- Sim Rafael, agora deixa eu voltar pra minha morada.
- Mas onde, onde tu moras?
- Rafael, eu gosto de ir em muitos lugares onde haja paz, mas minha morada é o seu coração, por isso te conheço, te conheço mais que você mesmo. Feche os olhos querido Rafael, você viverá!
Rafael fecha lentamente os olhos de sua alma, e volta a dormir, no estado de coma.
A pessoa desconhecida, o observa ainda mais um tempo.
Na manhã seguinte:
Ditinho entra na sala onde Tevez está internado. Deixa uma flor ao lado de Tevez, e diz baixinho no ouvido dele:
- Força parceiro, irá sobreviver, tenho fé em Deus.
A mão de Tevez aperta lentamente as mãos de Ditinho, nisso ele corre chamar o médico.
- È sério doutor, ele tocou minha mão, ele tocou e a apertou.
- Acho que o senhor teve apenas uma impressão, olha como ele dorme profundamente, deixa eu examinar ele.... é realmente ele ainda dorme, foi apenas uma impressão do senhor.
O médico se retira da sala, e Ditinho observa Tevez. Uma lágrima escorre de seus olhos. Ditinho vai até o ouvido de Tevez e diz:
- Eu sabia amigo, eu sabia que não me abandonaria agora, até logo amigo!
Ditinho deixa uma rosa, ao lado do corpo de Tevez, e se retira da sala.
Renato Vital é escritor
-
16.3.10
Linha Guacuri - Jabaquara ( lotação)
Pra quem tem que pegar a linha Guacuri-Jabaquara, às seis horas da tarde, na praça do miriam, a situação tem sido dificil. Todos os dias as lotações, além de lotadas, não param nos pontos pra pegar passageiros ( pois as mesmas não conseguem acomodar mais passageiros, devida enorme lotação). Essa lotação é a única que faz esse caminho, talvez por isso a enorme lotação. A reclamação aqui, é que a prefeitura, deveria arrumar uma forma de contornar a situação, diminuindo o intervalo das lotações, ou até mesmo, criando alguma nova linha, que faça esse caminho. Os funcionários que trabalham nessas lotações, se estressam bastante nos horários de pico, ficando uma situação incomoda, tanto para o passageiro que chega tarde em casa, quanto para os funcionários, que muitas vezes ouvem reclamações que não cabem a eles. Também não estou criticando a administração das cooperativas pois sei, que não é um problema fácil de ser resolvido( se é que um dia chegará a ser resolvido), inda mais quando se trata de prefeitura de São Paulo.
Só gostaria de saber, quando é que seremos respeitados por essa prefeitura, que só aumenta o IPTU, e não resolve os problemas de transporte da cidade. A comunidade que precisa pegar essa lotação, exige melhora, espero que a prefeitura saiba contornar a situação.
Renato Vital escritor e revoltado com a situação.
13.3.10
Dinheiro, droga e fada madrinha
Hugo boy observa dentro do quarto. Sua mãe está dentro do quarto, dormindo, seu pai ainda não chegou, na certa está em algum bordel de luxo. Sua irmã foi pra balada com as amigas, e deve voltar lá pelas quatro da manhã. Hugo sente uma felicidade imensa. Retira a cápsula de dentro do bolso, joga em cima da cama, estica a carreirinha, e começa a inspirar. Mas que merda de vida era aquela, tanta gente na rua se divertindo, tanta gente nas baladas dançando, tanta gente conhecendo tanta gente, e ele, sozinho, só ele e seu pó.
Qual é o pó?
Aquele que a fada madrinha joga em volta dela, e faz com que façamos um pedido.
Qual é o pó?
Não é aquele que tiramos da cômoda suja, ou da televisão ou do que quer que seja.
Qual a razão?
Não existe razão.
Mas mesmo assim ele chama pela sua fada madrinha, e ela aparece. Se parece muito com a gostosa que viu na propoganda de cerveja da televisão.
- Olá Hugo, sou sua fada madrinha, o que deseja?
- Desejo uma família e uma vida nova.
- Isso não podes pedir pra mim garotão.
- Que tal uma chupada então, to doido de tesão por você.
- Isso também não, não sou sua prostituta, sou apenas sua fada madrinha. Todo filho de rico tem fada madrinha, esqueceu?
- Esqueci. Fodasse sua vadia, tira essa roupa.
- Hugo, calma lá, eu vim de tão longe, pra te conceder alguns pedidos, e me recebes assim.
- Essa tua cara de vadia nojenta não me engana, é a mesma cara de santinha, que as vadias lá da escola faz. Tá pensando o quê, eu quero droga! Tem droga pra nós, eu quero droga, pra mim e pros meus parceiros.
- Que parceiros Hugo, você está sozinho, só você e esse apartamento. Sua mãe te dá mesadas e seu pai sempre te dá dinheiro, por quê me pedis isso.
- Eu queria ver esses peitos grandes que você tem, mas já que você tá se fazendo de díficil, eu quero droga pra mim e pros meus parceiros, não está vendo eles sua piranha?
- Não tem ninguém aqui Hugo, só eu e você.
- Eu quero cocaína, pode me arrumar?
- Não Hugo, isso não posso te arrumar.
- Então some daqui sua vaca.
Dona Simone acorda com os gritos de Hugo, se assusta, sua casa estaria sendo assaltada? Ela grita por Hugo:
- Hugo você está bem?
Hugo não responde, entra no banheiro e fecha a porta, fica furioso, pois estava prestes a levar pra cama sua fada madrinha. Fica furioso, era tudo ilusão afinal.
- HUgo, filho, tá tudo bem ai?
Silêncio....
- Hugo tá tudo bem ai dentro?
- Não.
- Como assim não meu filho, algum problema?
- Preciso de dinheiro.
- Meu filho te arrumei cem reais, não faz nem três dias, o que está havendo?
- Preciso de dinheiro, pode me arrumar? Se não poder arrumo com o papai.
- Calma filho, só preciso saber pra que tanto dinheiro assim, isso não tá me cheirando bem.
- Vai arrumar o dinheiro?
- Vou, perai vou pegar minha bolsa.
Dona Simone fica desconfiada, mas imagina ser alguma gatinha, que Hugo esteja ficando por ai, talvez tanto dinheiro seja pra sustenar o relacionamento, afinal, as meninas de hoje em dia estão cada vez mais gananciosas.
- Tá aqui meu filho, algo mais?
- Não mãe, pode ir embora agora.
- Tudo bem, vou deixar o dinheiro em cima da escrivaninha viu, tchau.
- Tchau mãe.
Hugo sai do banheiro, pega o dinheiro em cima da escrivaninha, e sem falar nada sai pra rua. Sua mãe do quarto nem percebe, está discando no celular o número do seu funcionário exemplar: Ditinho. Hugo caminha pelas ruas, com destino certo. Agora tem dinheiro, pra o que tanto quer.
Renato Vital é escritor.
Qual é o pó?
Aquele que a fada madrinha joga em volta dela, e faz com que façamos um pedido.
Qual é o pó?
Não é aquele que tiramos da cômoda suja, ou da televisão ou do que quer que seja.
Qual a razão?
Não existe razão.
Mas mesmo assim ele chama pela sua fada madrinha, e ela aparece. Se parece muito com a gostosa que viu na propoganda de cerveja da televisão.
- Olá Hugo, sou sua fada madrinha, o que deseja?
- Desejo uma família e uma vida nova.
- Isso não podes pedir pra mim garotão.
- Que tal uma chupada então, to doido de tesão por você.
- Isso também não, não sou sua prostituta, sou apenas sua fada madrinha. Todo filho de rico tem fada madrinha, esqueceu?
- Esqueci. Fodasse sua vadia, tira essa roupa.
- Hugo, calma lá, eu vim de tão longe, pra te conceder alguns pedidos, e me recebes assim.
- Essa tua cara de vadia nojenta não me engana, é a mesma cara de santinha, que as vadias lá da escola faz. Tá pensando o quê, eu quero droga! Tem droga pra nós, eu quero droga, pra mim e pros meus parceiros.
- Que parceiros Hugo, você está sozinho, só você e esse apartamento. Sua mãe te dá mesadas e seu pai sempre te dá dinheiro, por quê me pedis isso.
- Eu queria ver esses peitos grandes que você tem, mas já que você tá se fazendo de díficil, eu quero droga pra mim e pros meus parceiros, não está vendo eles sua piranha?
- Não tem ninguém aqui Hugo, só eu e você.
- Eu quero cocaína, pode me arrumar?
- Não Hugo, isso não posso te arrumar.
- Então some daqui sua vaca.
Dona Simone acorda com os gritos de Hugo, se assusta, sua casa estaria sendo assaltada? Ela grita por Hugo:
- Hugo você está bem?
Hugo não responde, entra no banheiro e fecha a porta, fica furioso, pois estava prestes a levar pra cama sua fada madrinha. Fica furioso, era tudo ilusão afinal.
- HUgo, filho, tá tudo bem ai?
Silêncio....
- Hugo tá tudo bem ai dentro?
- Não.
- Como assim não meu filho, algum problema?
- Preciso de dinheiro.
- Meu filho te arrumei cem reais, não faz nem três dias, o que está havendo?
- Preciso de dinheiro, pode me arrumar? Se não poder arrumo com o papai.
- Calma filho, só preciso saber pra que tanto dinheiro assim, isso não tá me cheirando bem.
- Vai arrumar o dinheiro?
- Vou, perai vou pegar minha bolsa.
Dona Simone fica desconfiada, mas imagina ser alguma gatinha, que Hugo esteja ficando por ai, talvez tanto dinheiro seja pra sustenar o relacionamento, afinal, as meninas de hoje em dia estão cada vez mais gananciosas.
- Tá aqui meu filho, algo mais?
- Não mãe, pode ir embora agora.
- Tudo bem, vou deixar o dinheiro em cima da escrivaninha viu, tchau.
- Tchau mãe.
Hugo sai do banheiro, pega o dinheiro em cima da escrivaninha, e sem falar nada sai pra rua. Sua mãe do quarto nem percebe, está discando no celular o número do seu funcionário exemplar: Ditinho. Hugo caminha pelas ruas, com destino certo. Agora tem dinheiro, pra o que tanto quer.
Renato Vital é escritor.
11.3.10
Osvaldo ganha na loteria
- Eita hoje é o dia, fiz uma fezinha, daqui a pouco sai o resultado, ei, o moleque, sai da frente dessa tela. Deixa eu ver se já saiu os números. Poxa é hoje que eu tiro o pé da lama, o moleque cadê sua mãe?
- Tá assistindo tv lá na sala, aquela porra de big brother. Por quê o senhor não faz o mesmo?
- Se liga, ali eu só gosto de ver as morenas de rabo empinado na piscina, falando nisso se eu ganhar hoje, era só isso que eu ia ter, viver rodeado de mulher.
- I pai , vai tomar conta da mãe, que é tua mulher. Deixa de ser mulherengo safado.
- Me respeita muleque, desde quando se tá assim, já sei, desde que começou a catar aquela vadia lá do morro né. Eu sabia você só come puta mesmo, seu depravado.
- Pai esse fedo de cachaça tá insuportável, e to vendo que se vai tomar pelé de novo, nesse bolão da dona maria da lotérica. Ela sempre da pelé nos outros. Falando nisso, me arruma dez conto ai véio?
- Pra você comer qual vadia dessa vez hahahhahahaha. Toma aqui seu pai anda muito generoso, e vou ficar ainda mais, assim que acertar essas dezenas, você vai ver.
- Duvido?
- Coloca ai na página, se eu tiver ganho, dez por cento é seu.
- O véio tá caducando já, se liga véio, se ganha porra nenhuma nesses jogos.
- Se né homem não porra, coloca ai no site da Caixa, se eu ganhar dez por cento é seu.
- Tá bom véio chato.
- Vamos ver, confere ai véio: 03-04-05-07-09-10-12-16-18-19-20-21-22-23-25. E ai pai ganhou alguma coisa.... pai? pai? pai? tá me escutando porra?
- Mãe corre aqui o pai desmaiou, mãe chama a ambulância, pela amor de Deus o pai desmaiou, corre aqui rápido.
- Que isso meu filho, se seu pai desmaiou, foi de cachaça, mas isso logo passa.
- Não mãe, ele tava são aqui batendo um papo comigo, ai quando foi conferir o jogo dele, desmaiou, o véio envergou.
- Vou pegar o alcoól, já volto.
Um minuto depois...
- Porra sonhei, que tinha ganho mais de duzentos mil reais, e vocês tão olhando o que pra mim.... Puta que pariu! To rico carai! Porra! Eu te falei! Ai meu Deus!
- Desmaiou de novo, mas pelo menos vou ter meu carro zero.... Puta que pariu, vou ter meu carro zero, vou catar todas as vadias aqui da favela, to feito meu Deus!
- Poxa vida, e agora, esses dois desmaiados, e tudo por quê o Osvaldo acertou na Loto, não sei o que tem de mais, no mínimo daria pra gente sair da favela, morar num condomínio chique, tudo do bom e do melhor, só mordomia, eu não precisaria mais custurar, enfrentar a fila do SUS, ir pra igreja a pé ou de ônibus, aguentar esse vizinho maconheiro do Tevez, pegar meu filho dando amasso em vadia na minha sala, minha filha reclamando que não tem dinheiro pra ir pra balada, pra comprar roupa, calçados, poder assistir meu bispo favorito numa tv de tela plana e cristal líquido, ter as roupas melhores e mais caras, as mulheres da igreja me invejando, e, e, e,..... Puf.
Renato Vital é escritor
- Tá assistindo tv lá na sala, aquela porra de big brother. Por quê o senhor não faz o mesmo?
- Se liga, ali eu só gosto de ver as morenas de rabo empinado na piscina, falando nisso se eu ganhar hoje, era só isso que eu ia ter, viver rodeado de mulher.
- I pai , vai tomar conta da mãe, que é tua mulher. Deixa de ser mulherengo safado.
- Me respeita muleque, desde quando se tá assim, já sei, desde que começou a catar aquela vadia lá do morro né. Eu sabia você só come puta mesmo, seu depravado.
- Pai esse fedo de cachaça tá insuportável, e to vendo que se vai tomar pelé de novo, nesse bolão da dona maria da lotérica. Ela sempre da pelé nos outros. Falando nisso, me arruma dez conto ai véio?
- Pra você comer qual vadia dessa vez hahahhahahaha. Toma aqui seu pai anda muito generoso, e vou ficar ainda mais, assim que acertar essas dezenas, você vai ver.
- Duvido?
- Coloca ai na página, se eu tiver ganho, dez por cento é seu.
- O véio tá caducando já, se liga véio, se ganha porra nenhuma nesses jogos.
- Se né homem não porra, coloca ai no site da Caixa, se eu ganhar dez por cento é seu.
- Tá bom véio chato.
- Vamos ver, confere ai véio: 03-04-05-07-09-10-12-16-18-19-20-21-22-23-25. E ai pai ganhou alguma coisa.... pai? pai? pai? tá me escutando porra?
- Mãe corre aqui o pai desmaiou, mãe chama a ambulância, pela amor de Deus o pai desmaiou, corre aqui rápido.
- Que isso meu filho, se seu pai desmaiou, foi de cachaça, mas isso logo passa.
- Não mãe, ele tava são aqui batendo um papo comigo, ai quando foi conferir o jogo dele, desmaiou, o véio envergou.
- Vou pegar o alcoól, já volto.
Um minuto depois...
- Porra sonhei, que tinha ganho mais de duzentos mil reais, e vocês tão olhando o que pra mim.... Puta que pariu! To rico carai! Porra! Eu te falei! Ai meu Deus!
- Desmaiou de novo, mas pelo menos vou ter meu carro zero.... Puta que pariu, vou ter meu carro zero, vou catar todas as vadias aqui da favela, to feito meu Deus!
- Poxa vida, e agora, esses dois desmaiados, e tudo por quê o Osvaldo acertou na Loto, não sei o que tem de mais, no mínimo daria pra gente sair da favela, morar num condomínio chique, tudo do bom e do melhor, só mordomia, eu não precisaria mais custurar, enfrentar a fila do SUS, ir pra igreja a pé ou de ônibus, aguentar esse vizinho maconheiro do Tevez, pegar meu filho dando amasso em vadia na minha sala, minha filha reclamando que não tem dinheiro pra ir pra balada, pra comprar roupa, calçados, poder assistir meu bispo favorito numa tv de tela plana e cristal líquido, ter as roupas melhores e mais caras, as mulheres da igreja me invejando, e, e, e,..... Puf.
Renato Vital é escritor
10.3.10
Você voltou
Você voltou
Eu nem tinha notado sua falta
Você voltou
Não me faça dar risada
Você voltou
Eu que achei que já era lucro
Você voltou
Eu achei que já tinha ido pro reino dos pés juntos
Mas não você voltou
Voltou e teimou
Teimou em tirar a vaga de alguém mas sagaz
Teimou em tirar a vaga de alguém mas Tenaz
Você voltou
Com seu biquinho e seus selinhos
Você voltou, teimou e voltou
E eu que sonhava com algo a vista
Um programa mais realista
Vou ter que manter a tv desligada
Quando você tiver conectada
Você voltou e vou ter que ouvir mais uma vez
" Mas que gracinha!"
Mas que bela porcaria
Você voltou
E eu que já tinha me acostumado
Em não ver mais uma abobrinha
Você voltou e eu fui
Desliguei a tv e fui ler um livro
Hebe Camargo.
Eu nem tinha notado sua falta
Você voltou
Não me faça dar risada
Você voltou
Eu que achei que já era lucro
Você voltou
Eu achei que já tinha ido pro reino dos pés juntos
Mas não você voltou
Voltou e teimou
Teimou em tirar a vaga de alguém mas sagaz
Teimou em tirar a vaga de alguém mas Tenaz
Você voltou
Com seu biquinho e seus selinhos
Você voltou, teimou e voltou
E eu que sonhava com algo a vista
Um programa mais realista
Vou ter que manter a tv desligada
Quando você tiver conectada
Você voltou e vou ter que ouvir mais uma vez
" Mas que gracinha!"
Mas que bela porcaria
Você voltou
E eu que já tinha me acostumado
Em não ver mais uma abobrinha
Você voltou e eu fui
Desliguei a tv e fui ler um livro
Hebe Camargo.
5.3.10
Não quero virar memória
Porra mano, que é que aquele mané veio me falar?! Eu sou homem carai, fodasse o resto, o assalto a banco vai trazer o meu progresso.
Eu vou nessa missão, preciso dessa grana, essa fita vai me tirar da lama.
" Eu quase acreditei que o crime seria a saída, pros problemas que eu tinha pra desgraça da minha vida... "
De qualquer forma eu vou pra ação, daqui a pouco os parceiros cola na parada, tá tudo em cima, não tem como fraquejar de última hora. Minha mina vai me dar mais atenção, ela vai ter tudo do bom e do melhor. Meu futuro filho, não vai ser que nem os moleque aqui da quebrada, joelho ralado e canela cinzenta, meu filho vai ter tudo o que eu não tive.
" ...Cuzão de cherokee não vai rir nem aplaudir, o meu pulso algemado, nem me ver no IML..."
- Alô Ditinho, é hoje irmão, tá tudo em cima, não tem como dar errado. Vou pro arrebento mano.
- Mano pensa bem cara, graças a minha mina eu parei com as fitas, graças ao amor eu parei com as fitas, graças a tudo que é há bom na vida, eu parei com isso.
- Conversa de jão do carai a sua, no final da contas, se vai terminar é assim mesmo, passar a vida inteira trampando de Office-boy, sustentando a mulher os filhos, e no final da vida, vai vender tapioca na pracinha ou vai vender churrasquinho pros pinguço. Eu quero a boa carai, depois dessa quem sabe eu paro, ou então eu posso investir. Como investidor eu sou bom, compro dois quilos de maconha e dois de farinha, vou ser patrão. Quem sabe eu te arrumo uma vaguinha, nos meus negócios, ai você também tira o pé da lama.
- Para com essas conversas rapaz, a vida dá voltas, não se ilude, que você vai acabar é dando dor de cabeça pra sua mãe, ou então com terra nos zóio.
- Vou o carai, o lá, tão me chamando no portão, agora já era jão, vou partir pra ação, que Deus me ajude.
Tevez coloca a 765 na cintura, pega a chave da sua moto, e alguém chama a sua voz:
- Tevez, Tevez, Tevez, Tevez....
Alguém chama seu nome desesperadamente, ele não reconhece a voz, mas percebe que a voz vem de dentro de si.
- Tevez, tevez, tevez.
- Quem é carai?
- Seu coração, eu ainda pulso dentro de você.
- Não é possível mano, acho que foi a maconha que eu fumei ontem, tá fazendo efeito ainda....
- Tevez cuidado com as falsas amizades, elas vão te arrastar!
- Puta que pariu mano, será que o Ditinho tá certo mano, eu nunca senti esse barato.
Tevez coloca a cabeça pra fora do barraco. Dois malucos de moto, dois carros e muita disposição o esperam, álias, na favela o seu conceito era 100%, não poderia ramelar no último instante. Mas ramelou.
- Aê pessoal, algo está me dizendo que isso vai dar zica, e eu... não vai dar pra eu ir não.
- Eai cara, para com essa besteira do caralho, virou cuzão agora, pipocou vacilão.
- Não é isso mano, é que não vai dar tá ligado, meu sexto sentido tá me dizendo.
- Se tá errado mano, sua vida vai mudar, se liga, se vai se montar, você merece, sempre quiz isso, e lutou, não vai deixar a peteca cair agora né.
- Sem chance mano, eu sei que é mancada e pá, mas não vai dar, vão com Deus vocês, que eu sigo meu caminho aqui.
- Que caminho cara, logo mais se tá roubando outro lugar, tá com medo por que a fita é grande, mas ai, a gente tá com pressa, e não é por causa de um otário que nem você que a gente vai parar, falou mané.
Tevez engoliu a seco os insultos, sentou numa cadeira, e sem entender o por quê, lágrimas cairam de seus olhos, e se sentiu mais leve. Doeu mais que um tapa na cara, ser tirado de pipoca, mas doeu menos que um tiro de fuzzil. Tevez ainda pensou em ir atrás dos manos, mas a palavra já tinha voltado, e perderam a confiança nele. Antes de pensar qualquer outra coisa, um verso, de um grupo de RAP que ele gostava, invadiu seu barraco:
" Não quero virar memória, nem ficar pra história, a minha vida vale mais que uma simples tragetória..."
Tevez pensou em sua mãe, em sua mina, na mina que esbarrou no dia anterior, sua mente entrou em confusão. Pegou as chaves da moto e saiu. Acelerou até a casa de Ditinho, tinha que conversar com ele, pra rever sua vida.
Renato Vital é escritor.
Esse eu escrevi em homenagem ao grupo A286, em especial ao mano Moisés A286. Esse conto não altera em nada a trajetória dos personagens.
Leia: Herman Hesse, vai fazer bem pro seu coração.
Eu vou nessa missão, preciso dessa grana, essa fita vai me tirar da lama.
" Eu quase acreditei que o crime seria a saída, pros problemas que eu tinha pra desgraça da minha vida... "
De qualquer forma eu vou pra ação, daqui a pouco os parceiros cola na parada, tá tudo em cima, não tem como fraquejar de última hora. Minha mina vai me dar mais atenção, ela vai ter tudo do bom e do melhor. Meu futuro filho, não vai ser que nem os moleque aqui da quebrada, joelho ralado e canela cinzenta, meu filho vai ter tudo o que eu não tive.
" ...Cuzão de cherokee não vai rir nem aplaudir, o meu pulso algemado, nem me ver no IML..."
- Alô Ditinho, é hoje irmão, tá tudo em cima, não tem como dar errado. Vou pro arrebento mano.
- Mano pensa bem cara, graças a minha mina eu parei com as fitas, graças ao amor eu parei com as fitas, graças a tudo que é há bom na vida, eu parei com isso.
- Conversa de jão do carai a sua, no final da contas, se vai terminar é assim mesmo, passar a vida inteira trampando de Office-boy, sustentando a mulher os filhos, e no final da vida, vai vender tapioca na pracinha ou vai vender churrasquinho pros pinguço. Eu quero a boa carai, depois dessa quem sabe eu paro, ou então eu posso investir. Como investidor eu sou bom, compro dois quilos de maconha e dois de farinha, vou ser patrão. Quem sabe eu te arrumo uma vaguinha, nos meus negócios, ai você também tira o pé da lama.
- Para com essas conversas rapaz, a vida dá voltas, não se ilude, que você vai acabar é dando dor de cabeça pra sua mãe, ou então com terra nos zóio.
- Vou o carai, o lá, tão me chamando no portão, agora já era jão, vou partir pra ação, que Deus me ajude.
Tevez coloca a 765 na cintura, pega a chave da sua moto, e alguém chama a sua voz:
- Tevez, Tevez, Tevez, Tevez....
Alguém chama seu nome desesperadamente, ele não reconhece a voz, mas percebe que a voz vem de dentro de si.
- Tevez, tevez, tevez.
- Quem é carai?
- Seu coração, eu ainda pulso dentro de você.
- Não é possível mano, acho que foi a maconha que eu fumei ontem, tá fazendo efeito ainda....
- Tevez cuidado com as falsas amizades, elas vão te arrastar!
- Puta que pariu mano, será que o Ditinho tá certo mano, eu nunca senti esse barato.
Tevez coloca a cabeça pra fora do barraco. Dois malucos de moto, dois carros e muita disposição o esperam, álias, na favela o seu conceito era 100%, não poderia ramelar no último instante. Mas ramelou.
- Aê pessoal, algo está me dizendo que isso vai dar zica, e eu... não vai dar pra eu ir não.
- Eai cara, para com essa besteira do caralho, virou cuzão agora, pipocou vacilão.
- Não é isso mano, é que não vai dar tá ligado, meu sexto sentido tá me dizendo.
- Se tá errado mano, sua vida vai mudar, se liga, se vai se montar, você merece, sempre quiz isso, e lutou, não vai deixar a peteca cair agora né.
- Sem chance mano, eu sei que é mancada e pá, mas não vai dar, vão com Deus vocês, que eu sigo meu caminho aqui.
- Que caminho cara, logo mais se tá roubando outro lugar, tá com medo por que a fita é grande, mas ai, a gente tá com pressa, e não é por causa de um otário que nem você que a gente vai parar, falou mané.
Tevez engoliu a seco os insultos, sentou numa cadeira, e sem entender o por quê, lágrimas cairam de seus olhos, e se sentiu mais leve. Doeu mais que um tapa na cara, ser tirado de pipoca, mas doeu menos que um tiro de fuzzil. Tevez ainda pensou em ir atrás dos manos, mas a palavra já tinha voltado, e perderam a confiança nele. Antes de pensar qualquer outra coisa, um verso, de um grupo de RAP que ele gostava, invadiu seu barraco:
" Não quero virar memória, nem ficar pra história, a minha vida vale mais que uma simples tragetória..."
Tevez pensou em sua mãe, em sua mina, na mina que esbarrou no dia anterior, sua mente entrou em confusão. Pegou as chaves da moto e saiu. Acelerou até a casa de Ditinho, tinha que conversar com ele, pra rever sua vida.
Renato Vital é escritor.
Esse eu escrevi em homenagem ao grupo A286, em especial ao mano Moisés A286. Esse conto não altera em nada a trajetória dos personagens.
Leia: Herman Hesse, vai fazer bem pro seu coração.
3.3.10
Cervejaria? logo eu que não bebo.
Ditinho avista a fachada da cervejaria. Belas instalações, pra belos cartões de crédito, talões de cheque especial e carteiras recheadas de grana. Um segurança avista Ditinho se aproximando, e como Ditinho tem cara de periferia, o alarme do preconceito dispara. "É feio, preto e pobre, Q.R.U à vista".
O segurança se aproxima:
- Pois não senhor, posso ajudar?
- Pode começar me arrumando uma mesa.
- O senhor já é cliente da casa?
- Não, mas não me enche o saco, eu sei que você tá perguntando isso, por causa das minhas roupas e do meu jeito, mas não se preocupe, não vou demorar nessa merda.
- Se for pra arrumar confusão, o senhor pode se retirar.
- Oras, sem problemas, vem me tirar.
Quando o segurança partia pra cima de Ditinho, dona Simone chegou, e ai a conversa mudou de figura e de molde:
- Pois não senhora, estamos tendo um problema com esse cidadão, ele por acaso é seu amigo?
- Sim é meu amigo. Me acompanhe Ditinho.
Dona Simone estava impecável, tomou um banho de loja e passou amanhã inteira no cabelereiro.
- Nossa a senhora está linda, tudo isso pra uma simples conversa?
- Você é especial pra mim Ditinho, mas antes de mais nada, vamos nos sentar.
- Sim claro.
O segurança permanece na porta, e não para de encarar Ditinho, o que não acontece com Dona Simone, o garçom se aproxima e pergunta:
- E então o que vai ser hoje?
- Duas taças de chopp por favor, e uma porção de... o que você quer Dito?
- Num sei, a senhora quem sabe, o que vier agradeço de coração.
- Agora sim tenho certeza, você é realmente encantador, garçom traga as duas taças de chopp e a melhor porção que tiver.
- Sim senhora.
Dona Simone olha pra Ditinho, com um olhar que ele já conhece, mas não se atreve a comentar. Uma ligação e Dona Simone atende:
- To aqui no trabalho, resolvi fazer um extra hoje, sim, sim, eu sei que tá tudo bem. Beijos tchau. Era o Magalhães, com a mesma conversinha torta de sempre.
- Tá tudo bem entre vocês dois?
- Tudo péssimo Ditinho, foi pra isso mesmo que eu te chamei aqui. Sabe as coisas não vão muito bem em casa. Isso não tem nada haver com seu serviço, mas tenho uma outra proposta pra te fazer.
- Outra proposta, do que se trata, um horário novo, um cargo novo?
- Mais ou menos....
O garçom chega, coloca os dois chopps em cima da mesa, esfrega as mãos, pois a gorjeta seria gorda. Logo em seguida chega a porção.
- Sabe, eu to precisando de carinho, não é fácil, segunda a sexta, trabalhar naquele stress de empresa, eu to precisando... eu to precisando... eu to precisando de você.
Ditinho sente um choque, tipo uma pontada no peito, se lembra da namorada que tá em casa. Nunca havia traído ela, outras já havia traido, mas elas também não prestavam. Essa era diferente, ele a amava. Dona Simone coloca as mãos sobre as de Ditinho, que soa frio.
- E então, não vai tomar seu chopp.
- É que não sou muito de beber, mas não vou fazer desfeita não.
- Por quê não me disse, eu pedia leite pra você hahahha.
- Hahahahah, também não é pra tanto.
- E então, como que vai ser?
- Sabe dona Simone, nunca trai a Beth, não é fácil isso sabe, ela não merece, dá pra entender.
- Eu sou feia, é isso que se quer dizer?
- Não, não é isso.
- Ditinho, quem você quer enganar, vai dizer que nunca traiu ela, eu que sou besta que nunca trai Magalhães, mesmo aquele corno merecendo.
- Calma dona Simone.
- Que calma que nada, eu to conversando com você sério entende, não é palhaçada, eu preciso de você.
- Dona Simone não vai dar.
- Tudo bem se tá precisando pensar né.
- Nã.....
- Calado, nem mais uma palavra.
- Vou te dar uns dias pra pensar.
Terminaram de tomar o chopp, o garçom recebeu sua gorjeta gorda, dez reais. Na saída o mesmo segurança, tornou a encarar Ditinho, ele discretamente lhe mostrou o dedo médio. O segurança ficou bufando de raiva.
- Será que pelo menos uma carona eu posso te dar.
- Pode, sem problemas.
Dona Simone mais uma vez tornou a seduzir Ditinho, abaixando o zíper da blusa e mostrando o decote.
- Ditinho, garanto que semana que vem vai ser diferente, você vai estar mais solto, e vai topar algo diferente comigo.
Silêncio de Ditinho. Ditinho desce do carro de Dona Simone, e antes de ele tomar o rumo de sua casa, ela ainda diz piscando os olhos:
- Pensa com carinho tá, até.
- Até mais, obrigado pela carona.
Ditinho vai pra casa, pensando no ocorrido, e pensando em sua namorada.
Renato Vital é escritor.
O segurança se aproxima:
- Pois não senhor, posso ajudar?
- Pode começar me arrumando uma mesa.
- O senhor já é cliente da casa?
- Não, mas não me enche o saco, eu sei que você tá perguntando isso, por causa das minhas roupas e do meu jeito, mas não se preocupe, não vou demorar nessa merda.
- Se for pra arrumar confusão, o senhor pode se retirar.
- Oras, sem problemas, vem me tirar.
Quando o segurança partia pra cima de Ditinho, dona Simone chegou, e ai a conversa mudou de figura e de molde:
- Pois não senhora, estamos tendo um problema com esse cidadão, ele por acaso é seu amigo?
- Sim é meu amigo. Me acompanhe Ditinho.
Dona Simone estava impecável, tomou um banho de loja e passou amanhã inteira no cabelereiro.
- Nossa a senhora está linda, tudo isso pra uma simples conversa?
- Você é especial pra mim Ditinho, mas antes de mais nada, vamos nos sentar.
- Sim claro.
O segurança permanece na porta, e não para de encarar Ditinho, o que não acontece com Dona Simone, o garçom se aproxima e pergunta:
- E então o que vai ser hoje?
- Duas taças de chopp por favor, e uma porção de... o que você quer Dito?
- Num sei, a senhora quem sabe, o que vier agradeço de coração.
- Agora sim tenho certeza, você é realmente encantador, garçom traga as duas taças de chopp e a melhor porção que tiver.
- Sim senhora.
Dona Simone olha pra Ditinho, com um olhar que ele já conhece, mas não se atreve a comentar. Uma ligação e Dona Simone atende:
- To aqui no trabalho, resolvi fazer um extra hoje, sim, sim, eu sei que tá tudo bem. Beijos tchau. Era o Magalhães, com a mesma conversinha torta de sempre.
- Tá tudo bem entre vocês dois?
- Tudo péssimo Ditinho, foi pra isso mesmo que eu te chamei aqui. Sabe as coisas não vão muito bem em casa. Isso não tem nada haver com seu serviço, mas tenho uma outra proposta pra te fazer.
- Outra proposta, do que se trata, um horário novo, um cargo novo?
- Mais ou menos....
O garçom chega, coloca os dois chopps em cima da mesa, esfrega as mãos, pois a gorjeta seria gorda. Logo em seguida chega a porção.
- Sabe, eu to precisando de carinho, não é fácil, segunda a sexta, trabalhar naquele stress de empresa, eu to precisando... eu to precisando... eu to precisando de você.
Ditinho sente um choque, tipo uma pontada no peito, se lembra da namorada que tá em casa. Nunca havia traído ela, outras já havia traido, mas elas também não prestavam. Essa era diferente, ele a amava. Dona Simone coloca as mãos sobre as de Ditinho, que soa frio.
- E então, não vai tomar seu chopp.
- É que não sou muito de beber, mas não vou fazer desfeita não.
- Por quê não me disse, eu pedia leite pra você hahahha.
- Hahahahah, também não é pra tanto.
- E então, como que vai ser?
- Sabe dona Simone, nunca trai a Beth, não é fácil isso sabe, ela não merece, dá pra entender.
- Eu sou feia, é isso que se quer dizer?
- Não, não é isso.
- Ditinho, quem você quer enganar, vai dizer que nunca traiu ela, eu que sou besta que nunca trai Magalhães, mesmo aquele corno merecendo.
- Calma dona Simone.
- Que calma que nada, eu to conversando com você sério entende, não é palhaçada, eu preciso de você.
- Dona Simone não vai dar.
- Tudo bem se tá precisando pensar né.
- Nã.....
- Calado, nem mais uma palavra.
- Vou te dar uns dias pra pensar.
Terminaram de tomar o chopp, o garçom recebeu sua gorjeta gorda, dez reais. Na saída o mesmo segurança, tornou a encarar Ditinho, ele discretamente lhe mostrou o dedo médio. O segurança ficou bufando de raiva.
- Será que pelo menos uma carona eu posso te dar.
- Pode, sem problemas.
Dona Simone mais uma vez tornou a seduzir Ditinho, abaixando o zíper da blusa e mostrando o decote.
- Ditinho, garanto que semana que vem vai ser diferente, você vai estar mais solto, e vai topar algo diferente comigo.
Silêncio de Ditinho. Ditinho desce do carro de Dona Simone, e antes de ele tomar o rumo de sua casa, ela ainda diz piscando os olhos:
- Pensa com carinho tá, até.
- Até mais, obrigado pela carona.
Ditinho vai pra casa, pensando no ocorrido, e pensando em sua namorada.
Renato Vital é escritor.
28.2.10
Tevez: o bagulho é o seguinte...
Bom! Na linguagem da malandragem, não tem nem assim, nem assado. È papo reto, por que segundo eles, papo de homem não faz curva. Tevez sabia disso, e enquanto manipulava sua 765, pensava no assalto que fariam semana que vem. Porra ia ser muito dinheiro, daria pra comprar uma hornet, uma goma da hora na favela, e quem sabe realizar seu sonho: casar-se com Daiane.
Daiane era o tipo de mulher desinteressada. Toda vez que ele chegava na casa dela, estava deitada no sofá assistindo aqueles programas da tarde, que sempre falavam de fofocas inúteis de pseudos-artistas. Ele namora com ela, desde que terminou com sua ex-namorada, uma vagabunda sem escrúpulos, que sempre tentava o apunhalar pelas costas. Iam completar um ano e meio de namoro no próximo mês, ele estava tentando continuar com ela, pois sonhava se casar com ela. Uma dia Ditinho zoou com ele:
- Eai vagabundo, que deu em você, casar!? - Você está louco, nunca foi disso.
- Que nada mano, vagabundo também ama, tá ligado.
- E quem disse que se ama essa mina?
- Num sei mano, to tentando descobrir.
Tevez ouve alguém lhe chamar no portão de sua casa, Olha por uma fresta em sua porta, só ai abre a porta.
- Eai mano, é amanhã a fita, o patrão perguntou se tá tudo em cima da sua parte?
- Com certeza, pode pá que é o seguinte mano, vai dar tudo certinho parceiro.
- Olha lá heim mano, malandro que é malandro não dá pra trás não ei tio.
- To ligado, pode ficar de boa.
- Firmeza, agora dá licença ai certo tiozão, tenho que resolver umas fitas ali embaixo.
- Suave irmão, vai nessa.
- Certo.
Tevez fecha a porta; vai até a geladeira; um vazio imenso; fecha a geladeira pega sua carteira, e vai até a padaria, comprar pão, leite e umas cerveja pra acalmar cerveja.
Caminhando pela calçada escuta uma gritaria ali perto, não era nem seis horas e já tinha começado. Agora isso acontecia três vezes ao dia e nunca falhava.
A igreja Benção da quebrada estava lotada, os negócios estavam prósperos para o pastor Seu Dízimo. Abrira a igreja não faziam nem seis meses, e como era insistente, os fiéis aumentavam cada dia mais. Seu dízimo gritava no culto: - Irmãos, o inimigo atenta, sejam fortes, leiam a bíblia, verão que a igreja proverá. E após as palavras de Seu dízimo a euforia do povo era tremenda: Ohhhh Glória!!! Aleluia irmão!!! Tá amarrado o inimigo!!!! Misericórdia!!!!!
Toda essas coisa passariam batido pra Tevez, se não fosse uma coisa que marcaria sua vida pra sempre. Vinha caminhando pela calçada, e não viu uma moça que vinha do sentido oposto, os dois se esbarraram, tropeçaram e cairam no chão:
- Olha pra onde anda caralho!
- Olha você ignorante imbecil!
Quando Tevez a encarou, ficou pálido, nunca tinha vista uma mulher tão linda em sua vida. Pediu lhe desculpas, e na seqüencia tentou balbuciar algumas palavras, mas elas não saiam.
- Tudo bem moço, está desculpado.
A moça saiu caminhando, e entrou na igreja, antes, olhou pra trás e sorriu para Tevez, um sorriso sem malícia, do tipo que te faz simpatizar na hora.
Tevez aquela noite, que antecedia o assalto não dormiu, por causa do assalto, e por causa do encontro que teve com aquela moça.
Renato Vital é escritor.
Daiane era o tipo de mulher desinteressada. Toda vez que ele chegava na casa dela, estava deitada no sofá assistindo aqueles programas da tarde, que sempre falavam de fofocas inúteis de pseudos-artistas. Ele namora com ela, desde que terminou com sua ex-namorada, uma vagabunda sem escrúpulos, que sempre tentava o apunhalar pelas costas. Iam completar um ano e meio de namoro no próximo mês, ele estava tentando continuar com ela, pois sonhava se casar com ela. Uma dia Ditinho zoou com ele:
- Eai vagabundo, que deu em você, casar!? - Você está louco, nunca foi disso.
- Que nada mano, vagabundo também ama, tá ligado.
- E quem disse que se ama essa mina?
- Num sei mano, to tentando descobrir.
Tevez ouve alguém lhe chamar no portão de sua casa, Olha por uma fresta em sua porta, só ai abre a porta.
- Eai mano, é amanhã a fita, o patrão perguntou se tá tudo em cima da sua parte?
- Com certeza, pode pá que é o seguinte mano, vai dar tudo certinho parceiro.
- Olha lá heim mano, malandro que é malandro não dá pra trás não ei tio.
- To ligado, pode ficar de boa.
- Firmeza, agora dá licença ai certo tiozão, tenho que resolver umas fitas ali embaixo.
- Suave irmão, vai nessa.
- Certo.
Tevez fecha a porta; vai até a geladeira; um vazio imenso; fecha a geladeira pega sua carteira, e vai até a padaria, comprar pão, leite e umas cerveja pra acalmar cerveja.
Caminhando pela calçada escuta uma gritaria ali perto, não era nem seis horas e já tinha começado. Agora isso acontecia três vezes ao dia e nunca falhava.
A igreja Benção da quebrada estava lotada, os negócios estavam prósperos para o pastor Seu Dízimo. Abrira a igreja não faziam nem seis meses, e como era insistente, os fiéis aumentavam cada dia mais. Seu dízimo gritava no culto: - Irmãos, o inimigo atenta, sejam fortes, leiam a bíblia, verão que a igreja proverá. E após as palavras de Seu dízimo a euforia do povo era tremenda: Ohhhh Glória!!! Aleluia irmão!!! Tá amarrado o inimigo!!!! Misericórdia!!!!!
Toda essas coisa passariam batido pra Tevez, se não fosse uma coisa que marcaria sua vida pra sempre. Vinha caminhando pela calçada, e não viu uma moça que vinha do sentido oposto, os dois se esbarraram, tropeçaram e cairam no chão:
- Olha pra onde anda caralho!
- Olha você ignorante imbecil!
Quando Tevez a encarou, ficou pálido, nunca tinha vista uma mulher tão linda em sua vida. Pediu lhe desculpas, e na seqüencia tentou balbuciar algumas palavras, mas elas não saiam.
- Tudo bem moço, está desculpado.
A moça saiu caminhando, e entrou na igreja, antes, olhou pra trás e sorriu para Tevez, um sorriso sem malícia, do tipo que te faz simpatizar na hora.
Tevez aquela noite, que antecedia o assalto não dormiu, por causa do assalto, e por causa do encontro que teve com aquela moça.
Renato Vital é escritor.
26.2.10
cinco dias de molho
Estarei uns três dias de molho, machuquei o meu braço. Mas logo volto com os contos de Ditinho, e também com outros posts. É nóis.
22.2.10
Hugo Boy
- Porra mano, onde se arrumou tudo isso.
- Lá perto de casa tem uma biqueira, é só descer umas vielas.
- Vichê cara, se mora na favela? mas se tem cara de boy?
- Ichê mano, tá tirando, boy é você, sua mãe é patroa, e seu pai é magnata jão.
- I cara, deixa meus coroa de lado, o assunto é entre nós dois.
- To ligado, mas num vem dar uma de canalha não, passa a grana pra cá.
- Grana é o que não falta meu irmão, tá aqui ó, cinqüenta reais.
- Assim que eu gosto, até mais playboy...
- Playboy não mano, eu dou um duro danado na vida também.
- Que duro vacilão? Se faz natação, Judô, Inglê e Espanhol, tem shopping center todo final de semana, tem roupa de marca e os carai, se liga mané, você é playboy mesmo.
- Calma, calma irmão, não quiz ofender e tal.
- Calma um carai, sabe quem limpou a merda que você cagava? as tiazinhas, tipo as que tem na quebrada, que limpa bunda de rico. Sabe quem limpa o apartamento duplex que você mora? Pessoas que nem minha mãe, que trabalharam a vida inteira, pra manter o conforto de rico, playboy filho da puta, e agora, não tem se quer um fusca pra andar, isso quando tem o que comer. Então playboy, usa essa porra desse pó, vê se me erra, e se caso quiser mais, liga no meu celular, sacou?
- Calma brother, se tá acelerado hoje, tá nervoso, se acalma ai...
- Brother o caralho, num sou seu irmão, não sou irmão de vacilão que nem você.
- Tá certo então, tirou o dia hoje pra esculachar.
- Você que começou, fica de boa na sua então, que eu tenho uma fita pra fazer ainda hoje lá na quebrada. È parada grande, não é pra qualquer otário não firmeza.
- Falou então, que agora eu vou esticar essa daqui.
- Falou mané.
Hugo boy pensa em sua mãe, Simone, que lhe criou com mimos e agrados, apesar de nem sempre lhe dar atenção, e em seu pai, um magnata que poucas vezes lhe olhou com afeto e saiu junto com ele pra brincar no parque. Hugo se lembra também de sua irmã, estava virando uma vadia que nem aquelas minas, que tinham em sua escola.
Hugo se lembra de sua vida, cheia de compromissos, mas que ele sentia tão vazia.
Estica uma carreira de cocaína, afina a carreira com um cartão, e com uma nota de dez enrolada no formato de um canudo, começa a inspirar o pó pra suas narinas. Ele inclina a cabeça pra trás, e agora parece estar em outro mundo. Hoje resolveu usar sozinho, a maioria de seus colegas, que usavam com ele, muitas vezes só queriam se aproveitar de sua boa vontade.
Hugo ainda tinha uma tarde pela frente, eram apenas três horas, e ele já estava completamente alucinado. No final das duas cápsulas que usou, estava brisado, se escorou numa parede, e ficou olhando pro teto, tentando encontrar respostas para as suas mais complicadas perguntas.
Saiu do local onde estava, e começou a caminhar pelas ruas, daquele bairro nobre, caminhou a tarde inteira sem eira nem beira. Quando se deu conta já eram sete horas da noite, hora de voltar pra casa, tomou o rumo de casa. Seus pais ainda não estariam lá, só sua irmã, mas ela ficava grudada no telefone o tempo inteiro, falando asneiras com suas amigas, ou então, falando abobrinha com algum macho.
Chegou em casa, passou pelo quarto de sua irmã, que estava pendurada no telefone, entrou no seu quarto, pegou seu mp12 e começou a escutar rock´roll no último volume.
Hugo queria mais, qual desculpa dar agora: " Mãe, a professora pediu um trabalho de última hora, me arruma vinte reais. " ou então " Mãe, preciso comprar um tênis novo.".
A última opção não era muito boa, pois ela poderia querer comprar no cartão, e no cartão não daria pra comprar o pó. Reco-Reco com certeza lhe mandaria tomar no cú, se pedisse fiado. Viu a mochila da irmã jogada em cima do sofá, a espreitou dentro do quarto, estava só de calcinha e sutiã, com a bunda empinada e falando besteiras com as amigas. Hugo achava sua irmã atraente, mas sempre que vinha esse pensamento na cabeça dele, ele virava o rosto e pensava em outra coisa.
Aproveitou que sua irmã estava distraída, e começou a fuçar na mochila dela. Enfim conseguiu o que queria, achou dez reais no bolso exterior da mochila, escondeu os dez reais, caminhou lentamente até o seu quarto e fechou a porta. olhou a nota de dez reais e vibrou por ter conseguido, o dinheiro pro pó do dia seguinte.
Renato Vital é escritor.
- Lá perto de casa tem uma biqueira, é só descer umas vielas.
- Vichê cara, se mora na favela? mas se tem cara de boy?
- Ichê mano, tá tirando, boy é você, sua mãe é patroa, e seu pai é magnata jão.
- I cara, deixa meus coroa de lado, o assunto é entre nós dois.
- To ligado, mas num vem dar uma de canalha não, passa a grana pra cá.
- Grana é o que não falta meu irmão, tá aqui ó, cinqüenta reais.
- Assim que eu gosto, até mais playboy...
- Playboy não mano, eu dou um duro danado na vida também.
- Que duro vacilão? Se faz natação, Judô, Inglê e Espanhol, tem shopping center todo final de semana, tem roupa de marca e os carai, se liga mané, você é playboy mesmo.
- Calma, calma irmão, não quiz ofender e tal.
- Calma um carai, sabe quem limpou a merda que você cagava? as tiazinhas, tipo as que tem na quebrada, que limpa bunda de rico. Sabe quem limpa o apartamento duplex que você mora? Pessoas que nem minha mãe, que trabalharam a vida inteira, pra manter o conforto de rico, playboy filho da puta, e agora, não tem se quer um fusca pra andar, isso quando tem o que comer. Então playboy, usa essa porra desse pó, vê se me erra, e se caso quiser mais, liga no meu celular, sacou?
- Calma brother, se tá acelerado hoje, tá nervoso, se acalma ai...
- Brother o caralho, num sou seu irmão, não sou irmão de vacilão que nem você.
- Tá certo então, tirou o dia hoje pra esculachar.
- Você que começou, fica de boa na sua então, que eu tenho uma fita pra fazer ainda hoje lá na quebrada. È parada grande, não é pra qualquer otário não firmeza.
- Falou então, que agora eu vou esticar essa daqui.
- Falou mané.
Hugo boy pensa em sua mãe, Simone, que lhe criou com mimos e agrados, apesar de nem sempre lhe dar atenção, e em seu pai, um magnata que poucas vezes lhe olhou com afeto e saiu junto com ele pra brincar no parque. Hugo se lembra também de sua irmã, estava virando uma vadia que nem aquelas minas, que tinham em sua escola.
Hugo se lembra de sua vida, cheia de compromissos, mas que ele sentia tão vazia.
Estica uma carreira de cocaína, afina a carreira com um cartão, e com uma nota de dez enrolada no formato de um canudo, começa a inspirar o pó pra suas narinas. Ele inclina a cabeça pra trás, e agora parece estar em outro mundo. Hoje resolveu usar sozinho, a maioria de seus colegas, que usavam com ele, muitas vezes só queriam se aproveitar de sua boa vontade.
Hugo ainda tinha uma tarde pela frente, eram apenas três horas, e ele já estava completamente alucinado. No final das duas cápsulas que usou, estava brisado, se escorou numa parede, e ficou olhando pro teto, tentando encontrar respostas para as suas mais complicadas perguntas.
Saiu do local onde estava, e começou a caminhar pelas ruas, daquele bairro nobre, caminhou a tarde inteira sem eira nem beira. Quando se deu conta já eram sete horas da noite, hora de voltar pra casa, tomou o rumo de casa. Seus pais ainda não estariam lá, só sua irmã, mas ela ficava grudada no telefone o tempo inteiro, falando asneiras com suas amigas, ou então, falando abobrinha com algum macho.
Chegou em casa, passou pelo quarto de sua irmã, que estava pendurada no telefone, entrou no seu quarto, pegou seu mp12 e começou a escutar rock´roll no último volume.
Hugo queria mais, qual desculpa dar agora: " Mãe, a professora pediu um trabalho de última hora, me arruma vinte reais. " ou então " Mãe, preciso comprar um tênis novo.".
A última opção não era muito boa, pois ela poderia querer comprar no cartão, e no cartão não daria pra comprar o pó. Reco-Reco com certeza lhe mandaria tomar no cú, se pedisse fiado. Viu a mochila da irmã jogada em cima do sofá, a espreitou dentro do quarto, estava só de calcinha e sutiã, com a bunda empinada e falando besteiras com as amigas. Hugo achava sua irmã atraente, mas sempre que vinha esse pensamento na cabeça dele, ele virava o rosto e pensava em outra coisa.
Aproveitou que sua irmã estava distraída, e começou a fuçar na mochila dela. Enfim conseguiu o que queria, achou dez reais no bolso exterior da mochila, escondeu os dez reais, caminhou lentamente até o seu quarto e fechou a porta. olhou a nota de dez reais e vibrou por ter conseguido, o dinheiro pro pó do dia seguinte.
Renato Vital é escritor.
Homenagem ao B.B.B. por Antônio Barreto
Alerta: não assista big brother, leia um livro.
Homenagem ao B.B.B
Curtir o Pedro Bial
E sentir tanta alegria
É sinal de que você
O mau-gosto aprecia
Dá valor ao que é banal
É preguiçoso mental
E adora baixaria.
Há muito tempo não vejo
Um programa tão ‘fuleiro’
Produzido pela Globo
Visando Ibope e dinheiro
Que além de alienar
Vai por certo atrofiar
A mente do brasileiro.
Me refiro ao brasileiro
Que está em formação
E precisa evoluir
Através da Educação
Mas se torna um refém
Iletrado, ‘zé-ninguém’
Um escravo da ilusão.
Em frente à televisão
Lá está toda a família
Longe da realidade
Onde a bobagem fervilha
Não sabendo essa gente
Desprovida e inocente
Desta enorme ‘armadilha’.
Cuidado, Pedro Bial
Chega de esculhambação
Respeite o trabalhador
Dessa sofrida Nação
Deixe de chamar de heróis
Essas girls e esses boys
Que têm cara de bundão.
O seu pai e a sua mãe,
Querido Pedro Bial,
São verdadeiros heróis
E merecem nosso aval
Pois tiveram que lutar
Pra manter e te educar
Com esforço especial.
Muitos já se sentem mal
Com seu discurso vazio.
Pessoas inteligentes
Se enchem de calafrio
Porque quando você fala
A sua palavra é bala
A ferir o nosso brio.
Um país como Brasil
Carente de educação
Precisa de gente grande
Para dar boa lição
Mas você na rede Globo
Faz esse papel de bobo
Enganando a Nação.
Respeite, Pedro Bienal
Nosso povo brasileiro
Que acorda de madrugada
E trabalha o dia inteiro
Dar muito duro, anda rouco
Paga impostos, ganha pouco:
Povo HERÓI, povo guerreiro.
Enquanto a sociedade
Neste momento atual
Se preocupa com a crise
Econômica e social
Você precisa entender
Que queremos aprender
Algo sério – não banal.
Esse programa da Globo
Vem nos mostrar sem engano
Que tudo que ali ocorre
Parece um zoológico humano
Onde impera a esperteza
A malandragem, a baixeza:
Um cenário sub-humano.
A moral e a inteligência
Não são mais valorizadas.
Os “heróis” protagonizam
Um mundo de palhaçadas
Sem critério e sem ética
Em que vaidade e estética
São muito mais que louvadas.
Não se vê força poética
Nem projeto educativo.
Um mar de vulgaridade
Já tornou-se imperativo.
O que se vê realmente
É um programa deprimente
Sem nenhum objetivo.
Talvez haja objetivo
“professor”, Pedro Bial
O que vocês tão querendo
É injetar o banal
Deseducando o Brasil
Nesse Big Brother vil
De lavagem cerebral.
Isso é um desserviço
Mal exemplo à juventude
Que precisa de esperança
Educação e atitude
Porém a mediocridade
Unida à banalidade
Faz com que ninguém estude.
É grande o constrangimento
De pessoas confinadas
Num espaço luxuoso
Curtindo todas baladas:
Corpos “belos” na piscina
A gastar adrenalina:
Nesse mar de palhaçadas.
Se a intenção da Globo
É de nos “emburrecer”
Deixando o povo demente
Refém do seu poder:
Pois saiba que a exceção
(Amantes da educação)
Vai contestar a valer.
A você, Pedro Bial
Um mercador da ilusão
Junto a poderosa Globo
Que conduz nossa Nação
Eu lhe peço esse favor:
Reflita no seu labor
E escute seu coração.
E vocês caros irmãos
Que estão nessa cegueira
Não façam mais ligações
Apoiando essa besteira.
Não deem sua grana à Globo
Isso é papel de bobo:
Fujam dessa baboseira.
E quando chegar ao fim
Desse Big Brother vil
Que em nada contribui
Para o povo varonil
Ninguém vai sentir saudade:
Quem lucra é a sociedade
Do nosso querido Brasil.
E saiba, caro leitor
Que nós somos os culpados
Porque sai do nosso bolso
Esses milhões desejados
Que são ligações diárias
Bastante desnecessárias
Pra esses desocupados.
A loja do BBB
Vendendo só porcaria
Enganando muita gente
Que logo se contagia
Com tanta futilidade
Um mar de vulgaridade
Que nunca terá valia.
Chega de vulgaridade
E apelo sexual.
Não somos só futebol,
baixaria e carnaval.
Queremos Educação
E também evolução
No mundo espiritual.
Cadê a cidadania
Dos nossos educadores
Dos alunos, dos políticos
Poetas, trabalhadores?
Seremos sempre enganados
e vamos ficar calados
diante de enganadores?
Barreto termina assim
Alertando ao Bial:
Reveja logo esse equívoco
Reaja à força do mal…
Eleve o seu coração
Tomando uma decisão
Ou então: siga, animal…
Autor: Antonio Barreto, Cordelista natural de Santa Bárbara-BA, residente em Salvador.
19.2.10
Como explicar....
- Ditinho?
- Eu mesmo quem tá falando?
- Sou eu Ditinho... a Simone.
- Que! Iche deixei algum serviço pra trás ontem! Se entende né Dona Simone? Sexta-feira é correria, e também tinha uma festa pra eu ir com minha namorada e tal...
- Nada disso Benedito, ou melhor, Ditinho....
- Então, não entendo, e tá tão cedo, olha só, são só seis e meia da manhã... Não que eu esteja reclamando, é uma honra atender a senhora e...
- Calma Dito, não é nada disso.
- E então, posso ajudar a senhora no quê?
Silêncio do outro lado da linha.
- Dona Simone, alô.
Soluços e um choro agudo do outro lado da linha.
- Não deixa, desculpa por ter te incomodado tão cedo assim.
- Fala... se eu poder ajudar a senhora?
- Ditinho, para de me chamar de senhora, senhora tá no céu, não é?
- Nâo sei...
- hahahhahhaha, você é tão encantador, tão engraçado, e também é dedicado...
Ditinho acha que está pirando, aquela mulher jamais se quer lhe tinha olhado direito, e agora lhe falava mil e um elogios, na verdade, Ditinho estava meio confuso, se fosse um sonho, daqui a pouco acordaria.
- Obrigado pelos elogios senhora, mas ainda não entendi, no que posso ajudar a senhora...
- Você já está me ajudando Ditinho...
- Como assim...
- È sei que não deveria me abrir assim com você, que não é íntimo meu nem nada mais... não tenho tido ninguém pra conversar francamente assim, sabe, e você é tão humilde, e apesar do rosto meio sofrido, é tão acolhedor, tão franco sabe...
- Já que o problema é conversar, não estava com muito sono mesmo, apesar de ter passado a noite com minha namorada, acabei de levar ela em casa e...
- E ai estava bom? vocês se amaram muito?
- Que?!
- Ai desculpa, acho que é melhor eu desligar, talvez seja os comprimidos que eu estou tomando pra dormir, que estão me deixando assim, tão franca.
- Não tudo bem, se a senhora precisar pode desabafar...
- Hoje às 16 horas na cervejaria Almeida, está bom pra você?
- Que?!
- É isso que está ouvindo, preciso desabafar, preciso te ver, te olhar nos olhos, te tocar, de alguém pra me compreender...
- Senhora é... a gente sei lá, pode conversar entende, é o que eu posso fazer pela senhora entende?
- Entendo, então está marcado?
- Sim senhora.
- Então já vou marcar um salão, pra estar bem bonita pra você, digo, pra conversar com você.
- Pra mim tudo bem, só vejo minha namorada as oito.
- Ditinho, dá pra parar de pensar nela só um instante?
- Que senhora, não entendi?
- Desculpe, tenho certeza que é o remédio, combinado então, hoje ás 16, na Cervejaria Almeida, você sabe onde é né, deixa eu desligar, que parece que o Magalhães está acordando, beijos viu até lá. TU TU TU TU TU TU.
Ditinho não entende absolutamente nada do que ouviu, e do que marcou com dona Simone, mas não era bobo nem nada, sentiu certa maldade no ar. Colocou a cabeça no travesseiro, e veio na sua memória as pernas bem torneadas de dona Simone, fechou os olhos, e mais tarde estaria na cervejaria Almeida, ainda sem saber o que se passaria.
Ditinho adormece, enquanto a favela acorda pra mais um dia de labuta.
Renato Vital é escritor.
- Eu mesmo quem tá falando?
- Sou eu Ditinho... a Simone.
- Que! Iche deixei algum serviço pra trás ontem! Se entende né Dona Simone? Sexta-feira é correria, e também tinha uma festa pra eu ir com minha namorada e tal...
- Nada disso Benedito, ou melhor, Ditinho....
- Então, não entendo, e tá tão cedo, olha só, são só seis e meia da manhã... Não que eu esteja reclamando, é uma honra atender a senhora e...
- Calma Dito, não é nada disso.
- E então, posso ajudar a senhora no quê?
Silêncio do outro lado da linha.
- Dona Simone, alô.
Soluços e um choro agudo do outro lado da linha.
- Não deixa, desculpa por ter te incomodado tão cedo assim.
- Fala... se eu poder ajudar a senhora?
- Ditinho, para de me chamar de senhora, senhora tá no céu, não é?
- Nâo sei...
- hahahhahhaha, você é tão encantador, tão engraçado, e também é dedicado...
Ditinho acha que está pirando, aquela mulher jamais se quer lhe tinha olhado direito, e agora lhe falava mil e um elogios, na verdade, Ditinho estava meio confuso, se fosse um sonho, daqui a pouco acordaria.
- Obrigado pelos elogios senhora, mas ainda não entendi, no que posso ajudar a senhora...
- Você já está me ajudando Ditinho...
- Como assim...
- È sei que não deveria me abrir assim com você, que não é íntimo meu nem nada mais... não tenho tido ninguém pra conversar francamente assim, sabe, e você é tão humilde, e apesar do rosto meio sofrido, é tão acolhedor, tão franco sabe...
- Já que o problema é conversar, não estava com muito sono mesmo, apesar de ter passado a noite com minha namorada, acabei de levar ela em casa e...
- E ai estava bom? vocês se amaram muito?
- Que?!
- Ai desculpa, acho que é melhor eu desligar, talvez seja os comprimidos que eu estou tomando pra dormir, que estão me deixando assim, tão franca.
- Não tudo bem, se a senhora precisar pode desabafar...
- Hoje às 16 horas na cervejaria Almeida, está bom pra você?
- Que?!
- É isso que está ouvindo, preciso desabafar, preciso te ver, te olhar nos olhos, te tocar, de alguém pra me compreender...
- Senhora é... a gente sei lá, pode conversar entende, é o que eu posso fazer pela senhora entende?
- Entendo, então está marcado?
- Sim senhora.
- Então já vou marcar um salão, pra estar bem bonita pra você, digo, pra conversar com você.
- Pra mim tudo bem, só vejo minha namorada as oito.
- Ditinho, dá pra parar de pensar nela só um instante?
- Que senhora, não entendi?
- Desculpe, tenho certeza que é o remédio, combinado então, hoje ás 16, na Cervejaria Almeida, você sabe onde é né, deixa eu desligar, que parece que o Magalhães está acordando, beijos viu até lá. TU TU TU TU TU TU.
Ditinho não entende absolutamente nada do que ouviu, e do que marcou com dona Simone, mas não era bobo nem nada, sentiu certa maldade no ar. Colocou a cabeça no travesseiro, e veio na sua memória as pernas bem torneadas de dona Simone, fechou os olhos, e mais tarde estaria na cervejaria Almeida, ainda sem saber o que se passaria.
Ditinho adormece, enquanto a favela acorda pra mais um dia de labuta.
Renato Vital é escritor.
16.2.10
Eu queria ter uma casinha branca...
" Eu queria ter na vida simplesmente um lugar de mato verde, pra plantar e colher. Eu queria ter na vida, uma casinha branca, um quintal e uma janela, para ver o sol nascer"...
- Eita som muito loko, queria que você tivesse aqui pra curtir todos esses momentos. Desde que começou a andar com os caras lá do morro, você passou a frequentar menos minha goma, e a me ligar menos. Aqueles rolês que a gente fazia, você tomando breja e eu um refrigerante, se tá ligado, nunca fui de beber muito, só bebo cerveja quando estou muito feliz com alguma coisa.
Ditinho fala essas palavras, está sozinho, com uma foto na mão, onde está com seu primo Tevez, os dois cheios de lama, logo após um jogo na várzea, e uma vitória fácil, também quem poderia segurar aquele ataque, ganhavam só de goleada. Uma vez saiu briga, mas depois que o tonhão chegou pra apartar a briga, todos o respeitaram, era muito querido na comunidade. Tevez era o mais briguento de todos, do tipo do amigo, que briga mas te defende com a vida se for preciso, Tevez era assim... mas agora estava ocupado planejando um assalto a banco, que faria junto com os sujeitos mal encarados que moravam no morro. Ditinho lembra da ex mina de Tevez, que volta e meia se jogava pra ele, queria transar com ele de qualquer maneira, mas a amizade entre os dois era mais forte, e um belo dia Ditinho o chamou de canto e disse com todas as palavras:
" Mano eu sei que se ama a Rafaela, mas ela não é uma mina de confiança, pode ficar com raiva de mim, mas ela não passa de uma vagabunda, e vai acabar fazendo mal pra você!"
Na mesma hora Tevez partiu pra cima de Ditinho, aos socos e pontapés, os dois rolaram ladeira abaixo, Ditinho só se defendia de Tevez, que era forte, mas menor que Ditinho. A coisa só não piorou por quê seu Manoel, o pai de pai de Tevez entrou no meio da briga. Nisso, a rua já estava lotada, mas ninguém se atreveu a separar a briga, só mesmo seu Manoel. Logo depois chegaram os irmãos de Tevez, que eram menos apegados com Ditinho, mas que o respeitavam como primo, Tevez ficou aos gritos:
- Seu traidor, filho da puta, arrombado, eu vou te matar, some da quebrada se não vou te catar seu miserável, talarico desgraçado.
Nesse dia, Ditinho não se abalou, entrou dentro de casa, tomou um copo d´àgua ligou a televisão e começou a assistir. Nessa época ainda morava com sua mãe, seu pai e seus irmãos, mas eles não estavam em casa. Naquela mesma noite Tevez se arrependeria de sua atitude, pegou a vagabunda da Rafaela dando em cima do Rodriguinho, um pagodeiro famoso na quebrada. Tevez não fez nada, esperou ela descer pela viela onde morava, a pegou pelos cabelos, lhe jogou na parede e lhe bateu muito, ela tinha medo dele, não disse nada, apenas chorava e lhe pedia perdão, ele aos berros nem a ouvia.
A familia dela queria dar parte dele na delegacia da mulher, mas Rafaela apesar de tudo, sabia que estava errada, pediu pra que ficasse por isso mesmo.
Tevez ficou duas semanas sem jeito de chegar em Ditinho pra lhe agradecer. Sabendo do ocorrido Ditinho se aproximou dele num sábado a tarde, ele estava distraído, e lhe deu o maior tapão nas costas perguntando: Eai vagabundo, anda sumido?
Tevez mandou ele se fuder, mas logo estavam conversando, e Tevez se desculpando pelo ocorrido.
Pensando em tudo isso Ditinho adormeceu, e torcia pra que Tevez desistisse do assalto, aquilo iria dar merda.
Em quanto isso num bairro nobre da cidade:
- O Ditinho não atende, sei que hoje é domingo e é folga dele mas preciso falar com ele. - Dona Simone desiste e deixa o telefone de lado, mais tarde tentaria de novo.
Renato Vital é escritor.
- Eita som muito loko, queria que você tivesse aqui pra curtir todos esses momentos. Desde que começou a andar com os caras lá do morro, você passou a frequentar menos minha goma, e a me ligar menos. Aqueles rolês que a gente fazia, você tomando breja e eu um refrigerante, se tá ligado, nunca fui de beber muito, só bebo cerveja quando estou muito feliz com alguma coisa.
Ditinho fala essas palavras, está sozinho, com uma foto na mão, onde está com seu primo Tevez, os dois cheios de lama, logo após um jogo na várzea, e uma vitória fácil, também quem poderia segurar aquele ataque, ganhavam só de goleada. Uma vez saiu briga, mas depois que o tonhão chegou pra apartar a briga, todos o respeitaram, era muito querido na comunidade. Tevez era o mais briguento de todos, do tipo do amigo, que briga mas te defende com a vida se for preciso, Tevez era assim... mas agora estava ocupado planejando um assalto a banco, que faria junto com os sujeitos mal encarados que moravam no morro. Ditinho lembra da ex mina de Tevez, que volta e meia se jogava pra ele, queria transar com ele de qualquer maneira, mas a amizade entre os dois era mais forte, e um belo dia Ditinho o chamou de canto e disse com todas as palavras:
" Mano eu sei que se ama a Rafaela, mas ela não é uma mina de confiança, pode ficar com raiva de mim, mas ela não passa de uma vagabunda, e vai acabar fazendo mal pra você!"
Na mesma hora Tevez partiu pra cima de Ditinho, aos socos e pontapés, os dois rolaram ladeira abaixo, Ditinho só se defendia de Tevez, que era forte, mas menor que Ditinho. A coisa só não piorou por quê seu Manoel, o pai de pai de Tevez entrou no meio da briga. Nisso, a rua já estava lotada, mas ninguém se atreveu a separar a briga, só mesmo seu Manoel. Logo depois chegaram os irmãos de Tevez, que eram menos apegados com Ditinho, mas que o respeitavam como primo, Tevez ficou aos gritos:
- Seu traidor, filho da puta, arrombado, eu vou te matar, some da quebrada se não vou te catar seu miserável, talarico desgraçado.
Nesse dia, Ditinho não se abalou, entrou dentro de casa, tomou um copo d´àgua ligou a televisão e começou a assistir. Nessa época ainda morava com sua mãe, seu pai e seus irmãos, mas eles não estavam em casa. Naquela mesma noite Tevez se arrependeria de sua atitude, pegou a vagabunda da Rafaela dando em cima do Rodriguinho, um pagodeiro famoso na quebrada. Tevez não fez nada, esperou ela descer pela viela onde morava, a pegou pelos cabelos, lhe jogou na parede e lhe bateu muito, ela tinha medo dele, não disse nada, apenas chorava e lhe pedia perdão, ele aos berros nem a ouvia.
A familia dela queria dar parte dele na delegacia da mulher, mas Rafaela apesar de tudo, sabia que estava errada, pediu pra que ficasse por isso mesmo.
Tevez ficou duas semanas sem jeito de chegar em Ditinho pra lhe agradecer. Sabendo do ocorrido Ditinho se aproximou dele num sábado a tarde, ele estava distraído, e lhe deu o maior tapão nas costas perguntando: Eai vagabundo, anda sumido?
Tevez mandou ele se fuder, mas logo estavam conversando, e Tevez se desculpando pelo ocorrido.
Pensando em tudo isso Ditinho adormeceu, e torcia pra que Tevez desistisse do assalto, aquilo iria dar merda.
Em quanto isso num bairro nobre da cidade:
- O Ditinho não atende, sei que hoje é domingo e é folga dele mas preciso falar com ele. - Dona Simone desiste e deixa o telefone de lado, mais tarde tentaria de novo.
Renato Vital é escritor.
12.2.10
Rui sonha, e acorda pra vida.
Sargento, cabou as balas!
Como assim cabo, como assim cabaram as balas!
Cabaram as balas sargento oras...
E gastaram aquele arsenal todo com quem...
Mas que pergunta Sargento? Com eles oras...
Entendi, tudo bem, vá no batalhão e consiga mais munição.
E o que faço com aquele corpo ali?
Oras jogue no esgoto, isso não é problema meu, álias nem meu, nem nosso hahahahhah.
- Não por favor! Tirem as mãos de mim, eu preciso é de um hospital, nãoooo....
Rui acordou assustado com o sonho, também pudera, ontem quando estava voltando do campinho, ele e seus colegas tomaram enquadro da barca, e ficaram meia hora explicando pra onde iam, e tudo isso, com aquelas intimidações de sempre:
- Se mora aonde!
- Tá indo pra onde!
- Cadê o RG!
- Encosta ali vagabundo!
- Se tem pai e mãe!
- Se tem passagem!
- Se tem cara de quem já foi pra FEBEM!
- Se achar flagrante o bicho pegá pro lado de vocês!
Já não bastava Rui ter perdido o jogo, agora tinha que dar explicações pros fardados, da onde vinha, pra onde ia, e o que fazia ali aquela hora... Bom eram seis da tarde, eles só podiam estar ali secando gelo, ou talvez esperando algum pneu de trem pra calibrar... Mas ele respondeu uma coisa só:
- Estamos indo pra casa senhor, eu e meus colegas.
A maior raiva dele, não era nem tanto ficar respondendo meia hora as perguntas dos policiais, era ter que chamar de senhor, um cara de 21 anos, que ingressou ontem na corporação, e acha que virou super homem, por que está fardado. Se lembrou de um cara da quebrada, Ernesto, que prestou concurso, e depois que passou no concurso sumiu.
Um dia ele trombou com ele no centro, estava sem farda, Rui olhou pra sua cara e pela expressão do rosto de Ernesto, percebeu que ele havia o reconhecido, mas mesmo assim, não lhe deu sequer oi.
Voltando ao enquadro, Rui e seus colegas, depois de muito lenga, lenga, amolação e outras coisas mais, foram liberados com a mesma piadinha de sempre: a próxima vez que nós se trombar, vai ser diferente heim, vocês tão enrascado.
Sua irmã abre a porta de seu quarto, e diz:
- Rui mais tarde eu vou sair, vou na casa do Ditinho, e vê se arruma pelo menos sua cama, seu moleque vagabundo.
- Eu vou arrumar minha cama, enquanto você vai furunfunfar com o Ditinho, vou um caralho, arruma você.
- Olha, cala sua boca seu idiota, me respeita, sou sua irmã imbecil.
- Tá bom, Tá bom!
Rui mecheu numa sacola em baixo da cama, viu o dvd que pegou emprestado com seus colegas. Não via a hora de sua irmã sair, pra ele assistir o novo dvd pornô que pegou. Tinha alguns escondidos em baixo de sua cama, mas já eram todos repetidos, então tinha que renovar. Ligou a televisão e começou assistir os desenhos japoneses e americanos, que passam toda manhã na tv.
Renato Vital é escritor.
Como assim cabo, como assim cabaram as balas!
Cabaram as balas sargento oras...
E gastaram aquele arsenal todo com quem...
Mas que pergunta Sargento? Com eles oras...
Entendi, tudo bem, vá no batalhão e consiga mais munição.
E o que faço com aquele corpo ali?
Oras jogue no esgoto, isso não é problema meu, álias nem meu, nem nosso hahahahhah.
- Não por favor! Tirem as mãos de mim, eu preciso é de um hospital, nãoooo....
Rui acordou assustado com o sonho, também pudera, ontem quando estava voltando do campinho, ele e seus colegas tomaram enquadro da barca, e ficaram meia hora explicando pra onde iam, e tudo isso, com aquelas intimidações de sempre:
- Se mora aonde!
- Tá indo pra onde!
- Cadê o RG!
- Encosta ali vagabundo!
- Se tem pai e mãe!
- Se tem passagem!
- Se tem cara de quem já foi pra FEBEM!
- Se achar flagrante o bicho pegá pro lado de vocês!
Já não bastava Rui ter perdido o jogo, agora tinha que dar explicações pros fardados, da onde vinha, pra onde ia, e o que fazia ali aquela hora... Bom eram seis da tarde, eles só podiam estar ali secando gelo, ou talvez esperando algum pneu de trem pra calibrar... Mas ele respondeu uma coisa só:
- Estamos indo pra casa senhor, eu e meus colegas.
A maior raiva dele, não era nem tanto ficar respondendo meia hora as perguntas dos policiais, era ter que chamar de senhor, um cara de 21 anos, que ingressou ontem na corporação, e acha que virou super homem, por que está fardado. Se lembrou de um cara da quebrada, Ernesto, que prestou concurso, e depois que passou no concurso sumiu.
Um dia ele trombou com ele no centro, estava sem farda, Rui olhou pra sua cara e pela expressão do rosto de Ernesto, percebeu que ele havia o reconhecido, mas mesmo assim, não lhe deu sequer oi.
Voltando ao enquadro, Rui e seus colegas, depois de muito lenga, lenga, amolação e outras coisas mais, foram liberados com a mesma piadinha de sempre: a próxima vez que nós se trombar, vai ser diferente heim, vocês tão enrascado.
Sua irmã abre a porta de seu quarto, e diz:
- Rui mais tarde eu vou sair, vou na casa do Ditinho, e vê se arruma pelo menos sua cama, seu moleque vagabundo.
- Eu vou arrumar minha cama, enquanto você vai furunfunfar com o Ditinho, vou um caralho, arruma você.
- Olha, cala sua boca seu idiota, me respeita, sou sua irmã imbecil.
- Tá bom, Tá bom!
Rui mecheu numa sacola em baixo da cama, viu o dvd que pegou emprestado com seus colegas. Não via a hora de sua irmã sair, pra ele assistir o novo dvd pornô que pegou. Tinha alguns escondidos em baixo de sua cama, mas já eram todos repetidos, então tinha que renovar. Ligou a televisão e começou assistir os desenhos japoneses e americanos, que passam toda manhã na tv.
Renato Vital é escritor.
11.2.10
N.S.N ( negro sempre negro)
Hoje eu vim aqui falar pra vocês, desse grupo de Rap lá do Capão Redondo, N.S.N. Esse grupo dos manos PX, Jota B e aliados, tem características próprias e um estilo próprio também. Um estilo que me parece, que foi inspirado no gangsta RAP, assim como outros grupos do cenário do RAP Nacional ( Facção Central, Racionais Mcs, Realidade Cruel etc. A primeira vez que assisti uma apresentação desses manos, foi no show da favela godoy em 2007, mas uma proximidade maior com o trabalho, veio quando, os manos Jota B e Px começaram a frequentar assiduamente a Cooperifa. E pode acreditar que os manos são respeito total, e levam a sério a caminhada, com seriedade e profissionalismo. È isso ai, acompanhe mais do grupo, nessa reportagem abaixo do movimento enraizados e nos vídeos:
NEGROS SEMPRE NEGROS
O Grupo Negros Sempre Negros (N.S.N) foi fundado em setembro de 1996, no Capão Redondo e se propõe a trabalhar as problemáticas do dia-a-dia de sua comunidade e as discriminações que ocorrem com o negro no Brasil. Após 13 anos de surgimento e algumas mudanças, ele soma três integrantes: Jota B, Mano PX e DJ Fantasma.
Esse grupo integra a família “Guerreiro Nato” ao lado de Conexão Sul, Forma de Expressão, TR Nação Ó e Gladiadores mc´s. Juntos, essa trupe organiza eventos no estado de São Paulo, tentando assim aproveitar todo o cenário proporcionado pelo Hip Hop.
O N.S.N conta com o apoio de Mano Brown, : Racionais mc´s, Detentos do Rap, Consciência Humana, Negredo, Sabotagem e RZO, com os quais já fez diversos shows.
Por que montar um grupo de Rap?
O fato de ser de uma periferia pesou na formação? Para revolucionar é preciso estar bem acompanhado e equipado. O fato de ser da periferia não pesou na formação pelo contrário, o que não mata fortalece. Qual o
ponto de ligação dos integrantes, uma vez que são histórias diferentes que conseguiram se encontrar no Rap? que histórias são essas?
O ponto deligação é o rap,o Jota B, fundador do grupo, tinha por objetivo vencer e sempre fez por onde para que isso acontecesse. Nessa trajetória nos encontramos num show no Jardim Angela Odéias, eu entrei pra o time vindo de um grupo que estava acabando “Realidade de Periferia”.
Você disse que um dos objetivos do grupo é vencer nesse cenário. Como você vê o cenário do Rap nacional?
O cenario do rap nacional é composto de muitos rapper´s de ponta e se quiser vencer entre eles tem que ser bom. Uns tem o talento e outros á sorte.
Em 12 anos de formação, como é a realidade que retratam nas músicas? mudou algo?
Nossas musicas retratam a realidade, tanto o que é bom como o que é de ruim na quebrada, enfim os dois lados da moeda. Mudar quem sabe,vencer talvez,desistir jamais.
Qual a receita para se manter um grupo por tanto tempo? Quais modificações foram feitas?
Nosso grupo ta ae até hoje devido o respeito e a lealdade e também a grande amizade isso é importante.
O que te levou a embarcar nesse universo?
O que me levou á embarcar foi o que, em 1992, eu fui no show dos racionais foi simplismente uma injeção de adrenalina na mente a parti dai eu vi que era isso que eu queria.
Em 2008, após anos de estrada, vocês lançaram o primeiro CD? Como isso ocorreu?
Em 2008 depois de muita luta e de muito esforço veio o primeiro fruto do nosso trabalho nosso cd. Todo mundo já tava cobrando da gente e numa reunião do grupo decidimos que já estava mais que na horas,foi muito bom essa sensação sem palavras.
O que tentam transmitir com o nome do grupo? Qual representação N.S.N tem na comunidade?
É muito bom o que a comunidade passa pra gente eles vestem nossa roupa,é muito gratificante tá passando e ver que eles estão ouvindo nosso som. dá um sentimento de vitória é “loko”. O nome “Negros Sempre Negros”,não veio pra colocar uma divisória entre as raças, pelo contrario sim pra ques as pessoas assumam o que realmente são. O termo pardo, moreno são apenas palavras que vieram para ludibriar a mente dos mais fracos, principalmente no mercado de trabalho. Eles te vêem como branco ou negro não tem meio termo entendeu.
Contato: Manopxnsn@hotmail.com
Vídeos
Guerreiro nato - NSN
Vê se me erra zé povinho - NSN
NEGROS SEMPRE NEGROS
O Grupo Negros Sempre Negros (N.S.N) foi fundado em setembro de 1996, no Capão Redondo e se propõe a trabalhar as problemáticas do dia-a-dia de sua comunidade e as discriminações que ocorrem com o negro no Brasil. Após 13 anos de surgimento e algumas mudanças, ele soma três integrantes: Jota B, Mano PX e DJ Fantasma.
Esse grupo integra a família “Guerreiro Nato” ao lado de Conexão Sul, Forma de Expressão, TR Nação Ó e Gladiadores mc´s. Juntos, essa trupe organiza eventos no estado de São Paulo, tentando assim aproveitar todo o cenário proporcionado pelo Hip Hop.
O N.S.N conta com o apoio de Mano Brown, : Racionais mc´s, Detentos do Rap, Consciência Humana, Negredo, Sabotagem e RZO, com os quais já fez diversos shows.
Por que montar um grupo de Rap?
O fato de ser de uma periferia pesou na formação? Para revolucionar é preciso estar bem acompanhado e equipado. O fato de ser da periferia não pesou na formação pelo contrário, o que não mata fortalece. Qual o
ponto de ligação dos integrantes, uma vez que são histórias diferentes que conseguiram se encontrar no Rap? que histórias são essas?
O ponto deligação é o rap,o Jota B, fundador do grupo, tinha por objetivo vencer e sempre fez por onde para que isso acontecesse. Nessa trajetória nos encontramos num show no Jardim Angela Odéias, eu entrei pra o time vindo de um grupo que estava acabando “Realidade de Periferia”.
Você disse que um dos objetivos do grupo é vencer nesse cenário. Como você vê o cenário do Rap nacional?
O cenario do rap nacional é composto de muitos rapper´s de ponta e se quiser vencer entre eles tem que ser bom. Uns tem o talento e outros á sorte.
Em 12 anos de formação, como é a realidade que retratam nas músicas? mudou algo?
Nossas musicas retratam a realidade, tanto o que é bom como o que é de ruim na quebrada, enfim os dois lados da moeda. Mudar quem sabe,vencer talvez,desistir jamais.
Qual a receita para se manter um grupo por tanto tempo? Quais modificações foram feitas?
Nosso grupo ta ae até hoje devido o respeito e a lealdade e também a grande amizade isso é importante.
O que te levou a embarcar nesse universo?
O que me levou á embarcar foi o que, em 1992, eu fui no show dos racionais foi simplismente uma injeção de adrenalina na mente a parti dai eu vi que era isso que eu queria.
Em 2008, após anos de estrada, vocês lançaram o primeiro CD? Como isso ocorreu?
Em 2008 depois de muita luta e de muito esforço veio o primeiro fruto do nosso trabalho nosso cd. Todo mundo já tava cobrando da gente e numa reunião do grupo decidimos que já estava mais que na horas,foi muito bom essa sensação sem palavras.
O que tentam transmitir com o nome do grupo? Qual representação N.S.N tem na comunidade?
É muito bom o que a comunidade passa pra gente eles vestem nossa roupa,é muito gratificante tá passando e ver que eles estão ouvindo nosso som. dá um sentimento de vitória é “loko”. O nome “Negros Sempre Negros”,não veio pra colocar uma divisória entre as raças, pelo contrario sim pra ques as pessoas assumam o que realmente são. O termo pardo, moreno são apenas palavras que vieram para ludibriar a mente dos mais fracos, principalmente no mercado de trabalho. Eles te vêem como branco ou negro não tem meio termo entendeu.
Contato: Manopxnsn@hotmail.com
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Guerreiro nato - NSN
Vê se me erra zé povinho - NSN
10.2.10
Paty
Paty começa mais um dia, sua mãe resolveu deixa-lá no colégio hoje.
Tomou seu café da manhã, com suco de laranja, pão com presunto, mussarela, leite com nescau, ou qualquer umas dessas mordomias que preferir. Veste seu tênis de 50 reais comprado na 25 de março, na época de natal, quando foram comprar presentes pros empregados e pros parentes chatos que sempre apareciam nessa época. Coloca o tênis Nike de 400 reais dentro da mochila, junto com o material escolar, e quase se esquece de colocar sua blusinha tomara que caia. O fato de colocar um tênis dentro da mochila, se deve pelo fato, de alguns moleques estarem roubando tênis nas imediações do colégio, ou seja, ela vestia um "tênis paraguai" pra ir, e chegando dentro do colégio trocava de tênis. E sobre a blusinha tomara que caia, ela usava assim que saia do colégio, tirava o uniforme e colocava a blusinha que cobria somente os seios. Paty apesar de ter apenas 14 anos, já tinha experimentado tudo o que é droga, extase, cocaína, maconha, injetável, heroína e principalmente àlcool, só não crack, por que sabia que era sem volta.
Certo dia a polícia colocou as mãos nela e em suas amigas, que usavam cocaína numa rua da cidade, mas quando ela falou quem era sua mãe, liberaram ela e suas amigas. Deus sabe o que teriam feito, se elas fossem da periferia.
- Paty, vamos! Já está na hora!
- To indo mãae, dá um tempo fica, fica me apressando.
Sua mãe liga o rádio do carro, que fala as notícias do dia. Ela mete a mão no rádio e coloca na playba fm, uma rádio que ela adora. Está tocando suas banda favorita, Green Day, uns caras que gostam de se maquiar, fazer franjinha, falar fino e etc, mas ela os adora. Falando nisso, a uma semana atrás, ela foi no show promovido por essa mesma rádio, e eles estavam lá, alegres e sorridentes, acenando pro público e cantando em cima de um playback vagabundo.
Um menor encosta no carro, pede um real pra sua mãe, dona Simone que não se lembrava mais do assalto sofrido, apesar que a polícia ainda investigava, mostra o dedo pro moleque em sinal de negativo, e ao mesmo tempo, entrega uma nota de cinquenta reais pra sua filha, gastar aquele dia no shopping com suas amigas. O moleque se afasta do carro.
- Se vê minha filha não basta a gente doar pro criança esperança, pro Teleton, sempre vai existir esses moleques pedindo nos faróis, por causa de pais irresponsáveis, que poem filho a torto e a direito no mundo.
- A mãe deixa pra lá, era só um moleque.
- Mesmo assim minha filha, quero que você tenha consciência dos problemas do seu país desde cedo.
- I mãe, sai pra lá com esse papo careta, tá cansando minha beleza, e nem vem dar piti, que hoje quero curtir com minhas amigas, no final das aulas.
- Esse dinheiro que te dei dá pra você se divertir?
- Ah sei lá mãe, para aqui na esquina, que eu não quero ninguém comentando no colégio, que minha mãe me leva na escola, Deus me livre já pensou.
- Tá bom tchau filha.
- Oi paty, mas que maquiagem é essa?
- Minha mãe que fica me acelerando...
- Tá bom amiga, vem cá que eu tenho umas novis pra te contar, lembra daquele gatinho de ontem e blá blá blá....
Priiiii, o sinal soa, e todos os alunos que estavam no pátio, sobem pra suas salas, Paty agora de tênis Nike, bem mais confortada, sobe pra mais um dia entediante de aula.
Renato Vital é escritor
Tomou seu café da manhã, com suco de laranja, pão com presunto, mussarela, leite com nescau, ou qualquer umas dessas mordomias que preferir. Veste seu tênis de 50 reais comprado na 25 de março, na época de natal, quando foram comprar presentes pros empregados e pros parentes chatos que sempre apareciam nessa época. Coloca o tênis Nike de 400 reais dentro da mochila, junto com o material escolar, e quase se esquece de colocar sua blusinha tomara que caia. O fato de colocar um tênis dentro da mochila, se deve pelo fato, de alguns moleques estarem roubando tênis nas imediações do colégio, ou seja, ela vestia um "tênis paraguai" pra ir, e chegando dentro do colégio trocava de tênis. E sobre a blusinha tomara que caia, ela usava assim que saia do colégio, tirava o uniforme e colocava a blusinha que cobria somente os seios. Paty apesar de ter apenas 14 anos, já tinha experimentado tudo o que é droga, extase, cocaína, maconha, injetável, heroína e principalmente àlcool, só não crack, por que sabia que era sem volta.
Certo dia a polícia colocou as mãos nela e em suas amigas, que usavam cocaína numa rua da cidade, mas quando ela falou quem era sua mãe, liberaram ela e suas amigas. Deus sabe o que teriam feito, se elas fossem da periferia.
- Paty, vamos! Já está na hora!
- To indo mãae, dá um tempo fica, fica me apressando.
Sua mãe liga o rádio do carro, que fala as notícias do dia. Ela mete a mão no rádio e coloca na playba fm, uma rádio que ela adora. Está tocando suas banda favorita, Green Day, uns caras que gostam de se maquiar, fazer franjinha, falar fino e etc, mas ela os adora. Falando nisso, a uma semana atrás, ela foi no show promovido por essa mesma rádio, e eles estavam lá, alegres e sorridentes, acenando pro público e cantando em cima de um playback vagabundo.
Um menor encosta no carro, pede um real pra sua mãe, dona Simone que não se lembrava mais do assalto sofrido, apesar que a polícia ainda investigava, mostra o dedo pro moleque em sinal de negativo, e ao mesmo tempo, entrega uma nota de cinquenta reais pra sua filha, gastar aquele dia no shopping com suas amigas. O moleque se afasta do carro.
- Se vê minha filha não basta a gente doar pro criança esperança, pro Teleton, sempre vai existir esses moleques pedindo nos faróis, por causa de pais irresponsáveis, que poem filho a torto e a direito no mundo.
- A mãe deixa pra lá, era só um moleque.
- Mesmo assim minha filha, quero que você tenha consciência dos problemas do seu país desde cedo.
- I mãe, sai pra lá com esse papo careta, tá cansando minha beleza, e nem vem dar piti, que hoje quero curtir com minhas amigas, no final das aulas.
- Esse dinheiro que te dei dá pra você se divertir?
- Ah sei lá mãe, para aqui na esquina, que eu não quero ninguém comentando no colégio, que minha mãe me leva na escola, Deus me livre já pensou.
- Tá bom tchau filha.
- Oi paty, mas que maquiagem é essa?
- Minha mãe que fica me acelerando...
- Tá bom amiga, vem cá que eu tenho umas novis pra te contar, lembra daquele gatinho de ontem e blá blá blá....
Priiiii, o sinal soa, e todos os alunos que estavam no pátio, sobem pra suas salas, Paty agora de tênis Nike, bem mais confortada, sobe pra mais um dia entediante de aula.
Renato Vital é escritor
6.2.10
Louças
Ela pega a bucha, coloca detergente, um pouco de água, e esfrega o prato, onde acabou de comer sua macarronada. Além desse prato, existe mais uma montanha de pratos, talheres, copos e etc. Seu irmão também mora junto de sua mãe e seu pai, só que ele é um daqueles moleques, que acha, que se lavar um copo, vai cair o saco. Ela prefere não discutir. Seus pais sempre a aborrecem, quando o assunto é relacionado a seu namorado, e mesmo assim, ela bate o pé e insiste, sabe que ele virá a ser um grande homem. Ela nunca gostou de pseudo-moralistas, e em sua vida, sempre viveu rodiada deles.
- Minha filha aquele seu namorado é um nóia, toda a favela tá comentando isso a meses, e o primo dele então nem se fala, o apelido dele é breque de ROTA, arrego de coxinha.
Quem sempre dizia isso, era seu tio Romário, uma daquelas pessoas do tipo: " Faça o que eu digo, não faça o que eu faço". Ele escondia, mas ela sabia, que ele vivia gastando o dinheiro, que ganhava nas obras em que trabalhava, com prostitutas no Space night club, um cabaré daqueles de dar medo. Seu tio sempre trabalhou em obras, ele tem 40 anos, e em sua carteira de trabalho apenas foi registrado numa firma de chocolate, a qual infelizmente mudou de estado, e demetiu muitos funcionários, durante o governo do F.H.C. Sua tia cega de dar gosto, fingia que não sabia sobre as escapadinhas de seu marido.
Um dia ela mandou seu tio tomar no cú, quando ele veio fazer mais uma de suas provocações, sobre seu namorado. Mas logo se arrependeu, seu tio apesar de mulherengo, era boa praça, e sempre distribuia balas e pirulitos, pra molecada da rua, além é claro de nunca ter deixado faltar nada em casa.
- Lava pra mim esse copo, por favorzinho?
- Tá seu moleque vagabundo, deixa ai.
- Iiiii vai se foder, só por quê aquele nóia do se namorado, não te ligou, está nervosinha?
- Não é problema seu, e vê se guarda pelo menos seus tênis no lugar.
- Vou nada, vou é jogar bola no campinho, fui.
Ela chinga ele, mas sem resultado, ele já estava com os pés, ou melhor, as chuteiras na rua pra ir jogar bola.
" Lere, le le le lere, lelelelelelele, eu prometo te dar carinho, e gosto de ser sozinho, livre pra voar....." - Era seu celular tocando, com a música do grupo de pagode que ela tanto gostava, e Ditinho tanto odiava, que chegava a espumar de raiva.
- Alô?
- Alô nada, não se faça de tonta, te quero dez horas da noite, aqui em casa, e se não vier com aquela lingerie que eu adoro, vai ficar de fora... tututututu....
Ela sempre dava broncas em Ditinho por causa dessas ligações eróticas relâmpagos que ele fazia, mas no fundo ela adorava entrar no jogo dele, e é claro, se entregar pra ele de corpo e alma. Algumas de suas amigas já trairam seus namorados, ela não, ela fazia diferente, queria ter um homem só, mas que a completasse de uma forma, que nenhum dos outros completaria. E este era Ditinho. Se lembra dos amigos falsos de Ditinho, que pelas costas dele, sempre chavecavam ela, um dia Ditinho pegou um deles falando ao ouvido dela e não prestou. Ditinho estourou um copo de vidro na cabeça dele, e este, pra não ser morto pelo primo de Ditinho, que também jurou matá-lo, sumiu da quebrada. Era por essas e outras que ela gostava de Ditinho.
Terminou de lavar as louças e arrumar a cozinha, e foi para seu quarto, preparar a surpresinha agradável de Ditinho nos mínimos detalhe, aquela noite a cama iria pegar fogo.
Renato Vital é escritor.
- Minha filha aquele seu namorado é um nóia, toda a favela tá comentando isso a meses, e o primo dele então nem se fala, o apelido dele é breque de ROTA, arrego de coxinha.
Quem sempre dizia isso, era seu tio Romário, uma daquelas pessoas do tipo: " Faça o que eu digo, não faça o que eu faço". Ele escondia, mas ela sabia, que ele vivia gastando o dinheiro, que ganhava nas obras em que trabalhava, com prostitutas no Space night club, um cabaré daqueles de dar medo. Seu tio sempre trabalhou em obras, ele tem 40 anos, e em sua carteira de trabalho apenas foi registrado numa firma de chocolate, a qual infelizmente mudou de estado, e demetiu muitos funcionários, durante o governo do F.H.C. Sua tia cega de dar gosto, fingia que não sabia sobre as escapadinhas de seu marido.
Um dia ela mandou seu tio tomar no cú, quando ele veio fazer mais uma de suas provocações, sobre seu namorado. Mas logo se arrependeu, seu tio apesar de mulherengo, era boa praça, e sempre distribuia balas e pirulitos, pra molecada da rua, além é claro de nunca ter deixado faltar nada em casa.
- Lava pra mim esse copo, por favorzinho?
- Tá seu moleque vagabundo, deixa ai.
- Iiiii vai se foder, só por quê aquele nóia do se namorado, não te ligou, está nervosinha?
- Não é problema seu, e vê se guarda pelo menos seus tênis no lugar.
- Vou nada, vou é jogar bola no campinho, fui.
Ela chinga ele, mas sem resultado, ele já estava com os pés, ou melhor, as chuteiras na rua pra ir jogar bola.
" Lere, le le le lere, lelelelelelele, eu prometo te dar carinho, e gosto de ser sozinho, livre pra voar....." - Era seu celular tocando, com a música do grupo de pagode que ela tanto gostava, e Ditinho tanto odiava, que chegava a espumar de raiva.
- Alô?
- Alô nada, não se faça de tonta, te quero dez horas da noite, aqui em casa, e se não vier com aquela lingerie que eu adoro, vai ficar de fora... tututututu....
Ela sempre dava broncas em Ditinho por causa dessas ligações eróticas relâmpagos que ele fazia, mas no fundo ela adorava entrar no jogo dele, e é claro, se entregar pra ele de corpo e alma. Algumas de suas amigas já trairam seus namorados, ela não, ela fazia diferente, queria ter um homem só, mas que a completasse de uma forma, que nenhum dos outros completaria. E este era Ditinho. Se lembra dos amigos falsos de Ditinho, que pelas costas dele, sempre chavecavam ela, um dia Ditinho pegou um deles falando ao ouvido dela e não prestou. Ditinho estourou um copo de vidro na cabeça dele, e este, pra não ser morto pelo primo de Ditinho, que também jurou matá-lo, sumiu da quebrada. Era por essas e outras que ela gostava de Ditinho.
Terminou de lavar as louças e arrumar a cozinha, e foi para seu quarto, preparar a surpresinha agradável de Ditinho nos mínimos detalhe, aquela noite a cama iria pegar fogo.
Renato Vital é escritor.
4.2.10
Recepção
Ela lhe estende a mão e com um ar afável, lhe diz: Bom dia senhor Benedito.
Prazer senhora, se caso quiser abreviar, pode me chamar apenas de Dito.
Dito dá um sorriso de canto de boca, observa as cochas bem torneadas de Dona Simone, sua nova patroa. Jamais imaginaria que iria voltar para o local do crime, onde ele e seu primo, fizeram o pavor de dona Simone e seus puxa-sacos. Até que observando bem sua nova patroa, se arrependia um pouco... se arrependia de não ter consigo tirar muito mais dinheiro, daquela vadia egoísta.
Férias com os filhinhos em Búzios ou os filhinhos vão para um acampamento cheio de filhinhos de mamãe mimados e cheirando a danone e leite ninho. Seu marido um basbaque otário, que bancava pra ela os mais diversos cremes e perfumes importados. Seus filhos os considerados jovens padrão da sociedade, se for pego fumando maconha é coisa da idade. Pena que o tratamento pra favelado não é o mesmo.
- Vai vagabundo coloca a mão na cabeça!
- Calma senhor, esse rapaz ai do lado é meu primo, a gente já tava indo pra casa.
- È o que a gente vai ver já já. E essa porra aqui no bolso do seu priminho?
- A gente tá de boa senhor.
Ditinho naquela noite estava limpo, não tinha drogas e nem cerveja estava bebendo, pena que o mesmo não acontecia com seu primo, que estava bebendo uma "breja" e guardando um cigarro de maconha em seu bolso, pra fazer a cabeça mais tarde. Dito não sabe se foi milagre, ou obra de Deus, mas graças a uma ocorrência mais importante, os policiais, os liberaram, prometendo porradas e pontapés no próximo enquadro, caso se trombassem por ai.
- Benedito acorda, tá sonhando acordado é!
Ditinho foi acordado por Patrícia, secretária de dona Simone, que lhe entregou alguns documentos e algum dinheiro. Os documentos ele teria que atravessar a cidade pra entregar, o dinheiro seria fácil, depositaria no banco ali pertinho, e sobraria tempo pra fazer um lanche no bar. Patricia não era menos bonita que dona Simone, e Ditinho a observava também.
Algumas horas depois...
Ditinho chega em casa, logo após um dia complicado de trampo, muita chuva em São Paulo, sua moto estava praticamente toda enlameada, e ele não estava em melhor estado. Tomou um banho, pensou em dona Simone, pensou em Patricia, pensou em seus novos colegas de trabalho, foi até sua gaveta, mexeu em algo, e achou a grana que ainda sobrava do assunto que praticou naquela mesma empresa, mil e duzentos reais. Ditinho dá um suspiro, pega o celular, e telefona pra sua namorada, que já estava a caminho de sua casa. Ditinho deita no sofá, liga o rádio, e descansa pra um novo dia de trabalho. Ditinho adormece e só acorda com sua namorada o beijando. O resto da noite passa junto dela, contando as novidades em sua vida.
Renato Vital é escritor
-
Prazer senhora, se caso quiser abreviar, pode me chamar apenas de Dito.
Dito dá um sorriso de canto de boca, observa as cochas bem torneadas de Dona Simone, sua nova patroa. Jamais imaginaria que iria voltar para o local do crime, onde ele e seu primo, fizeram o pavor de dona Simone e seus puxa-sacos. Até que observando bem sua nova patroa, se arrependia um pouco... se arrependia de não ter consigo tirar muito mais dinheiro, daquela vadia egoísta.
Férias com os filhinhos em Búzios ou os filhinhos vão para um acampamento cheio de filhinhos de mamãe mimados e cheirando a danone e leite ninho. Seu marido um basbaque otário, que bancava pra ela os mais diversos cremes e perfumes importados. Seus filhos os considerados jovens padrão da sociedade, se for pego fumando maconha é coisa da idade. Pena que o tratamento pra favelado não é o mesmo.
- Vai vagabundo coloca a mão na cabeça!
- Calma senhor, esse rapaz ai do lado é meu primo, a gente já tava indo pra casa.
- È o que a gente vai ver já já. E essa porra aqui no bolso do seu priminho?
- A gente tá de boa senhor.
Ditinho naquela noite estava limpo, não tinha drogas e nem cerveja estava bebendo, pena que o mesmo não acontecia com seu primo, que estava bebendo uma "breja" e guardando um cigarro de maconha em seu bolso, pra fazer a cabeça mais tarde. Dito não sabe se foi milagre, ou obra de Deus, mas graças a uma ocorrência mais importante, os policiais, os liberaram, prometendo porradas e pontapés no próximo enquadro, caso se trombassem por ai.
- Benedito acorda, tá sonhando acordado é!
Ditinho foi acordado por Patrícia, secretária de dona Simone, que lhe entregou alguns documentos e algum dinheiro. Os documentos ele teria que atravessar a cidade pra entregar, o dinheiro seria fácil, depositaria no banco ali pertinho, e sobraria tempo pra fazer um lanche no bar. Patricia não era menos bonita que dona Simone, e Ditinho a observava também.
Algumas horas depois...
Ditinho chega em casa, logo após um dia complicado de trampo, muita chuva em São Paulo, sua moto estava praticamente toda enlameada, e ele não estava em melhor estado. Tomou um banho, pensou em dona Simone, pensou em Patricia, pensou em seus novos colegas de trabalho, foi até sua gaveta, mexeu em algo, e achou a grana que ainda sobrava do assunto que praticou naquela mesma empresa, mil e duzentos reais. Ditinho dá um suspiro, pega o celular, e telefona pra sua namorada, que já estava a caminho de sua casa. Ditinho deita no sofá, liga o rádio, e descansa pra um novo dia de trabalho. Ditinho adormece e só acorda com sua namorada o beijando. O resto da noite passa junto dela, contando as novidades em sua vida.
Renato Vital é escritor
-
3.2.10
Até agora
16:00 da tarde
Alô, tudo bem? não, não ganhei folga, não vai dar pra ir. Ele tá ai, não? - então depois eu falo com ele. Bem que eu queria ir pra praia mas ele não deu folga. É bom que eu vou pro sarau. Tá bom tchau.
17:00 da tarde
- Moço se tá colando essas gavetas com cola de madeira?
- Sim por quê?
- È que eu queria emprestado, a instante do meu filho, tá com o feixe soltando, será que poderia me arrumar um pouco depois?
- Sim claro, quer agora?
- Não só mais tarde.
- Ei moço?
- Fala.
- Seu sobrinho tá ai, queria falar com ele.
- Não está na Praia Grande - nos meus pensamentos: " ele está com a bola toda."
- Se tem o número dele fulana?
- Tenho sim, é claro né, a operadora?
- Sim tá bom então, brigada - nos meus pensamentos: " realmente ele está com a bola toda, e só tem 13 anos."
18:00
Chuva, correria, falta de energia, chuva e chuva novamente. È bom que a Guarapiranga e a Billings fica cheia. Bom, ai só falta ajudar os milhares que ficaram sem seus colchões. geladeiras, móveis, casas, motos, carros... e o pior, sem um parente querido que morreu nas enchentes.
Ah uma boa notícia, a luz voltou. Não me enganei, faltou. Não, não voltou.
18:30
- Alô.
- De novo ligando Renato?
- er ( fico sem graça, só queria conversar um pouco)
três minutos depois desligo.
19:00
Saindo agora pra ir pro sarau, vou chegar lá nove e meia, e pra voltar vou chegar meia noite em casa, pra acordar as cinco da manhã, pra estar no trampo às seis. Tudo bem, já fui pra Cooperifa até com chuva de granizo... Opa, chuva, trânsito parado, vou chegar na Cooperifa só umas dez horas da noite. Tudo bem acho que vou. - olho pra bagunça -.
Bem raciocinando melhor, bagunça pra arrumar, estante pra montar, roupa pra pendurar ( sou homem do século 21, lava e passo roupa... grandes merda, não faço mais que a minha obrigação).
Não vou pra cooperifa.
Hoje tem jogo do Corinthians, já deixei de ver o jogo do Corinthians trezentas vezes pra ir pra Cooperifa, uma das únicas paixões que vence a corinthiana.
20:00
Lendo O que é isso companheiro? de Fernando Gabeira.
Paro em um ponto da leitura que fala, das trapaças da PM, que sempre soca bomba de gás lacrimôgenio no rabo, de quem ousa protestar por algo, e na ditadura era um tanto pior.
20:30
Vou na lan house, escrever um conto.
20:45
- Tem computador?
- Só daqui 21 minutos.
- Tudo bem eu espero.
Vejo jovens, sem nada pra fazer, e eu, deveria estar no Zé batidão, revendo os amigos que amo.
21:07
Eu tenho tanto pra lhe falar, mas com palavras, não sei dizer, como é grande o meu amor, por você Cooperifa. Vim aqui pra escrever um conto cabuloso, que vem fazendo minha mente faz alguns dias, mas resolvi dedicar esse conto a você Cooperifa. Quarta se der tudo certo, estarei ai, dentro de ti, e junto dos companheiros da literatura e da vida.
21:27
Termino meu conto agora, nesse exato momento, não vou assistir o jogo do Corinthians inteiro, vou ler um pouco quando chegar em casa, e mais tarde ligo a tv.
Cooperifa eu te amo, ou melhor eu vos amo.
Alô, tudo bem? não, não ganhei folga, não vai dar pra ir. Ele tá ai, não? - então depois eu falo com ele. Bem que eu queria ir pra praia mas ele não deu folga. É bom que eu vou pro sarau. Tá bom tchau.
17:00 da tarde
- Moço se tá colando essas gavetas com cola de madeira?
- Sim por quê?
- È que eu queria emprestado, a instante do meu filho, tá com o feixe soltando, será que poderia me arrumar um pouco depois?
- Sim claro, quer agora?
- Não só mais tarde.
- Ei moço?
- Fala.
- Seu sobrinho tá ai, queria falar com ele.
- Não está na Praia Grande - nos meus pensamentos: " ele está com a bola toda."
- Se tem o número dele fulana?
- Tenho sim, é claro né, a operadora?
- Sim tá bom então, brigada - nos meus pensamentos: " realmente ele está com a bola toda, e só tem 13 anos."
18:00
Chuva, correria, falta de energia, chuva e chuva novamente. È bom que a Guarapiranga e a Billings fica cheia. Bom, ai só falta ajudar os milhares que ficaram sem seus colchões. geladeiras, móveis, casas, motos, carros... e o pior, sem um parente querido que morreu nas enchentes.
Ah uma boa notícia, a luz voltou. Não me enganei, faltou. Não, não voltou.
18:30
- Alô.
- De novo ligando Renato?
- er ( fico sem graça, só queria conversar um pouco)
três minutos depois desligo.
19:00
Saindo agora pra ir pro sarau, vou chegar lá nove e meia, e pra voltar vou chegar meia noite em casa, pra acordar as cinco da manhã, pra estar no trampo às seis. Tudo bem, já fui pra Cooperifa até com chuva de granizo... Opa, chuva, trânsito parado, vou chegar na Cooperifa só umas dez horas da noite. Tudo bem acho que vou. - olho pra bagunça -.
Bem raciocinando melhor, bagunça pra arrumar, estante pra montar, roupa pra pendurar ( sou homem do século 21, lava e passo roupa... grandes merda, não faço mais que a minha obrigação).
Não vou pra cooperifa.
Hoje tem jogo do Corinthians, já deixei de ver o jogo do Corinthians trezentas vezes pra ir pra Cooperifa, uma das únicas paixões que vence a corinthiana.
20:00
Lendo O que é isso companheiro? de Fernando Gabeira.
Paro em um ponto da leitura que fala, das trapaças da PM, que sempre soca bomba de gás lacrimôgenio no rabo, de quem ousa protestar por algo, e na ditadura era um tanto pior.
20:30
Vou na lan house, escrever um conto.
20:45
- Tem computador?
- Só daqui 21 minutos.
- Tudo bem eu espero.
Vejo jovens, sem nada pra fazer, e eu, deveria estar no Zé batidão, revendo os amigos que amo.
21:07
Eu tenho tanto pra lhe falar, mas com palavras, não sei dizer, como é grande o meu amor, por você Cooperifa. Vim aqui pra escrever um conto cabuloso, que vem fazendo minha mente faz alguns dias, mas resolvi dedicar esse conto a você Cooperifa. Quarta se der tudo certo, estarei ai, dentro de ti, e junto dos companheiros da literatura e da vida.
21:27
Termino meu conto agora, nesse exato momento, não vou assistir o jogo do Corinthians inteiro, vou ler um pouco quando chegar em casa, e mais tarde ligo a tv.
Cooperifa eu te amo, ou melhor eu vos amo.
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